CRSFN · 28/06/2016
Recurso Voluntário — Acórdão nº 211/2016
Recurso Voluntário nº 10372.000621/2016-94
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Boletim de Serviço Eletrônico em
26/09/2016
MINISTÉRIO DA FAZENDA
CONSELHO DE RECURSOS DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL
392ª Sessão
Recurso 14100
Processo 10372.000621/2016-94
Processo BCB 1301580884
RECURSO VOLUNTÁRIO
RECORRENTE: ANTÔNIO REMI ZAMBONI
RECORRIDO: BANCO CENTRAL DO BRASIL
RELATOR: ARNALDO PENTEADO LAUDÍSIO
BASE LEGAL DA IMPUTAÇÃO: Decreto nº 23.258/1933, art. 1º.
EMENTA: RECURSO VOLUNTÁRIO– Câmbio – Realização de operações ilegítimas -
Remessa de recursos ao exterior, com conversão de reais em dólares dos Estados Unidos da
América, por meio de instituição financeira clandestina–Operação Ouro Verde. Irregularidades
caracterizadas – Recurso desprovido.
ACÓRDÃO CRSFN 211/2016
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, decidem os membros do Conselho de
Recursos do Sistema Financeiro Nacional, por unanimidade e nos termos do voto do Relator,
conhecer do recurso de Antônio Remi Zambonie negar-lhe provimento, mantendo a penalidade
de multaem valor equivalente, em moeda nacional, a US$513,267.73 (quinhentos e treze mil
duzentos e sessenta e sete dólares dos Estados Unidos da América e setenta e três
centavos).
Participaram do julgamento os conselheiros Ana Maria Melo Netto Oliveira, Adriana Cristina
Dullius Britto, Antonio Augusto de Sá Freire Filho, Arnaldo Penteado Laudísio, Carlos Pagano
Botana Portugal Gouvêa,Flávio Maia Fernandes dos Santos, Otto Eduardo Fonseca de
Albuquerque Lobo eSérgio Cipriano dos Santos. Presente o Senhor Representante da
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, Dr. André Alvim de Paula Rizzo, que registrou não ter
havido requisição de parecer escrito na forma do art. 15 do Regimento Interno do CRSFN.
Brasília, 28 de junho de 2016.
RELATÓRIO
Em razão da operação Ouro Verde desencadeada pela Polícia Federal em março de 2007,
foi aberta ação penal contra Antonio Remi Zamboni, por ter utilizado serviços de instituição
clandestina para a remessa de recursos ao exterior. Diz a autarquia que foram remetidos
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clandestina para a remessa de recursos ao exterior. Diz a autarquia que foram remetidos
ilegalmente através da conta “Z”, US$5.132.677,31. Foi aberto o processo sancionador contra
o recorrente em razão dessa remessa ilegal.
O RECORRENTE apresentou defesa alegando que a conduta é atípica, não havendo ilícito
administrativo. Alega também nulidade das provas e de que não houve operação de câmbio
ilegítima.
O Bacen rejeitou a prescrição em razão do fato constituir crime e, portanto, adotado o
prazo da legislação penal. Rejeita a alegação de que não vigente à época o Decreto 23.258/33
em razão das revogações que lhe seguiram no tempo, já que os fatos narrados ocorreram
entre 2002 e 2004 e, portanto, muito posteriores à revogação e nulidade declarada do decreto
s/n de 25/2/1991. No mérito, condenou o recorrente em razão de entender comprovado que
houve as remessas pelo acusado, através da análise dos computadores de Alfredo Timm de
Souza, dos laudos da Polícia Federal e dos depoimentos de Fabiano Goens, ex-funcionário da
Tour Export Viagens e Turismo, e de Adriana Schunck. A multa foi fixada em US$513.267,73.
O acusado apresentou recurso, repetindo os argumentos da defesa. Alega, especialmente,
a ocorrência de prescrição, pedindo também a suspensão do feito até o final da ação penal.
Repisa a nulidade da prova e a ausência de autoria e materialidade da conduta.
Não houve parecer da PGFN, nos termos do Regimento Interno.
É o relatório.
Brasília, 08 de junho de 2016.
Arnaldo Penteado Laudísio – Conselheiro-Relator.
VOTO DO RELATOR
Em razão da operação Ouro Verde desencadeada pela Polícia Federal em março de 2007,
foi aberta ação penal contra Antonio Remi Zamboni, por ter utilizado serviços de instituição
clandestina para a remessa de recursos ao exterior. Diz a autarquia que foram remetidos
ilegalmente através da conta “Z”, US$5.132.677,31. Foi aberto o processo sancionador contra
o recorrente em razão dessa remessa ilegal.
Primeiramente, analisa-se as preliminares de prescrição e violação ao direito à ampla defesa.
As remessas foram realizadas entre 03.01.01 e 24.05.05. Em março de 2007 a Polícia Federal
deu início à operação visando apurar os fatos referentes a essas e outras remessas. A ação
penal iniciou-se em 2008 e a abertura do processo sancionador data de 09 de agosto de 2013.
Os fatos que são objeto deste processo são os mesmos da ação penal 2007.71.00.032312-
2/RS, cujo acusado é o recorrente.
Dessa forma, havendo ação penal com relação aos fatos objeto desse processo, aplica-se
o prazo de prescrição de doze anos, não tendo se consumado a prescrição.
