CVM · Colegiado · 28/09/2010
Recurso nº RJ2007/2418
Recurso (Decisão do Colegiado) nº RJ2007/2418
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RECURSO CONTRA DECISÃO DA SGE EM PROCESSO DE TAXA DE FISCALIZAÇÃO – CALMINA - CIA INTEGRADA DE CALCINAÇÃO E MINERAÇÃO – PROC. RJ2007/2418
Trata-se da apreciação de recurso interposto por Calmina - Companhia Integrada de Calcinação e Mineração contra decisão da Superintendência Geral que julgou procedente o lançamento do crédito tributário relativo à Notificação de Lançamento referente às Taxas de Fiscalização do Mercado de Títulos e Valores Mobiliários dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2002, 2003 e 2004, pelo registro de Companhia Incentivada. O Colegiado, com base nos argumentos contidos no Memo/SAD/GAC/480/10, deliberou o indeferimento do recurso, mantendo a decisão de primeira instância favorável à procedência do lançamento do crédito tributário. Anexos MANIFESTAÇÃO DA ÁREA TÉCNICA
Manifestação da Área Técnica
PARA: SAD/SGE MEMO/SAD/GAC/Nº 480/2010
DE: GAC DATA: 17/09/2010
ASSUNTO: Recurso contra decisão do SGE – Taxa de Fiscalização
CALMINA – COMPANHIA INTEGRADA DE CALCINAÇÃO E MINERAÇÃO
Processo CVM nº RJ-2007-2418
Trata-se de recurso interposto em 13/06/2008 por CALMINA – COMPANHIA INTEGRADA DE CALCINAÇÃO E MINERAÇÃO, contra decisão SGE n.º
408, de 08/04/2008, nos autos do Processo CVM nº RJ-2007-2418 (fls. 32 e 33), que julgou procedente o lançamento do crédito tributário a que se refere
a Notificação de Lançamento n° 2292/104 que diz respeito às Taxas de Fiscalização relativas aos 4 trimestres de 2002, 2003 e 2004, pelo registro de
Companhia Incentivada.
Em sua impugnação, a Calmina alegou que foi indevida a cobrança do crédito tributário, pois a taxa de fiscalização do MVM seria inconstitucional, bem
como seria ilegítima a equiparação entre o valor do BTN e o da UFIR.
Na decisão em 1ª instância, não foi acolhida a alegação, uma vez que:
i. A questão da constitucionalidade da taxa já foi pacificada pelo STF, com a edição da Súmula 665, segundo a qual, "é constitucional a
taxa de fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários instituída pela Lei 7940/1989";
ii. A conversão BTN/UFIR foi estabelecida consoante Legislação Tributária (Lei nº 8.177/91 e Lei nº 8.383/91).
Em grau recursal, a Calmina alega:
i. Preliminarmente, que "os argumentos de defesa levantados na impugnação, restaram não apreciados" pela Decisão proferida pelo
Superintendente Geral da CVM;
ii. Que é inconstitucional a "base de cálculo" da taxa de fiscalização, o que fere o princípio constitucional da isonomia;
iii. Que é ilegítima a equiparação do valor do BTN ao valor da UFIR;
iv. Que é ilegítima a utilização da taxa SELIC como juros de mora.
Entendimento da GAC
1. Do cabimento e outras questões prévias
O recurso é tempestivo, pois foi protocolado em 13/06/2008 (fl. 36) dentro do prazo de 30 dias a contar da data de ciência da decisão de 1ª instância
(19/05/2008, cf. à fl. 35), previsto no art. 25 da Deliberação CVM nº. 507/2006, observando-se o disposto no parágrafo único do art. 5º do Decreto nº
70.235/1972. Por conseguinte, opinamos pelo conhecimento do recurso.
2. Do mérito
Com respeito à preliminar, inicialmente, vejamos os argumentos apresentados pela ora recorrente, por ocasião da impugnação, listados em tópicos, como
consta do documento protocolado em 26/11/2006 (fl. 3 a 14):
i. Inconstitucionalidade da "base de cálculo" da taxa de fiscalização;
ii. Ferimento ao princípio constitucional da isonomia;
iii. Ilegitimidade da equiparação do valor do BTN ao valor da UFIR.
A partir daí, verificamos que os dois primeiros argumentos resumem-se em alegação de inconstitucionalidade da exação, o que foi rechaçado pela
decisão em 1ª instância, sob a fundamentação de que a questão da constitucionalidade da taxa de fiscalização já foi pacificada pelo E. Supremo Tribunal
Federal.
Súmula 665
É constitucional a taxa de fiscalização dos mercados de títulos e valores
mobiliários instituída pela Lei 7940/1989.
Quanto à última alegação, foi devidamente demonstrado na decisão ora recorrida, que a conversão BTN/UFIR foi estabelecida consoante Legislação
Tributária (Lei nº 8.177/91 e Lei nº 8.383/91).
Quanto ao mérito, vejamos.
