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CADE · Superintendência-Geral · 25/09/2015

Ato de Concentração Sumário nº 08700.008539/2015-16

Ato de Concentração Sumário nº 08700.008539/2015-16

Ato de Concentração SumárioAprovação sem restriçõestexto integral

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:: SEI / CADE - 0113004 - Parecer :: PARECER Nº 316/2015/CGAA5/SGA1/SG PROCESSO Nº 08700.008539/2015-16 Requerentes: Bayerische Motoren Werke Aktiengesellschaft, Audi AG, Daimler AG e HERE Holding Corporation EMENTA: Ato de Concentração. Lei nº 12.529/2011. Procedimento sumário. Requerentes: Bayerische Motoren Werke Aktiengesellschaft, Audi AG, Daimler AG e HERE Holding Corporation. Mercados Afetados: mapas digitais navegáveis, softwares de navegação e fabricação de veículos. Natureza da Operação: aquisição de participação societária. Art. 8º, inciso VI, Resolução CADE nº 02/12. Aprovação sem restrições. VERSÃO PÚBLICA AS REQUERENTES HERE Holding Corporation ("HERE" ou "empresa-objeto") A HERE oferece serviços no setor de mapeamento e de inteligência geográfica, tais como mapeamento digital e soluções de navegação e localização para diversos clientes ao redor do mundo. A HERE comercializa mapas, navegação por orientação de voz e informação de tráfego ao vivo. Bayerische Motoren Werke Aktiengesellschaft ("BMW") A BMW é uma companhia de capital aberto e a controladora do Grupo BMW. O Grupo BMW é essencialmente voltado à fabricação de automóveis, motocicletas e motores. Nesse segmento, o Grupo BMW atua por meio de quatro marcas: BMW (automóveis premium), MINI, Rolls-Royce e BMW Motorrad (motos). Além disso, o Grupo BMW também presta serviços financeiros como:

financiamentos, arrendamentos, gerenciamento de frotas, seguros, investimentos financeiros, cartões de crédito e serviços de inovação em mobilidade. Audi AG ("Audi") A Audi é uma fabricante de automóveis alemã que projeta, produz, comercializa e distribui automóveis de luxo. A Audi é uma subsidiária integral da Volkswagen AG, que, por sua vez, é a empresa controladora do Grupo VW. O Grupo VW desenvolve, fabrica, comercializa e vende automóveis de passageiros e veículos comerciais leves, incluindo peças e acessórios. O Grupo VW também atua na distribuição de veículos. O Grupo VW inclui, ainda, as marcas Volkswagen, Audi, Bentley, Bugatti, Ducatti, Lamborghini, MAN, Porsche, SEAT, Skoda e Volkswagen Nutzfahrzeuge. Por meio de sua subsidiária Volkswagen Financial Services AG, o Grupo VW também presta serviços financeiros, principalmente relacionados à distribuição e financiamento de automóveis/veículos comerciais. Daimler AG ("Daimler") A Daimler é a controladora do Grupo Daimler. O Grupo Daimler é uma entidade alemã multinacional com linhas de negócios em automóveis premium e comerciais, caminhões, vans, ônibus e serviços financeiros, sendo a sua marca de maior renome a Mercedes-Benz. Os serviços financeiros ofertados pela Daimler incluem serviços de financiamento, arrendamento, gerenciamento de frota, seguro, investimentos financeiros, cartões de crédito e serviços de inovação em mobilidade.

