CADE · Superintendência-Geral · 26/08/2025
Ato de Concentração Sumário nº 08700.008196/2025-61
Ato de Concentração Sumário nº 08700.008196/2025-61
Inteiro teor
12.360 caracteres transcritos do PDF oficial
SEI/CADE - 1612814 - Parecer PARECER Nº: 527/2025/CGAA5/SGA1/SG PROCESSO Nº: 08700.008196/2025-61 PARTES: MUTARES SE & CO. KGAA E HYVA SECURITIES B.V. EMENTA: Tipo de processo: Ato de Concentração Natureza da operação: Aquisição de controle (art. 90, inciso II, Lei nº 12.529/2011) Rito: Sumário (art. 8º, inciso II, Resolução CADE nº 33/22) Mercado(s) afetado(s): Guindastes industriais Decisão: Aprovação sem restrições VERSÃO DE ACESSO PÚBLICO I. ASPECTOS FORMAIS DO ATO DE CONCENTRAÇÃO Notificação: Data: 14/08/2025 (1607465) Conhecimento: Sim A operação é um ato de concentração (art. 90, Lei nº 12.529/11) e possui pelo menos dois grupos nela envolvidos que registraram faturamento bruto anual ou volume de negócios total no país, no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 750.000.000,00 (setecentos e cinquenta milhões de reais) e R$ 75.000.000,00 (setenta e cinco milhões de reais) (vide art. 88 da Lei 12.529/11[1] c/c Portaria Interministerial MF/MJ nº 994/12[2]) Pagamento da taxa processual 1607634 Formulário de Notificação Público 1607466 Restrito 1607467 Edital Número 599 (1609461) Data de publicação no DOU 22/05/2025 (1610949) II. ENQUADRAMENTO RITO SUMÁRIO (ART. 8º, RES. 33/22) Hipótese Descrição II – Substituição de agente econômico: situações em que a empresa adquirente ou seu grupo não participava, antes do ato, do mercado envolvido, ou dos mercados verticalmente relacionados e, tampouco, de outros mercados nos quais atuava a adquirida ou seu grupo. III.
OPERAÇÃO Descrição: A operação consiste na aquisição, pela Mutares SE & Co. KGaA (“Mutares”), através de sua subsidiária Mutares Holding-35 GmbH (“Compradora”), da unidade de Negócio de Guindastes (“Negócio-alvo”) da Hyva Securities B.V. (“Hyva” ou “Vendedora”) e suas afiliadas[3]. De acordo com os autos, no Brasil, o Negócio-alvo compreende uma planta de fabricação (localizada em Caxias do Sul, RS), armazém, escritório de vendas/distribuição, empregados, entre outros ativos e contratos. Lei 12.529/11: art. 90, inciso II: aquisição por 1 (uma) ou mais empresas, direta ou indiretamente, por compra ou permuta de ações, quotas, títulos ou valores mobiliários conversíveis em ações, ou ativos, tangíveis ou intangíveis, por via contratual ou por qualquer outro meio ou forma, do controle ou de partes de uma ou outras empresas. Res. 33/22[4]: art. 9º, inciso I: aquisição de controle unitário ou compartilhado. Justificativa econômica e/ou estratégica: De acordo com os autos: "A Mutares está adquirindo o Negócio-alvo com o intuito de fortalecer seu segmento de engenharia e tecnologia com uma marca globalmente reconhecida em guindastes montados em caminhões. [ACESSO RESTRITO]. A Mutares possui expertise comprovada em carve-outs e reestruturações, visando restaurar a lucratividade e impulsionar um crescimento sustentável. Com uma abordagem prática e uma estratégia de investimento de longo prazo, a Mutares vê o Negócio-alvo como uma adição de valor ao seu portfólio." Valor:
De acordo com os autos, [ACESSO RESTRITO]. Demais jurisdições em que a presente operação foi ou será apresentada: De acordo com os autos, [ACESSO RESTRITO]. Sujeição à aprovação de outros órgãos reguladores no Brasil ou no exterior De acordo com os autos, não aplicável à operação. IV. ESTRUTURA DA OPERAÇÃO Antes Depois V. PARTES Polo: Comprador Parte(s) diretamente envolvida(s): Mutares SE & Co. KGaA (“Mutares”), através de sua subsidiária Mutares Holding-35 GmbH (“Compradora”) Breve descrição: A Mutares é uma holding de investimentos internacional que atua na aquisição, transformação (reestruturação, otimização e reposicionamento) e/ou desenvolvimento de empresas em situações especiais, bem como em sua posterior alienação. A Mutares possui foco na aquisição de partes de grandes empresas (carve-outs) e de empresas de médio porte em situações transitórias. De acordo com os autos, o objetivo é alavancar o potencial de desenvolvimento das empresas alvo, que geralmente enfrentam dificuldades, no âmbito de um processo ativo de recuperação e conduzi-las a um caminho de crescimento estável e lucrativo. A atuação da Mutares é focada nos seguintes setores econômicos: automotivo e mobilidade; engenharia e tecnologia; bens e serviços; e varejo e alimentos. Polo: Alvo Parte(s) diretamente envolvida(s): Negócio de Guindastes (“Negócio-alvo”) da Hyva Securities B.V. (“Hyva” ou “Vendedora”) Breve descrição:
