CVM · Colegiado · 05/05/2020
Oferta pública
Decisão do Colegiado nº 19957.003514/2019-64
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APRECIAÇÃO DE PROPOSTA DE TERMO DE COMPROMISSO – PAS SEI 19957.003514/2019-64
Trata-se de proposta de Termo de Compromisso apresentada por Rafael Ferreira Garrote Paiva (“Proponente”), na qualidade de Superintendente do Banco BMG S.A. (“Banco BMG”), no âmbito do Processo Administrativo Sancionador instaurado pela Superintendência de Registro de Valores Mobiliários – SRE. A SRE propôs a responsabilização do Proponente por infração ao disposto no art. 12 da Instrução CVM nº 476/09 c/c o art. 48, IV, da Instrução CVM nº 400/03, por ter se manifestado na mídia, na qualidade de Superintendente do Banco BMG, durante o período em que se realizava a oferta pública com esforços restritos de debêntures simples não conversíveis em ação e com garantia real, de emissão da Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros Cartões Consignados BMG, lastreadas em direitos creditórios do Banco BMG. Após intimado, o Proponente apresentou suas razões de defesa e proposta de celebração de Termo de Compromisso, na qual se comprometeu a observar as orientações emanadas pela CVM com a “ finalidade de assegurar a tempestiva divulgação de informações no âmbito de eventuais ofertas públicas de valores mobiliários, das quais participe ou venha participar ”, bem como a pagar à CVM o valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). Em razão do disposto no art. 83 da Instrução CVM nº 607/19, a Procuradoria Federal Especializada junto à CVM – PFE/CVM apreciou, à luz do art.
11, §5º, incisos I e II, da Lei nº 6.385/76, os aspectos legais da proposta apresentada, tendo opinado pela inexistência de óbice jurídico à celebração de termo de compromisso. O Comitê de Termo de Compromisso (“Comitê”), tendo em vista (i) o art. 86, caput, da Instrução CVM nº 607/19; e (ii) o fato de a Autarquia já ter celebrado termos de compromisso em casos de manifestação em período de silêncio, entendeu que seria possível discutir a viabilidade de um ajuste para o encerramento antecipado do caso. Assim, consoante faculta o art. 83, §4º, da Instrução CVM nº 607/19, e considerando, em especial: (i) o disposto no art. 86, caput, da Instrução CVM nº 607/19; (ii) que os fatos tratados são anteriores à publicação da Lei nº 13.506, de 13.11.2017; e (iii) o histórico do Proponente, que não figura em outros processos sancionadores instaurados pela CVM, o Comitê sugeriu o aprimoramento da proposta para a assunção de obrigação pecuniária no valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), em parcela única, em benefício do mercado de valores mobiliários, por intermédio da CVM. Na sequência, o Proponente encaminhou nova proposta de Termo de Compromisso, por meio da qual, além de questionar a quantia sugerida pelo Comitê e apresentar alegações nesse sentido, obrigou-se a pagar R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais).
O Comitê, discordando dos argumentos trazidos pelo Proponente, decidiu reiterar os termos de sua contraproposta, vindo o Proponente, tempestivamente, a manifestar concordância com os termos sugeridos pelo Comitê. Sendo assim, o Comitê entendeu que a aceitação da proposta apresentada seria conveniente e oportuna, já que, após êxito na negociação de seus termos, seria suficiente para desestimular práticas semelhantes, em atendimento à finalidade preventiva do termo de compromisso. O Colegiado, por unanimidade, acompanhando o parecer do Comitê, deliberou aceitar a proposta de termo de compromisso apresentada. Na sequência, o Colegiado, determinando que o pagamento será condição do Termo de Compromisso, fixou os seguintes prazos: (i) dez dias úteis para a assinatura do Termo, contados da comunicação da presente decisão ao Proponente; (ii) dez dias úteis para o cumprimento da obrigação pecuniária assumida, a contar da publicação do Termo de Compromisso no “Diário Eletrônico” da CVM, nos termos do art. 91 da Instrução CVM 607/19, devendo ser observada, ainda, a prorrogação prevista nos incisos I e V da Deliberação CVM nº 848, de 25 de março de 2020. A Superintendência Administrativo-Financeira – SAD foi designada como responsável por atestar o cumprimento da obrigação pecuniária assumida. Por fim, o Colegiado determinou que, uma vez cumpridas as obrigações pactuadas, conforme atestado pela SAD, o Processo seja definitivamente arquivado em relação ao Proponente.
Anexos PARECER DO COMITÊ
Parecer do Comitê
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
PARECER DO COMITÊ DE TERMO DE COMPROMISSO
PROCESSO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR CVM SEI 19957.003514/201964
SUMÁRIO
PROPONENTE:
RAFAEL FERREIRA GARROTE PAIVA, na qualidade de Superintendente
do Banco BMG S.A.