OS ASPECTOS FORMAIS DA OPERAÇÃO Quadro 1 - Aspectos formais da operação Ato de Concentração de notificação obrigatória? Sim. Taxa processual foi recolhida? Sim. GRU (0100429) e Despacho CGOFL/DCONT (0102005) juntados aos autos. Data da notificação ou emenda 26.8.2015 Data da publicação do edital O Edital nº 292, que deu publicidade à operação em análise, foi publicado no dia 9.9.2015. DESCRIÇÃO DA OPERAÇÃO Trata-se da aquisição da HERE (hoje totalmente detida pela Nokia Corporation ("Nokia")) pela BMW, pela Audi e pela Daimler (as três compradoras, em conjunto, referidas aqui como "OEMs"), cada qual com 33,33% das ações da empresa-objeto. De acordo com as Requerentes, a operação tem como principal objetivo permitir que as OEMs tenham maior acesso à tecnologia para desenvolvimento de automóveis autônomos, possibilitando a concorrência das OEMs com grandes players nesse mercado, tais como Apple e Google, que atualmente desenvolvem equipados com tecnologia de mapeamento. Considerando que as OEMs não poderiam desenvolver sozinhas a mesma tecnologia da Apple e da Google, as OEMs decidiram adquirir a empresa-objeto para assegurar acesso à tecnologia mais moderna em termos de mapeamento digital. ENQUADRAMENTO LEGAL (ART. 8º, RES. CADE Nº 2/2012): VI – Outros casos.

PRINCIPAIS INFORMAÇÕES SOBRE A OPERAÇÃO Quadro 2 - Efeitos da operação Sobreposição horizontal Não Integração Vertical Sim Setor em que há sobreposição horizontal ou integração vertical Mercados à montante de mapas digitais navegáveis e de softwares para navegação e mercado à jusante de fabricação de veículos Participações de mercado Reduzidas CONSIDERAÇÕES SOBRE A OPERAÇÃO De acordo com as demonstrações financeiras do Grupo Nokia, ao qual a empresa-objeto pertence atualmente[1], a HERE é uma (...) líder global no negócio de mapeação e de inteligência de localização. A HERE faz mapas em alta definição e os combina a tecnologia na nuvem para permitir experiências de localização ricas e em tempo real em um escopo grande de dispositivos conectados, de smartphones e tablets a acessórios vestíveis e veículos. No setor automotivo, a Here é uma líder clara, com seus mapas abastecendo quatro de cinco sistemas de navegação automotiva na América do Norte e na Europa, e sua plataforma de localização é utilizada por companhias líderes de Internet. Além do mais, mais de 13 milhões de carros foram vendidos com mapas da HERE a bordo durante 2014. A HERE oferece mapas para mais de 190 países, navegação dirigida para 118 países e informação ao vivo de trânsito para 44 países[2]. O Grupo Nokia aponta ainda que as pretensões de investimento futuro da HERE dar-se-iam em três áreas: 1) Automotiva, para conteúdo de localização e tecnologia para carros inteligentes, conectados e automáticos;

2) Empresarial, para dados baseados em localização a fim de melhores decisões de negócios; e 3) Consumerista, para servir a players do ecosistema através de serviços baseados em nuvem para mobilidade pessoal e inteligência localizacional através de experiências ininterruptas em múltiplas telas[3]. Sobre a área automotiva, o Grupo Nokia ainda se aprofunda e planeja o seguinte: A HERE já agrega dados relacionados a estacionamentos, preços de gasolina, tráfico e clima, entre outras coisas, e nós vemos outras oportunidades no futuro em um mundo onde bilhões de dispositivos, incluindo telefones, tablets e carros estão conectados. Como deve ser, estamos investindo em tecnologias e capacidades de análise de dados para garantir que a nuvem de localização da HERE possa aproveitar o poder coletivo dos dados que esse dispositivos geram e entregam em tempo real, informação profética e relevante para cada usuário individual. No futuro, nós também temos a intenção de nivelar a nuvem de localização da HERE para fazer mapas em alta definição e outros serviços para abastecer uma inteira nova classe de experiências de direção, começando com veículos altamente automatizados[4].

Como riscos para a HERE, o Grupo Nokia aponta a concorrência intensa a lhe pressionar por inovações tempestivas, a limitação de suas vendas a um número limitado de clientes, especialmente na indústria automotiva, e um grande número de acordos duráveis por vários anos, o que faz com que a perda de um único cliente ou problemas em um único contrato signifique um impacto significativo na empresa[5]. As vendas da HERE seriam ainda dependentes do mercado automotivo em geral e das condições dos negócios dos clientes, sendo inclusive citada uma sazonalidade específica das vendas da HERE, que seriam geralmente altas no último quadrimestre de um ano do que no primeiro quadrimestre de um ano seguinte[6]. O setor de atividades da HERE foi extensamente analisado quando da aquisição, em 2008, pelo Grupo Nokia, da americana NAVTEQ Corporation (“NAVTEQ”), operação essa que forneceu à Nokia grande parte de sua expertise atual em navegação, formando o presente negócio HERE[7]. A Comissão Europeia, ao avaliar essa operação[8], entendeu que a NAVTEQ atuava em dois setores diferentes: (i) o de bases de dados de mapas navegáveis e não navegáveis; e o de (ii) softwares para navegação. A mesma divisão foi adotada pela Comissão Europeia quando da análise, alguns meses antes, da aquisição da Tele Atlas NV pela TomTom NV (“TomTom”), concorrente da HERE. O Cade nunca analisou o mercado a fundo[9].