A Hyva faz parte do Grupo JOST, produtor e fornecedor de sistemas críticos de segurança para a indústria de veículos comerciais, categorizados em sistemas para aplicações on-highway (indústria de transporte) e off-highway (indústrias agrícolas e de construção). O Negócio-alvo compreende a unidade de negócio de guindastes da Vendedora e suas afiliadas, que opera o negócio global de fabricação, venda e distribuição de guindastes e serviços relacionados a clientes e distribuidores sob uma estratégia multimarcas, com um portfólio de produtos composto por guindastes articulados montados em caminhões, guindastes de lança rígida, guindastes rolloader, guindastes HMF e guindastes marítimos, abrangendo unidades de negócios nos Países Baixos, China, Brasil, Itália, Malásia, Austrália e outras operações de armazém e vendas em todo o mundo. De acordo com os autos, no Brasil, o Negócio-alvo atua na fabricação, venda e serviços pós-venda de guindastes e peças de reposição VI. EFEITOS CONCORRENCIAIS Efeito Mercado(s) Substituição de agente Guindastes industriais VII. ANÁLISE DE MÉRITO O presente ato de concentração, como visto acima, refere-se à aquisição pela Mutares (“Compradora”) da unidade de negócios de guindastes da Hyva (“Vendedora”).
Segundo as Requerentes, a Mutares atua na aquisição, reestruturação e reposicionamento de empresas em situações especiais para posterior alienação, não atuando em atividades que sejam horizontal ou verticalmente relacionadas às atividades do Negócio-alvo no país. Deste modo, tem-se que a operação não resulta em sobreposições horizontais e/ou integrações verticais. Sendo assim, entende-se que a Operação configura mera substituição de agente econômico, não demandando, portanto, uma análise mais aprofundada dos mercados envolvidos. VIII. CONCLUSÕES Por todo o exposto, conclui-se que a Operação não possui o condão de acarretar prejuízos ao ambiente concorrencial, recaindo na hipótese de procedimento sumário do art. 8º, inciso II, da Resolução nº 33/22. IX. CLÁUSULAS RESTRITIVAS À CONCORRÊNCIA Previsão contratual: Sim: não concorrência Aspecto Subjetivo: [ACESSO RESTRITO] Material: [ACESSO RESTRITO] Geográfico: [ACESSO RESTRITO] Temporal: [ACESSO RESTRITO] Adequação: Sim, conforme Súmula nº 5/2009 e/ou Súmula nº 4/2009: as cláusulas se aplicam aos vendedores (aspecto subjetivo); estão adstritas aos mercados afetados pela Operação, tanto do ponto de vista produto (aspecto material) como geográfico (aspecto geográfico); e encontram-se dentro do limite de 5 anos (aspecto temporal) após o fechamento da Operação e/ou após o fim da vigência da parceria. X. DECISÃO Decisão da SG: Aprovação sem restrições ____________________________ [1] "Art. 88.
Serão submetidos ao Cade pelas partes envolvidas na operação os atos de concentração econômica em que, cumulativamente: I - pelo menos um dos grupos envolvidos na operação tenha registrado, no último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no país, no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 400.000.000,00 (quatrocentos milhões de reais); e II - pelo menos um outro grupo envolvido na operação tenha registrado, no último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no país, no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais). § 1º Os valores mencionados nos incisos I e II do caput deste artigo poderão ser adequados, simultânea ou independentemente, por indicação do Plenário do Cade, por portaria interministerial dos Ministros de Estado da Fazenda e da Justiça. § 2º O controle dos atos de concentração de que trata o caput deste artigo será prévio e realizado em, no máximo, 240 (duzentos e quarenta) dias, a contar do protocolo de petição ou de sua emenda.
