CVM · Colegiado · 24/01/2017
Recurso nº 19957.009425/2016-89
Recurso (Decisão do Colegiado) nº 19957.009425/2016-89
Inteiro teor
15.783 caracteres transcritos do PDF oficial · 1 peça
RECURSO CONTRA DECISÃO DA SEP EM PROCESSO DE MULTA COMINATÓRIA – INDÚSTRIAS J B DUARTE S.A. – PROC. SEI 19957.009425/2016-89
Trata-se de recurso interposto por Indústrias J B Duarte S.A. contra decisão da Superintendência de Relações com Empresas – SEP de (i) aplicação de multa cominatória no valor de R$ 19.500,00 (dezenove mil e quinhentos reais), decorrente do não envio das Demonstrações Financeiras Anuais Completas - DF referentes ao exercício de 2015 no prazo regulamentar estabelecido no art. 25, caput, e §2º da Instrução CVM 480/2009; e (ii) indeferimento do pedido de efeito suspensivo. O Colegiado, com base nas manifestações da área técnica, consubstanciadas no Relatório nº 134/2016-CVM/SEP e no Relatório nº 4/2017-CVM/SEP, deliberou, por unanimidade, o indeferimento do recurso e a consequente manutenção da multa aplicada. Anexos MANIFESTAÇÃO DA ÁREA TÉCNICA
Manifestação da Área Técnica
:: SEI / CVM - 0203007 - Relatório :: https://sei.cvm.gov.br/sei/controlador.php?acao=documento_imprimir...
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
Relatório nº 134/2016-CVM/SEP
Senhor Superintendente,
Trata-se de recurso interposto, em 16.12.16, pela INDS J B DUARTE S.A., registrada na
categoria A desde 01.01.10, contra a aplicação de multa cominatória no valor de R$ 19.500,00
(dezenove mil e quinhentos reais), pelo atraso de 39 (trinta e nove) dias no envio do documento
DF/2015, comunicada por meio do OFÍCIO/CVM/SEP/MC/Nº358/16, de 11.11.16 (0202551).
2. A Companhia apresentou recurso nos seguintes principais termos (0202547 e
0202550):
a) “a Companhia é empresa com mais de 100 anos de existência, e de capital aberto desde 1985, e que,
historicamente sempre cumpriu tempestivamente com suas obrigações de envio de informações e
especialmente às informações periódicas perante esta r. Autarquia, aos acionistas e ao mercado em
geral. Ocorre que, desde a instalação do período de crise política/financeira no nosso país e continuado
até o presente momento, a Companhia vem sendo fortemente afetada por uma crise financeira, que tem
gerado renegociações com determinados fornecedores”;
b) “nesse sentido, a Companhia sofreu um atraso generalizado na preparação de suas demonstrações
financeiras relativas ao exercício de 2015 o que se deu devido à rescisão do contrato com a
contabilidade que prestava serviços à Companhia, em vista de tentativas frustradas de renegociação do
mesmo com a referida contabilidade”;
c) “em vista de tal rescisão a Companhia iniciou processo de contratação da empresa substituta, o que
só foi possível concluir em junho/2016, o que acabou gerando o atraso na elaboração das
demonstrações financeiras”;
d) “nesse sentido, em que pese a Companhia ter atrasado o envio das informações mencionadas no
referido OFÍCIO/CVM/SEP/MC/Nº 358/16, não houve culpa ou dolo por parte administração em não
enviar tais informações, mas, pelo contrário, a Companhia agiu com a maior presteza que pôde para
atuar na regularização das demonstrações financeiras, sendo o atraso no envio das referidas
informações decorrente de fato imprevisível e fora do controle da Companhia”;
e) “assim, em vista da discricionariedade disposta no art. 5º, da Instrução CVM nº 452/2007 quanto à
imposição de multa cominatória quando do atraso no envio das informações periódicas, a Companhia
vem pela presente, respeitosamente pleitear a reconsideração desta r. Autarquia quanto à decisão de
imposição de multa cominatória à Companhia, solicitando que na análise da conveniência e
oportunidade para a imposição da multa, esta r. Autarquia considere que a aplicação da multa
cominatória fatalmente comprometeria ainda a situação da Companhia, que não dispõe de recursos para
pagamento da mesma, e tem enfrentado dia a dia os efeitos da crise financeira, gerando impactos
negativos para o mercado, acionistas, fornecedores, empregados e demais partes relacionadas à
Companhia”;
f) “ainda, de se notar também que o atraso da Companhia não se deu por culpa ou dolo da
administração e nem trouxe risco de dano relevante ao mercado e aos investidores, já tendo sido sanado
o atraso respectivo, e, considerando que a própria CVM já se manifestou, por meio do Parecer
CVM/SJU/Nº 19/72, que a multa cominatória não se confunde com uma multa punitiva, e que,
portanto, a ‘multa cominatória é destinada a influenciar na vontade do devedor, de modo a evitar o
1 de 3 30/01/2017 16:10
:: SEI / CVM - 0203007 - Relatório :: https://sei.cvm.gov.br/sei/controlador.php?acao=documento_imprimir...