Basicamente, o mercado de mapas digitais envolveria um conjunto de informações digitais propensas a constituir um mapa com orientação geográfica, endereços, estradas, rios, ferrovias, pontos de interesse, sentido de trânsito, limite de velocidade, etc., ao passo que o mercado de softwares de navegação envolveria softwares que combinam o banco de dados de um mapa (mapas provindos do mercado de mapas digitais) com o posicionamento geográfico de um receptor de GPS para calcular rotas e prover navegação ponto a ponto com indicações de direção dadas (geralmente) por meio visual e sonoro. A Comissão Europeia, em análise da possibilidade de segmentação do mercado de mapas digitais, considerou a hipótese de segmentação por: navegabilidade do mapa[10], produto final (dispositivo próprio para navegação, PDA, GPS fixo no painel de automóveis, smartphones, etc.), o formato da base de dados (.gdf, .sif, .rdf, etc.) e pela região coberta pelo mapa. Em virtude da facilidade de adaptação de uma base de dados digitais de um equipamento de navegação para outro ou de um formato digital para outro, as únicas segmentações reconhecidas foram pela navegabilidade do mapa (mapas navegáveis e não navegáveis) e pela região coberta pelo mapa (segmentação essa que não se confunde com a dimensão material do mercado – é o caso de o mapa cobrir certas regiões de um continente ou país e não outras e, por isso, ser mais útil para certo grupo de consumidores).

Ainda com relação à decisão retromencionada da Comissão Europeia, a dimensão geográfica do mercado de mapas digitais, por sua vez, seria mundial, devido ao caráter digital da informação, o que facilita o seu transporte e venda, e à ausência de tarifas de importação e exportação (ao menos no Espaço Econômico Europeu). O mercado de sotwares para navegação, por sua vez, poderia ser segmentado entre sistemas on-board (que guarda in loco o mapa e o software), off-board (que guarda in loco um aplicativo que acessa, geralmente via Internet, servidores externos que calculam a rota e fornecem os dados de mapa) e híbridos (que guardam in loco o mapa e o software mas que acessa, geralmente via Internet, servidores externos que fornecerão informação de tráfico e outros dados dinâmicos). A Comissão Europeia entendeu, na análise da aquisição da NAVTEQ pela Nokia, que não haveria segmentação do mercado ante uma possível futura predominância dos softwares híbridos, principalmente nos sotwares utilizados em telefones celulares, mercado de atuação da Nokia. O mercado de softwares para navegação, pelas mesmas razões do mercado de mapas digitais, teria abrangência geográfica mundial. As presentes compradoras da HERE, por sua vez, são fabricantes de automóveis que comercializam veículos e auto-peças. De acordo com as Requerentes, nenhuma das OEMs possui atividades na área de mapeamento e inteligência geográfica.