No que diz respeito à constitucionalidade da taxa de fiscalização, exaustiva a fundamentação constante da Decisão SGE, mais especificamente, no que
concerne ao uso do patrimônio líquido da companhia como nível de referência, de modo a estabelecer o quantum devido, como já também reconhecido
pelo STF, os valores devidos são previstos numericamente na Lei n° 7.940/89, não se tratando o caso de incidência de alíquota sobre o patrimônio líquido
da empresa. Nos termos aqui expostos, decidiu o Pretório Excelso Pátrio:
RE 177835 / PE - PERNAMBUCO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO
Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO
Julgamento: 22/04/1999 Órgão Julgador: TRIBUNAL PLENO
EMENTA: - CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. TAXA DE FISCALIZAÇÃO DOS
MERCADOS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS - TAXA DA CVM. Lei nº
7.940, de 20.12.89. FATO GERADOR. CONSTITUCIONALIDADE. I. - A taxa de
fiscalização da CVM tem por fato gerador o exercício do poder de polícia
atribuído à Comissão de Valores Mobiliários - CVM. Lei 7.940/89, art. 2º. A
sua variação, em função do patrimônio líquido da empresa, não significa
seja dito patrimônio a sua base de cálculo, mesmo porque tem-se, no caso,
um tributo fixo. Sua constitucionalidade. II. - R.E. não conhecido. (grifo
nosso)
Com respeito à alegação concernente à conversão de BTN para Reais, por não haver nada que a desabone, é de se reportar à explicação desenvolvida
na decisão de 1ª instância:
Quanto a relação entre o BTN e a UFIR, ocorreu o seguinte:
1. a Lei 8.177, de 1991, com o objetivo de estabelecer regras para desindexação
da economia:
a. extinguiu o BTN e o BTN Fiscal (art. 3º, I e II);
b. estabeleceu que o valor do BTN e do BTN Fiscal destinado à conversão para
cruzeiros para efeitos fiscais, seria de Cr$ 126,8621 (art. 3º, parágrafo único).
2. por sua vez, a Lei 8.383, de 1991, instituiu a Unidade Fiscal de Referência –
UFIR, determinou que:
a. esta seria medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos e
de valores expressos em cruzeiros na legislação tributária federal, bem como os
relativos a multas e penalidades de qualquer natureza (art. 1º);
b. os valores expressos em cruzeiros na legislação tributária ficam convertidos
em quantidade de Ufir, utilizando-se como divisores: o valor de Cr$ 215,6656, se
relativos a multas e penalidades de qualquer natureza; o valor de Cr$ 126,8621,
nos demais casos (art. 3º).
3. em seguida a Lei 9.249, de 1995:
a. extinguiu a UFIR;
b. determinou a conversão dos valores em UFIR para reais tomando-se por base
o valor da UFIR de janeiro de 1996, qual seja, R$ 0,8287 (art. 30).
Quanto à aplicação da taxa Selic, citamos entendimento oriundo de julgados do E. Superior Tribunal de Justiça que refletem a jurisprudência pacificada
por aquela corte:
TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.
EXECUÇÃO FISCAL. NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL.
REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. TRIBUTO SUJEITO A
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTITUIÇÃO FORMAL.
DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC.
CABIMENTO. RAZÕES QUE NÃO INFIRMAM OS FUNDAMENTOS DA
DECISÃO AGRAVADA.
1. Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula
7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fático-probatório
permeado nos autos.
2. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração do contribuinte torna
prescindível a constituição do crédito formal do débito pelo fisco.
3. Consoante orientação traçada pela jurisprudência desta Corte, reputa-se legítima a
utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora dos
débitos do contribuinte para com a Fazenda Pública, não só na esfera federal (Lei
9.250/1995), como também no âmbito dos tributos estaduais, contanto que haja lei
local autorizando sua incidência.
4. Todas as questões apontadas foram abordadas e fundamentadas pelo relator monocrático
sob a égide de jurisprudência pacificada desta Corte, não alcançando a agravante infirmar
as razões que nortearam a decisão agravada.
5. Decisão agravada que se mantém por seus judiciosos fundamentos.
6. Agravo regimental não provido.
(AgRg no Ag 1013819/SP, rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, in DJ
02.09.2009)
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO FISCAL.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 23 DA LEI N. 8.906/94. AUSÊNCIA
DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 211/STJ. TAXA SELIC.
LEGALIDADE. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. PRECEDENTES.
1. Agravo regimental interposto contra decisão na qual foi exercido juízo de
retratação para afastar o decreto de intempestividade do recurso especial para
negar provimento ao agravo de instrumento em face da incidência da Súmula
211/STJ e por haver posição consolidada sobre a aplicação da Taxa SELIC e de
juros moratórios e multa. 2. Para o fim de viabilizar o acesso à instância extraordinária é necessário o prequestionamento da matéria impugnada. Incidência da Súmula n. 211/STJ. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que não há óbice para aplicação da Taxa SELIC, no campo tributário, a partir da edição da Lei n. 9.250/95. 4. Entendimento deste Tribunal de que: É cabível a cumulação dos juros e multa moratória, tendo em vista que os dois institutos possuem natureza diversa (art. 161, CTN). (REsp 530.811/PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 26/03/2007). 5. Agravo regimental não-provido. (AgRg no AgRg no Ag 938.868/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06.05.2008, DJ 04.06.2008 p. 1) (grifamos) Isto posto, somos pelo não provimento do recurso apresentado pela Calmina – Companhia Integrada de Calcinação e Mineração. Após sua apreciação, rogamos seja o processo encaminhado ao SGE, para envio ao Colegiado, nos termos do art. 26 da Deliberação CVM nº 507/06. Atenciosamente, RAFAEL RANGEL MACHADO JULIANA PASSARELLI ALVES Agente Executivo Gerente de Arrecadação De acordo, ao SGE, HAMILTON LEAL BRAZ Superintendente Administrativo-Financeiro
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