ACUSAÇÃO:
Ter se manifestado na mídia, na qualidade de Superintendente do
Banco BMG S.A., durante período de vedação de manifestações da
espécie, em infração ao disposto no art. 12 da Instrução CVM n°
476/09 c/c o art. 48, IV, da Instrução CVM nº 400/03.
PROPOSTA:
Pagar à CVM o valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais).
PARECER DO COMITÊ:
ACEITAÇÃO
PARECER DO COMITÊ DE TERMO DE COMPROMISSO
PROCESSO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR CVM SEI 19957.003514/201964
RELATÓRIO
1. Trata-se de proposta de Termo de Compromisso apresentada por RAFAEL
FERREIRA GARROTE PAIVA (doravante denominado “RAFAEL GARROTE”), na
qualidade de Superintendente do Banco BMG S.A., no âmbito do Termo de
Acusação[1] instaurado pelo Superintendente de Registros de Valores Mobiliários
("SRE").
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DA ORIGEM
2. A acusação se originou do Processo SEI 19957.006504/2017-19, que versava
sobre a veiculação na mídia de declarações proferidas por RAFAEL GARROTE
durante o período em que se realizava a oferta pública com esforços restritos de
debêntures simples não conversíveis em ação e com garantia real (“Oferta
476”), de emissão da Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros Cartões
Consignados BMG (“Emissora”), lastreadas em direitos creditórios do Banco BMG
S.A. ("Cedente").
DOS FATOS
3. Em 12.07.2017, foi publicada matéria jornalística em jornal de grande
circulação, na qual RAFAEL GARROTE traçou comparativo entre a emissão de
debêntures por parte da Emissora frente à alternativa de captação realizada por
meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (“FIDC”), o que, segundo a
SRE, caracteriza infração ao art. 12 da Instrução CVM nº 476/09 (“ICVM 476”), que
prevê a aplicação do art. 48, IV, da Instrução CVM nº 400/03 (“ICVM 400”) às
ofertas públicas distribuídas com esforços restritos. A Oferta Restrita teve início
em 12.05.2017.
4. Na referida matéria[2] foi informado que:
(i) o Cedente pretendia captar até R$ 1 bilhão “por meio da venda de
recebíveis dos cartões de crédito consignado do banco para uma
securitizadora que fará uma emissão de debêntures no mercado”;
(ii) seria a primeira operação usando uma estrutura de debêntures
realizada pelo Cedente, que costumava captar por meio de FIDC, tendo
destacado que a “estrutura traz uma blindagem robusta e permite ter uma
liquidez maior no mercado secundário do que as cotas de um FIDC”;
(iii) a operação consistiria “na securitização de recebíveis performados
originados por meio de operações de saque e compra realizadas com cartões
de crédito consignados emitidos pelo Banco BMG e destinados a beneficiários
do INSS”;
(iv) os recebíveis seriam cedidos para a Emissora “montada para essa
operação pela Vert Consultoria e Assessoria Financeira do grupo Vert Capital,
que fará a emissão das debêntures, já que o banco não pode emitir
diretamente esse papel”;
(v) “os títulos serão garantidos pelo fluxo de contratos de cessão desses ativos
e o objetivo do banco é captar pelo menos R$ 300 milhões”;
(vi) a operação seria dividida em duas séries (a primeira, de até R$ 1
bilhão, com “juros remuneratórios que correspondem a 100% do CDI mais
uma taxa de 1,9% ao ano e a segunda, de até R$ 500 milhões,
corresponderá à taxa de retorno da NTN-B acrescida de sobretaxa de até
1,9% ao ano”); e
(vii) a operação teria “prazo de amortização do principal de cinco
anos, com um ano de carência (A Fitch atribuiu rating ‘AA’ à operação, que
será realizada via instrução nº 476”).
5. Em 12.07.2017, devido à publicação da matéria acima, o Coordenador Líder
enviou comunicado à SRE noticiando a suspensão voluntária da Oferta 476 e
informando que já havia contatado os potenciais investidores profissionais
procurados no âmbito da oferta, comunicando-os sobre a suspensão, a qual
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perduraria até autorização da CVM.
6. Em 17.07.2017, o Coordenador Líder informou à SRE as medidas que foram
tomadas para revogar a suspensão voluntária da Oferta 476 e que haviam sido
realizadas as seguintes ações:
(i) comunicou a todos os potenciais investidores profissionais procurados no
âmbito da Oferta 476 sobre a suspensão da Oferta Restrita até o dia
27.07.2017;
(ii) orientou aos potenciais investidores procurados no âmbito da oferta para
desconsiderar quaisquer declarações ou outras informações divulgadas na
mídia, pautando suas decisões de investimento exclusivamente nas
informações contidas no material disponibilizado pelos Coordenadores, em
especial nos fatores de risco, e se comprometeu a fazer o mesmo comunicado
aos possíveis investidores profissionais que pudessem se interessar pela oferta
após o período de suspensão; e
(iii) recomendou ao Cedente circular memorando interno sobre as normas de
conduta em ofertas públicas, incluindo o período de silêncio previsto no art. 48,
IV, da ICVM 400, tornado esta uma prática a cada nova oferta pública, bem
como a contratação de uma apresentação sobre o tema.