Embora as Requerentes não tenham se aprofundado no setor de atividade das OEMs, esta Superintendência-Geral identifica que elas atuam principalmente na fabricação e comercialização de veículos novos, mercado já analisado diversas vezes pelo Cade[11]. De acordo com a jurisprudência, a dimensão material desse mercado poderia ser definida por faixas de preço a refletirem o tipo de automóvel (como automóvel premium ou não-premium). Como afirmado pela própria HERE, seu foco de atuação é na indústria automotiva. Poderia, portanto, ser levantada a hipótese de uma integração vertical entre os mercados de mapas e de softwares para navegação e o mercado de fabricação de veículos resultante da presente operação. As Requerentes e as OEMs envolvidas, no entanto, apontaram não ter participações suficientes em seus respectivos mercados para tornar essa integração vertical preocupante, como se vê a seguir. A HERE estimou sua participação de mercado com base em dados que empresas de consultoria especializada fornecem sobre unidades de dispositivos que possuem dados de mapas navegáveis (incluindo celulares, dispositivos automotivos, etc.). De acordo com suas estimativas, a TomTom é a principal concorrente da HERE, com (ACESSO RESTRITO) de um mercado de dados de mapas brasileiro, em um cenário mais conservador, ou (ACESSO RESTRITO) de um mercado de dados de mapas mundial.

Outras concorrentes fortes seriam a Google e a Apple, que integram seus próprios sistemas de navegação nos smartphones e tablets de plataforma Android e iOS. As Requerentes informam que a Google não licencia seus dados de mapeamento navegáveis de maneira desagregada de seus softwares/sistemas, motivo pelo qual elas não contaram smartphones Android, da Google, em suas estimativas para o mercado de mapas digitais para navegação. Foi esclarecido ainda que os dados de mapas navegáveis da Apple são, em verdade, oriundos da TomTom, de modo que ela não aparece em separado nos cálculos feitos. A Apple, no entanto, não disponibiliza seu software para terceiros, razão pela qual ela foi excluída dos dados utilizados para calcular as participações de fornecimento de softwares de navegação. Um dos cenários adotados pelas Requerentes diz respeito a mapas digitais de navegação tanto no mundo, quanto no Brasil. Cabe ressaltar que não fica claro se o cenário envolvido abrange apenas dados de mapas navegáveis ou não, já que, mesmo que as Requerentes tenham informado não ver necessidade de aplicar essa segmentação, elas deixam claro que a operação afeta mapas navegáveis ou para navegação. De todo modo, seria o mercado de mapas digitais navegáveis o mercado afetado pela presente operação, já que, como afirmado acima, o mapa a ser utilizado por uma fabricante de automóveis, usualmente, é um mapa que dá indicações completas de direção ao condutor.

O outro cenário adotado pelas Requerentes diz respeito a softwares de navegação tanto no mundo, quanto no Brasil. As Requerentes apresentaram as seguintes tabelas de estrutura de oferta: Tabela 1 – Estrutura de oferta do mercado de mapas digitais para navegação no mundo e no Brasil em 2014 Mercado de Mapas Digitais para Navegação – Mundo Empresa 2014 (milhões de unidades) 2014 (%) TomTom (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 51 a 60%) Here (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 11 a 20%) AutoNavi (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 11 a 20%) Increment P Corp (iPC) (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) NavInfo (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) Outros (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) TOTAL (ACESSO RESTRITO) 100 Mercado de Mapas Digitais para Navegação – Brasil Empresa 2014 (milhões de unidades) 2014 (%) TomTom (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 61 a 70%) Here (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 21 a 30%) Outros (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) TOTAL (ACESSO RESTRITO) 100% Fonte: Requerentes, com base, principalmente, na empresa de consultoria (ACESSO RESTRITO) Tabela 2 – Estrutura de oferta do mercado softwares para navegação no mundo e no Brasil em 2014 (ACESSO RESTRITO) Mercado de Software de Navegação – Mundo Empresa 2014 (milhões de unidades) 2014 (%) Google (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 81 a 90%) HERE (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) Garmim (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO;

de 0 a 10%) TomTom (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) Auto e outros (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) TOTAL (ACESSO RESTRITO) 100 Mercado de Software de Navegação – Brasil Empresa 2014 (milhões de unidades) 2014 (%) Google (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 71 a 80%) HERE (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) Garmim (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) TomTom (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) Auto e outros (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) TOTAL (ACESSO RESTRITO) 100% Fonte: Requerentes, com base, principalmente, na empresa de consultoria (ACESSO RESTRITO) De acordo com as estimativas das Requerentes, portanto, a participação de mercado da HERE não seria grande o suficiente para lhe garantir capacidade de promover fechamento de mercado em decorrência da operação em tela. As Requerentes informaram que as OEMs não são importantes clientes no mercado downstream, representando apenas uma parcela pequena dos clientes de mapas digitais de navegação, sem apresentarem maiores dados, no entanto. Esta Superintendência-Geral, portanto, requisitou (documento de nº SEI 0106235) um cenário que considerasse, de modo conservador, que sistemas de navegação integrados ao veículo pudessem fazer parte de um tipo de automóvel em específico que não concorreria com qualquer outro carro de qualquer preço, mesmo que aparentem não ser muitos os veículos locais com sistema de navegação integrado.