inadimplemento ou a compelir o obrigado à saná-lo’, patente que tendo a Companhia sanado o
inadimplemento, inaplicável a multa cominatória”;
g) “a Companhia requer, com fundamento no §1º do artigo 13 da Instrução CVM nº 452/2007, a
concessão de efeito suspensivo ao presente Recurso (‘Efeito Suspensivo’), com a consequente
suspensão da exigibilidade da Multa, até seu julgamento final, tendo em vista que em razão da situação
financeira delicada em que se encontra a Companhia em razão da crise econômica atual do país, o
pagamento da referida Multa, sem o julgamento final do presente Recurso, poderá causar prejuízo de
difícil ou incerta reparação da Companhia”;
h) “por todo o exposto e contando com apoio desta r. Autarquia, pede deferimento”.
Entendimento
3. Inicialmente, cabe salientar que foi encaminhado, à companhia, o Ofício nº 457/2016
/CVM/SEP, de 16.12.16, indeferindo o pedido de efeito suspensivo do recurso interposto (0202578).
4. O documento Demonstrações Financeiras Anuais Completas - DF, nos termos do
art. 25 caput e § 2º, da Instrução CVM nº480/09, deve ser entregue na data em que for colocado à
disposição do público ou em até 3 (três) meses do encerramento do exercício social.
5. Cabe destacar que não há, na Instrução CVM nº 480/09, qualquer dispositivo que
permita, à Companhia, entregar em atraso suas Demonstrações Financeiras, ainda que, segundo a
recorrente, o atraso: (i) não tenha se dado por culpa ou dolo da administração e nem tenha trazido risco
de dano relevante ao mercado e aos investidores; e (ii) tenha ocorrido devido à rescisão do contrato
com a contabilidade que prestava serviços à Companhia”.
6. Com relação à alegação constante na letra “f” do § 2º retro de que a multa é
inaplicável, tendo em vista que a Companhia sanou o inadimplemento, cabe destacar que: (i) o art. 58
da Instrução CVM nº 480/09 prevê a aplicação de multa diária em virtude do descumprimento dos
prazos previstos na Instrução para entrega de informações periódicas; e (ii) a SEP cumpriu com os
trâmites previstos na Instrução CVM nº 452/07.
7. Nesse sentido, no que se refere ao art. 5º da Instrução CVM nº 452/07, citado pela
Companhia na letra “e” do § 2º retro, é importante esclarecer que a SEP, em regra, entende pela
aplicação da multa cominatória prevista na Instrução CVM nº 480/09, bem como, nos termos dos §§ 1º
e 2º do referido art. 5º decide se, além da aplicação da multa, vai apurar responsabilidades por meio da
instauração de processo sancionador. No presente caso, até este momento, não houve a instauração do
referido processo.
8. Assim sendo, a meu ver, restou comprovado que a multa foi aplicada corretamente,
nos termos da Instrução CVM n° 452/07, tendo em vista que: (i) o e-mail de alerta foi enviado em
31.03.16 (0202553) para o endereço eletrônico do DRI constante do Formulário Cadastral ativo à época
do envio (FC/2015 – versão 2 – enviado em 15.05.15); e (ii) a pela INDS J B DUARTE S.A. somente
encaminhou o documento DF/2015 em 10.05.16 (0202946).
Isto posto, sou pelo indeferimento do recurso apresentado pela INDS J B DUARTE
S.A., pelo que sugiro encaminhar o presente processo à Superintendência Geral, para posterior envio ao
Colegiado para deliberação, nos termos do art. 13 da Instrução CVM nº 452/07.
