CVM · Colegiado · 21/07/2005
Auditoria independente
Recurso (Decisão do Colegiado) nº RJ2004/5582
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RECURSO CONTRA A DECISÃO DA SNC DE APLICAÇÃO DE MULTA COMINATÓRIA E PEDIDO DE REDUÇÃO DO VALOR DA MULTA – AUDIVA AUDITORES INDEPENDENTES S/C – PROC. RJ2004/5582
Trata-se de apreciação de recurso de Audiva Auditores Independentes contra aplicação de multa cominatória aplicada pela SNC em razão de não haver apresentado a Informação Anual referente ao ano de 1998, ano base 1997. A Recorrente solicitou, ainda, a redução do valor da multa, com base no disposto na Instrução CVM nº 308/99. O Colegiado, com base nos fundamentos expostos pela da área técnica, consubstanciados no Memo/SNC/GNA/029/05, deliberou manter a multa aplicada. Anexos MANIFESTAÇÃO DA ÁREA TÉCNICA
Manifestação da Área Técnica
Para: SNC MEMO SNC/GNA/Nº 029/05
De: GNA Data: 29/06/2005
PROCESSO Nº RJ-2004-5582
Recurso: PEDIDO DE REDUÇÃO DO VALOR DA MULTA COMINATÓRIA
Recorrente: AUDIVA AUDITORES INDEPENDENTES
Recorrido: SUPERINTENDÊNCIA DE NORMAS CONTÁBEIS E DE AUDITORIA (SNC)
Sr. Superintendente,
A AUDIVA AUDITORES INDEPENDENTES, tendo recebido a nova guia de cobrança da multa cominatória (fls.56)
relativamente à multa cominatória diária aplicada por esta SNC, em razão de não haver apresentado a Informação
Anual referente ao ano de 1998, ano base 1997, vem solicitar o cancelamento da guia no valor de R$ 12.000,00,
ora recebida, valor este calculado de acordo com o que estabelece o artigo 23 da Instrução CVM Nº 216, de
29/06/1994, com a redação dada pela Instrução CVM Nº 275/98, à razão de R$ 200,00 por dia de atraso, limitados
a 60 (sessenta) dias e a emissão de uma nova guia, esta no valor de R$ 6.000,00, com observância do disposto no
inciso II, do art. 18 da Instrução CVM Nº 308, de 14/05/1999.
Justificando o pedido, a AUDIVA esclarece que:
1. A Instrução CVM Nº 308, de 14/05/1999, que dispõe sobre o registro de atividade de auditoria, revogando as
Instruções 216/94 e 275/98, estabeleceu em seu art. 18, inciso II, a multa diária de R$ 100,00 (cem reais),
pela não apresentação das informações previstas no art. 16, da citada Resolução (sic).
2. Assim, embora o atraso na apresentação das informações tenha ocorrido em 1998, há que ser aplicada a
penalidade agora vigente, ou seja, de R$ 100,00 (cem reais) por dia de atraso, e não a multa prevista na
norma vigente à época da infração cometida.
3. esta condição está prevista no CTN, que em seu artigo 106 estabelece:
"Art. 106 – A lei aplica-se a ato ou fato previsto:
II- tratando-se de ato não definitivamente julgado:
...................................................................................................................-----------------------------------------------------------------------------------c)
quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de
sua prática."
Relativamente aos argumentos dos itens 1 e 2, acima, a PFE – Procuradoria Federal Especializada – CVM,
respondendo à consulta sobre a possibilidade de se conceder a redução do valor de multa cominatória, nos autos do
Processo Nº RJ/2002/08214, se pronunciou pelo Memo/PFE-CVM/GJU-3/Nº 724/04, de 30/11/2004 (fls. 66), no
sentido de que:
"... deve prevalecer o valor da multa constante na Instrução que regulava a matéria no momento em que o administrado
deixou de enviar no prazo correto as informações periódicas ..." (fls 69)
"... a multa em questão é aplicada de forma automática, por decorrer da própria Instrução da CVM, a sua redução posterior,
além de não prevista ou autorizada em disposição legal ou regulamentar específica, representaria desconstituição de ato
administrativo regularmente constituído em desconformidade com a Súmula 473, do STF, e com o art. 53 da Lei nº 9784, de
1999.
Ademais, a redução da multa em questão configuraria, s.m.j., tratamento antiisonômico em relação aos demais participantes
do mercado que, tendo sofrido a incidência da igual multa, efetuaram o seu pagamento em conformidade com as normas e
orientações em vigor, que não prevêem a possibilidade de redução de seu valor em virtude de circunstâncias em que se deu a
ocorrência." (fls.70 ).
Ainda nos autos do mesmo Processo Nº RJ/2002/08214, em relação ao argumento do item 3, em síntese, a PFE –
Procuradoria Federal Especializada – CVM, se manifestou dizendo que "trata-se de um crédito não tributário, qual seja,
multa cominatória pelo cumprimento a destempo de obrigação de fazer" (fls. 61). Conseqüentemente, pode-se concluir
que o comando previsto no art. 106 do CTN, não se aplica ao caso, como pretendido pela AUDIVA.
Por fim, cabe observar, que o presente processo está pendente de decisão quanto ao recurso impetrado pela
AUDIVA (fls 01 a 03), razão pela qual o mesmo deve ser encaminhado para o Colegiado para decisão final em grau
de recurso, tanto quanto à multa propriamente dita, quanto ao pedido de redução do seu valor com base no
disposto na Instrução CVM Nº 308/99, ora apresentado.
À sua consideração,
RONALDO CÂNDIDO DA SILVA
Gerente de Normas de Auditoria.
De acordo,
Ao Colegiado para decidir em grau de recurso quanto à multa cominatória, opinando pelo indeferimento do recurso
e de redução do seu valor nos termos do relatório.
ANTONIO CARLOS DE SANTANA
Superintendente de Normas Contábeis e de Auditoria
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