As OEMs estimam, com base em dados próprios e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (“ANFAVEA”), que apenas (ACESSO RESTRITO) de seus veículos foram vendidos com sistema de navegação integrado de fábrica, o que representa (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) do total de veículos licenciados no Brasil em 2014. A estrutura de oferta apresentada pelas Requerentes (no documento de nº SEI 0110271 - versão de ACESSO PÚBLICO - com base em dados próprios e da ANFAVEA) foi a seguinte: Tabela 3 – Estrutura de oferta do mercado de veículos com sistema de navegação integrado de fábrica no Brasil em 2014 OEMs Veículos comercializados com sistema de navegação integrado Dimensão total do mercado Participação de mercado (%) Grupo Daimler (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) Grupo VW (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) Grupo BMW (ACESSO RESTRITO) (ACESSO RESTRITO; de 0 a 10%) Fonte: Requerentes, com base em dados próprios e da ANFAVEA Também não haveria, portanto, considerando as estimativas das Requerentes, poder de mercado suficiente das OEMs para fechar o mercado upstream de sistemas de navegação (mapas digitais e softwares) no Brasil.

Oficiada, uma das maiores clientes da HERE no Brasil, a (ACESSO RESTRITO), disse (documento de ACESSO RESTRITO de nº SEI 0111679) que, se a HERE praticasse um aumento de 5% a 10% nos preços de seus produtos no Brasil (ou seja, um aumento de preço pequeno mas significante e não transitório), a sua reação seria iniciar nova negociação comercial a partir de seu sistema mundial de compras com base na Europa (o que dá indícios de mercados de mapas e softwares de navegação de abrangências geográficas realmente mundiais). A TomTom foi apontada como uma fornecedora viável para oferecer produtos semelhantes aos da HERE, do mesmo modo que a HERE a apontou como sua maior concorrente. Não se vê, portanto, possibilidade de fechamento de mercado no Brasil resultante da integração vertical verificada, não servindo para formar qualquer definição de mercado relevante, deixada em aberto nesta análise. De todo modo, as Requerentes não teriam participações de mercado significativas em seus mercados de atuação, considerados os cenários aqui discutidos. Vale apontar, por fim, que a operação em tela foi aprovada em 1º.9.2015 em procedimento sumário (em "early termination") pela autoridade antitruste dos Estados Unidos, onde, supostamente, haveria um mercado mais bem estabelecido de veículos com sistema de navegação integrado[12]. Considerando todo o exposto, esta Superintendência-Geral conclui que a presente operação não levanta maiores preocupações em termos concorrenciais.

CLÁUSULA DE NÃO-CONCORRÊNCIA Não há. RECOMENDAÇÃO Aprovação sem restrições. Estas as conclusões. Encaminhe-se ao Sr. Superintendente-Geral. [1] Demonstração financeira disponível em inglês em <http://company.nokia.com/sites/default/files/download/investors/nokia_uk_ar14_full.pdf> (acesso em 22.9.2015). [2] Tradução informal desta Superintendência-Geral da página 3 das demonstrações financeiras. No original: “global leader in the mapping and location intelligence business. HERE builds high-definition (“HD”) maps and combines them with cloud technology to enable rich, real-time location experiences in a broad range of connected devices from smartphones and tablets to wearables and vehicles. In the automotive segment HERE is a clear leader, with its maps powering four out of five in-car navigation systems in North America and Europe, and its location platform is used by leading internet companies. All in all, more than 13 million cars were sold with HERE maps on board during 2014. HERE offers maps for more than 190 countries, drive navigation for 118 countries and live traffic information for 44 countries”. [3] Página 41 das demonstrações financeiras. No original: “leading provider of maps and location experiences across multiple screens and operating systems and is focused on producing the most accurate and fresh map content, available across multiple devices and operating systems.