Atenciosamente,
KELLY LEITÃO SANGUINETTI
Analista
De acordo,
2 de 3 30/01/2017 16:10
:: SEI / CVM - 0203007 - Relatório :: https://sei.cvm.gov.br/sei/controlador.php?acao=documento_imprimir...
À SGE
FERNANDO SOARES VIEIRA
Superintendente de Relações com Empresas
Documento assinado eletronicamente por Kelly Leitão Sanguinetti, Analista, em 20/12/2016, às
19:00, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Documento assinado eletronicamente por Fernando Soares Vieira, Superintendente, em
20/12/2016, às 19:01, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
A autenticidade do documento pode ser conferida no site https://sei.cvm.gov.br
/conferir_autenticidade, informando o código verificador 0203007 e o código CRC B28907BF.
This document's authenticity can be verified by accessing https://sei.cvm.gov.br/conferir_autenticidade, and
typing the "Código Verificador" 0203007 and the "Código CRC" B28907BF.
3 de 3 30/01/2017 16:10
:: SEI / CVM - 0217680 - Relatório :: https://sei.cvm.gov.br/sei/controlador.php?acao=documento_imprimir...
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
Relatório nº 4/2017-CVM/SEP
Senhor Superintendente,
Trata-se de recurso interposto, em 05.01.17, pela INDS J B DUARTE S.A., contra o
indeferimento do pedido de efeito suspensivo, comunicado por meio do Ofício nº 457/2016/CVM/SEP.
2. A Companhia apresentou recurso nos seguintes principais termos (0217439):
a) “por meio do OFÍCIO Nº 457/2016/CVM/SEP o ilustre Superintendente desta r. Autarquia houve
por bem indeferir o pedido de efeito suspensivo ao RECURSO AO COLEGIADO contra multa
cominatória - participante objeto do OFÌCIO/CVM/SEP/MC/Nº 358/2016, por entender que não restou
comprovado o alegado receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da decisão
recorrida”;
b) “ocorre que, a r. decisão não merece prosperar e merece ser reconsiderada, como se passa a
demonstrar”;
c) “conforme se depreende das informações financeiras da Companhia, tendo como base as últimas
informações prestadas à CVM por meio do ITR2-2016, reapresentado em 09/11/2016, e DFPs
entregues pela Companhia, verifica-se que a Companhia não vem auferindo qualquer receita de suas
atividades operacionais, mas, pelo contrário vem amargando despesas que a administração vem
tentando ao máximo reduzir. O fluxo de caixa da Companhia demonstra que ela não gera recursos
suficientes para arcar com o pagamento da respectiva multa aplicada. O acompanhamento dos
demonstrativos financeiros dos últimos 5 exercícios tem reportado e mostrado a dificuldade para a
implantação dos projetos da Companhia”;
d) “assim todos os aspectos financeiros evidenciados em nossos relatórios e demonstrativos financeiros
dos últimos exercícios, apontam com resultados negativos e geração de caixa insuficiente para o
cumprimento das obrigações da Companhia, razão pela qual esperamos poder solucionar nossas
obrigações no tempo e em consonância com nossas possibilidades de caixa”;
e) “nesse sentido, verifica-se claramente que a imposição das multas à Companhia, traz prejuízos de
difícil reparação, uma vez que a Companhia vem tentando da melhor forma possível cortar custos e
gerar recursos, visando reequilibrar suas finanças”;
f) “a situação financeira da Companhia esteve muito grave durante o atual exercício a ponto de, para
conseguirmos manter a prestação de serviços dos diversos prestadores (contabilidade, auditoria,
assessores jurídicos e rescisões trabalhistas), a Companhia teve de fazer um acordo com os credores
que aceitassem o recebimento em ações da companhia”;
g) “para que fosse possível tal fato, a Companhia efetuou em julho e agosto deste exercício, um
aumento de capital no montante de R$ 2.785.534,76, aumento de capital este, homologado na AGE de
31/08/2016”;
h) “entretanto, a necessidade de pagamento imediato das multas, que, diga-se de passagem, são
indevidas, nos termos do quanto alegado no RECURSO AO COLEGIADO elaborado pela Companhia,
causarão agravamento da situação patrimonial da Companhia, pelo que requer, então, o reexame e
reconsideração pelo Presidente da CVM, nos termos do disposto na Deliberação CVM n°463/2003,
inciso VI, da decisão que indeferiu o efeito suspensivo ao recurso ao colegiado contra a imposição de
1 de 3 30/01/2017 16:11
:: SEI / CVM - 0217680 - Relatório :: https://sei.cvm.gov.br/sei/controlador.php?acao=documento_imprimir...