A alegação de violação ao princípio da ampla defesa refere-se à crítica às provas
produzidas, dizendo a recorrente que a Polícia federal adulterou planilhas. Ora, as provas em
questão foram produzidas no âmbito penal e aqui trazidas e não se vislumbra qualquer
irregularidade. Nem mesmo resta apontada especificamente qual a adulteração. As planilhas
foram amplamente analisadas, havendo laudo sobre o sistema de onde foram tiradas as
informações que embasaram a condenação. Houve inclusive a autorização judicial para o
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compartilhamento das provas.
Não vejo qualquer violação à ampla defesa. As provas foram legitimamente constituídas e a
elas teve a recorrente oportunidade de contrapor sua versão, pelo que rejeito a alegação.
Com relação à competência do Banco Central para a fiscalização e impor sanção a
empresas e indivíduos em relação a operações de câmbio, ela tem origem na própria
Constituição Federal, dentro da divisão de competências materiais e legislativas dos entes
federativos. Assim, dispõe a Carta:
art. 21 – compete privativamente à União:
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza
financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de
seguros e de previdência privada;
Art. 22 – compete à União legislar privativamente sobre
VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores;
Sendo competência da União a regulação das operações de câmbio, a Lei 4595/64,
recepcionada pelo texto da constituição vigente dá nos artigos 10 e 11 o exercício dessa
competência do Banco Central do Brasil. Nesse artigo 11, no inciso VII consta a competência
para a fiscalização sobre qualquer empresa ou indivíduo que atue nos mercados sobre os
quais o Bacen exerce sua competência:
VII - Exercer permanente vigilância nos mercados financeiros e de capitais sobre
empresas que, direta ou indiretamente, interfiram nesses mercados e em relação às
modalidades ou processos operacionais que utilizem;
Além disso, essa própria lei equipara a instituições financeiras as empresas e pessoas físicas
que exerçam atividade regulada por essa lei e, portanto, ficam sujeitos às mesmas sanções:
Art. 17. Consideram-se instituições financeiras, para os efeitos da legislação em
vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade
principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros
próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor
de propriedade de terceiros.
Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparam-se às
instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades
referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual.
Art. 18. As instituições financeiras somente poderão funcionar no País mediante
prévia autorização do Banco Central da República do Brasil ou decreto do Poder
Executivo, quando forem estrangeiras.
§ 1º Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de
crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas
de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se
subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de
valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam
distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de
títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas que
exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e
venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e
de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições
financeiras.
Portanto, rejeito a arguição de que o Banco Central não tem competência para a imposição
de sanções por operação irregular de câmbio.
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Com relação à suspensão do processo administrativo até o trânsito em julgado da ação
penal, entendo que não existe a prejudicialidade alegada. As esferas são diferentes com
fundamento legal diferente e para verificar a violação de normas diferentes, apesar de se
referirem ao mesmo fato. Pode não haver elementos para a condenação na esfera penal, mas
ter sido violada a norma administrativa e vice versa. Por isso, diante da independência de
instâncias, rejeito a arguição de necessidade de suspensão do presente processo em razão da
existência de ação penal.
A questão referente à polêmica quanto à revogação do Decreto 23.258/33 pelo Decreto s/n
de 1991 não cabe aqui, já que as operações ocorreram a partir de 2001, quando a questão
ficou devidamente superada, havendo portanto fundamento legal para a sanção. São
inúmeros os Acórdãos deste CRSFN nesse sentido, entre eles o exarado no Recurso 11.713 e
11485.
No tocante ao fato do recorrente não reconhecer a realização de operações refere-se ao
mérito e lá há de ser tratada.
Quanto ao mérito vê-se que existem elementos suficientes para a condenação. A conta “Z”
foi referenciada como de Zamboni tanto por Fabio Goens como por Adriana Schunck. Além
disso as referências dos registros eletrônicos como o endereço e telefones estão corretos. A
referência ao banco HSBC e o endereço da agência onde o recorrente trabalhava também são
verdadeiros. Assim, a referência das testemunhas tem respaldo em outras provas, pelo que
entendo que está comprovada a violação à norma administrativa.
Cabe ainda uma observação quanto ao recurso. A norma violada não faz referência a
operações entre países diferentes, mas sim a realização de operações de câmbio ilegítimas.
Essas operações podem ocorrer inteiramente dentro do território nacional e abrangendo
somente pessoas físicas e jurídicas com domicílio ou sede no Brasil e mesmo assim haverá a
tipificação.
Assim, diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso para confirmar a
decisão de primeira instância.
É o Voto.
Brasília, 28 de junho de 2016.
Arnaldo Penteado Laudísio – Conselheiro-Relator.
DECLARAÇÃO DE VOTO DO CONSELHEIRO *[DIGITAR AQUI O NOME COMPLETO]*
1) Texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto texto
texto texto texto.
É o voto.
[Digite aqui o nome do conselheiro] – Conselheiro.
Documento assinado eletronicamente por Arnaldo Penteado Laudísio,
Conselheiro Relator, em 26/09/2016, às 12:43, conforme horário oficial de
Brasília, com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de
outubro de 2015.
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Documento assinado eletronicamente por Ana Maria Melo Netto Oliveira,
Presidente, em 26/09/2016, às 14:53, conforme horário oficial de Brasília,
com fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de
2015.
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