(…) We believe that location is an essential element of the Programmable World, hence HERE is targeting its investments in three areas: 1) Automotive, for location content and technology for smart, connected and automated cars; 2) Enterprise, for location-based analytics for better business decisions; and 3) Consumer, for serving ecosystem players through cloud-based services for personal mobility and location intelligence through seamless experiences across multiple screens. For more information on the HERE business, refer to “Business overview—HERE”. [4] Página 28 das demonstrações financeiras. No original: “HERE already aggregates data related to parking, gas prices, traffic and weather, among other things, and we see further opportunities in a world where billions of devices, including phones, tablets and cars, are connected. Accordingly, we are investing in technologies and analytics capabilities to ensure HERE’s location cloud can harness the collective power of the data these devices generate to deliver real-time, predictive and relevant information to every individual user. In the future, we also intend to leverage HERE’s location cloud to deliver HD maps and other services to power an entirely new class of driver experiences, starting with highly automated vehicles”. [5] Página 77 das demonstrações financeiras, em “Risks related specifically to HERE”. [6] Página 41 das demonstrações financeiras, em “Seasonality”.

[7] A NAVTEQ, hoje uma subsidiária integral da HERE, também será transmitida às OEMs com a presente operação. [8] Caso COMP/M.4942. Decisão disponível em versão oficial em inglês em < http://ec.europa.eu/competition/mergers/cases/decisions/m4942_20080702_20682_en.pdf> (acesso em 22.9.2015). Decisão em outras línguas disponível em < http://ec.europa.eu/competition/elojade/isef/case_details.cfm?proc_code=2_M_4942> (acesso em 22.9.2015). [9] A análise da aquisição da NAVTEQ pela Nokia foi aprovada pelo Cade (Ato de Concentração 08012.012785/2007-11) ante a pouca expressividade da HERE no Brasil e a incipiência da navegação digital no país. Chegou-se a levantar a hipótese (hipótese essa deixada em aberto) de atuação da NAVTEQ num mercado de “sistemas de informação geográfica” e de “serviços de navegação e localização”, sem que as semelhanças e diferenças que definissem tais mercados fossem aprofundadas, no entanto. [10] Devido ao avanço tecnológico, uma segmentação nesse sentido não faria muito sentido nos dias de hoje. A título de completude, seria possível que o mapa evoluísse em complexidade nos seguintes níveis: (i) roteamento para pedestres, um mapa com geometria básica de ruas, nomes de ruas e limites administrativos; (ii) orientação para pedestres, um mapa que já usa dados de localização obtidos por GPS para, em conjunto com uma grade precisa de ruas, guiar uma pessoa em uma região;

(iii) roteamento para veículos, que traz a necessidade de indicação de direção de viagem para tornar possível a um motorista guiar o carro com o auxílio do mapa; e (iv) navegação para veículos, que necessita de serviços de roteamento e navegação robustos para guiar um veículo em meio a um mapa que inclui bloqueios de rua, limites de velocidade e outras informações sobre a rua. A Comissão Europeia considerou as três primeiras categorias como não-navegáveis e a última como navegável, sem maiores explicações. [11] Vide os Atos de Concentração 08700.003473/2014-97, 08700.010016/2013-78, 08700.009794/2013-14, 08700.007247/2013-02, 08012.006675/2000-72 e 08012.011261/2005-41. [12] Conforme anúncio disponível em <https://www.ftc.gov/enforcement/premerger-notification-program/early-termination-notices/20151502> (acesso em 23.9.2015). As Requerentes disseram que a operação também foi apresentada para autoridades da Alemanha, Áustria, Coreia do Sul e Taiwan. Esta Superintendência-Geral pôde identificar que o caso ainda está em análise (passível de aprovação em procedimento sumário ou não) na autoridade alemã, o Bundeskartellamt, conforme lista disponível em <http://www.bundeskartellamt.de/DE/Fusionskontrolle/LaufendeVerfahren/laufendeverfahren_node.html> (acesso em 23.9.2015).

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