multa cominatória, conferindo o efeito suspensivo ao referido RECURSO AO COLEGIADO com
fundamento no § 1º do artigo 13 da Instrução CVM nº 452/2007, com a consequente suspensão da
exigibilidade da multa, até seu julgamento final, tendo em vista, que em razão da situação financeira
delicada em que se encontra a Companhia em razão da crise econômica atual do país, o pagamento da
referida Multa, sem o julgamento final do presente Recurso, poderá causar prejuízo de difícil ou incerta
reparação da Companhia.
Entendimento
3. Inicialmente, cabe destacar que a multa cominatória venceu em 04.01.17 e o recurso,
apesar de datado de 30.12.16, só foi protocolado em 05.01.17.
4. Com relação à alegação da Companhia na letra “c” do § 2º retro, cabe ressaltar que,
de fato, verifica-se que no 2º trimestre de 2016 a Companhia não auferiu qualquer receita. Além disso,
consta no formulário 2º ITR/2016 que não havia dinheiro em caixa, tendo em vista que o saldo era zero.
5. No entanto, o Relatório de Revisão Especial dos Auditores Independentes que
acompanha o formulário 2º ITR/2016 é referente ao 1º trimestre de 2016, motivo pela qual o envio do
documento foi desconsiderado e a Companhia entrou na Lista de Inadimplentes divulgada em 03.01.17.
Ademais, a Companhia, até o momento, não encaminhou o Formulário 3º ITR/2016, cujo vencimento
de entrega foi 14.11.16.
6. Nesse sentido, o referido 2º ITR/2016 não me parece o documento ideal para
comprovar as alegações da companhia.
7. Ademais, o presente recurso é passível de perder seu objeto, tendo em vista que:
a) caso o recurso contra aplicação da multa seja deferido pelo Colegiado, a multa será anulada;
b) caso o recurso contra aplicação de multa seja indeferido pelo Colegiado, a Companhia terá que arcar
com todos os encargos decorrentes do não pagamento da multa na data do vencimento; e
c) como as duas deliberações (do recurso contra o indeferimento do pedido de efeito suspensivo e do
recurso contra a aplicação da multa) ocorrerão na mesma reunião do Colegiado, a Companhia tomará
conhecimento dessas deliberações no mesmo momento, uma vez que será encaminhado um único
ofício pela SEP.
8. Desse modo, o deferimento do pedido de efeito suspensivo só se justificaria para
impedir a inscrição da Companhia no CADIN, o que ocorre 75 (setenta e cinco) dias após o vencimento
da GRU. No entanto, no presente caso, a Companhia será comunicada acerca das deliberações antes
desse prazo.
Isto posto, sou pelo indeferimento do recurso apresentado pela INDS J B DUARTE
S.A., pelo que sugiro encaminhar o presente processo à Superintendência Geral, para posterior envio ao
Colegiado para deliberação, nos termos do art. 13 da Instrução CVM nº 452/07.
Atenciosamente,
KELLY LEITÃO SANGUINETTI
Analista
De acordo,
À SGE
FERNANDO SOARES VIEIRA
Superintendente de Relações com Empresas
2 de 3 30/01/2017 16:11
:: SEI / CVM - 0217680 - Relatório :: https://sei.cvm.gov.br/sei/controlador.php?acao=documento_imprimir...
Documento assinado eletronicamente por Kelly Leitão Sanguinetti, Analista, em 19/01/2017, às
17:38, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
Documento assinado eletronicamente por Fernando Soares Vieira, Superintendente, em
19/01/2017, às 17:54, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.
A autenticidade do documento pode ser conferida no site https://sei.cvm.gov.br
/conferir_autenticidade, informando o código verificador 0217680 e o código CRC 434284AD.
This document's authenticity can be verified by accessing https://sei.cvm.gov.br/conferir_autenticidade, and
typing the "Código Verificador" 0217680 and the "Código CRC" 434284AD.
3 de 3 30/01/2017 16:11
Transcrição automática do PDF oficial, para leitura e busca. Para citar, use o documento oficial: Manifestação da Área Técnica.