§ 3º Os atos que se subsumirem ao disposto no caput deste artigo não podem ser consumados antes de apreciados, nos termos deste artigo e do procedimento previsto no Capítulo II do Título VI desta Lei, sob pena de nulidade, sendo ainda imposta multa pecuniária, de valor não inferior a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) nem superior a R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais), a ser aplicada nos termos da regulamentação, sem prejuízo da abertura de processo administrativo, nos termos do art. 69 desta Lei. (...)" [2] "Art. 1º Para os efeitos da submissão obrigatória de atos de concentração à análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE, conforme previsto no art. 88 da Lei nº 12.529 de 30 de novembro de 2011, os valores mínimos de faturamento bruto anual ou volume de negócios no país passam a ser de: I - R$ 750.000.000,00 (setecentos e cinquenta milhões de reais) para a hipótese prevista no inciso I do art. 88, da Lei 12.529, de 2011; e II - R$ 75.000.000,00 (setenta e cinco milhões de reais) para a hipótese prevista no inciso II do art. 88, da Lei 12.529 de 2011." [3] De acordo com os autos, [ACESSO RESTRITO]. [4] "Art. 9º As aquisições de participação societária de que trata o artigo 90, II, da Lei nº 12.529/2011 são de notificação obrigatória, nos termos do art. 88 da mesma lei, quando: I - Acarretem aquisição de controle, unitário ou compartilhado; II - Não se enquadrem no inciso I, mas preencham as regras de minimis do artigo 10. Parágrafo único.
Não são de notificação obrigatória as aquisições de participação societária realizadas pelo controlador unitário. Art. 10. Nos termos do artigo 9º, II, são de notificação obrigatória ao Cade as aquisições de parte de empresa ou empresas que se enquadrem em uma das seguintes hipóteses: I - Nos casos em que a empresa investida não seja concorrente nem atue em mercado verticalmente relacionado: a) Aquisição que confira ao adquirente titularidade direta ou indireta de 20% (vinte por cento) ou mais do capital social ou votante da empresa investida; b) Aquisição feita por titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital social ou votante, desde que a participação direta ou indiretamente adquirida, de pelo menos um vendedor considerado individualmente, chegue a ser igual ou superior a 20% (vinte por cento) do capital social ou votante. II - Nos casos em que a empresa investida seja concorrente ou atue em mercado verticalmente relacionado: a) Aquisição que conferir participação direta ou indireta de 5% (cinco por cento) ou mais do capital votante ou social; b) Última aquisição que, individualmente ou somada com outras, resulte em um aumento de participação maior ou igual a 5%, nos casos em que a investidora já detenha 5% ou mais do capital votante ou social da adquirida. Parágrafo único. Para fins de enquadramento de uma operação nas hipóteses dos incisos I ou II deste artigo, devem ser consideradas:
as atividades da empresa adquirente e as atividades das demais empresas integrantes do seu grupo econômico conforme definição do artigo 4º dessa Resolução. Art. 11. A subscrição de títulos ou valores mobiliários conversíveis em ações é de notificação obrigatória quando, cumulativamente: I - a futura conversão em ações se enquadrar em alguma das hipóteses dos artigos 9º ou 10 desta Resolução; e II - o título ou o valor outorgar ao adquirente o direito de indicar membros dos órgãos de gestão ou de fiscalização ou direitos de voto ou veto sobre questões concorrencialmente sensíveis, excetuados os direitos já conferidos por lei. § 1º Para fins do inciso I deste artigo, calcular-se-á a quantidade de ações adquiridas caso a conversão fosse hipoteticamente exercida na data da subscrição. § 2º Em se tratando de oferta pública de títulos ou valores mobiliários conversíveis em ações, a sua subscrição independe da aprovação prévia do Cade para consumação, mas fica proibido o exercício de quaisquer direitos políticos atrelados aos títulos ou valores adquiridos até a aprovação da operação pelo Cade. § 3º A notificação da operação de subscrição de títulos ou valores mobiliários com base nos critérios do artigo 11 afasta a necessidade de notificação da sua conversão em ações."
Transcrição automática do PDF oficial, para leitura e busca. Para citar, use o documento oficial: Decisão em PDF.