7. Em 27.07.2017, o Coordenador Líder enviou novo comunicado à SRE para
informar: (i) sobre o fim da suspensão da Oferta 476; (ii) que o bookbuilding iria
ocorrer em 14.08.2017; e (iii) que o Cedente havia cumprido as orientações
sugeridas.
8. Em 19.03.2019, a SRE solicitou a manifestação de RAFAEL GARROTE sobre a
matéria em comento, o qual respondeu, em 28.03.2019, afirmando não ter dado
“entrevista, seja pessoalmente ou de qualquer outra forma, para o referido jornal
ou para qualquer outro veículo de comunicação acerca da emissão em
referência”, bem como destacando que havia manifestado ao Cedente, à época,
“insatisfação com a entrevista vinculada” à sua pessoa. Tal afirmação foi
questionada pela SRE por meio de Ofício datado de 26.04.2019, no qual foi
solicitado que apresentasse a mencionada manifestação encaminhada ao
Cedente. A resposta não havia sido apresentada até a data de
encerramento/oferecimento da peça acusatória (24.05.2019).
DA MANIFESTAÇÃO DA ÁREA TÉCNICA
9. De acordo com a SRE:
(i) ao divulgar matéria jornalística em jornal de grande circulação, fazendo um
comparativo entre a emissão de debêntures por parte da Emissora frente
à alternativa de captação realizada por meio de FIDC, RAFAEL GARROTE,
Superintendente do Banco BMG S.A., violou o art. 48, IV, da ICVM 400, e o
próprio Coordenador Líder, ao tomar conhecimento da
reportagem, suspendeu voluntariamente a oferta que estava em andamento,
também entendendo que o Cedente cometera tal infração, configurando-se,
portanto, infração ao art. 12 da ICVM 476;
(ii) a infração ocorreu durante o processo do bookbuilding, razão pela qual a
infração é passível de punição nos termos da ICVM 476, uma vez que as
informações divulgadas pelo infrator possuem influência direta na avaliação da
oferta pelos potenciais investidores;
(iii) apesar do Coordenador Líder ter substituído voluntariamente a oferta, tal
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ato não teria o condão de reformar a infração cometida por RAFAEL
GARROTE ao art. 48, IV, da ICVM 400;
(iv) ao verificar a estrutura da operação, evidenciou-se que seria o Banco BMG
S.A. quem estaria realizando a captação de recursos por meio de emissão de
debêntures por companhia securitizadora, a partir de créditos originados pela
cessão de recebíveis vincendos de operações de saque e compra dos cartões
de crédito consignado de beneficiários do INSS, emitidos pelo próprio banco,
conforme se depreende do item 7 das deliberações da AGE, in verbis:
“os recursos líquidos obtidos pela Companhia, por meio da Emissão, serão
integralmente destinados ao pagamento do preço de aquisição dos Direitos
Creditórios ao Cedente, e à constituição da reserva de pagamentos na forma a
ser prevista na Escritura”; e
(v) RAFAEL GARROTE infringiu o art. 12 da ICVM 476, o qual vincula
a aplicação do art. 48, IV, da ICVM 400 às ofertas públicas distribuídas com
esforços restritos, pelo fato de ter se manifestado na mídia sobre a oferta
pública de debêntures simples não conversíveis em ação e com garantia real
quando esta se encontrava em curso.
DA RESPONSABILIZAÇÃO
10. Ante o exposto, a SRE propôs a responsabilização de RAFAEL FERREIRA
GARROTE PAIVA, por infração ao disposto no art. 12 da ICVM 476 c/c o art. 48, IV,
da ICVM 400, por ter se manifestado na mídia na qualidade de Superintendente do
Banco BMG S.A., durante o período vedado pelo referido dispositivo regulamentar.
DA PROPOSTA DE CELEBRAÇÃO DE TERMO DE COMPROMISSO
11. Devidamente intimado, o PROPONENTE apresentou suas razões de defesa,
bem como proposta de celebração de Termo de Compromisso, na qual se
comprometeu a observar as orientações emanadas pela CVM com a “finalidade de
assegurar a tempestiva divulgação de informações no âmbito de eventuais ofertas
públicas de valores mobiliários, das quais participe ou venha participar”, bem
como a pagar à CVM o valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).
DA MANIFESTAÇÃO DA PROCURADORIA FEDERAL ESPECIALIZADA - PFE
12. Em razão do disposto na Instrução CVM Nº 607/19 (art. 83, caput), a
Procuradoria Federal Especializada junto à CVM – PFE/CVM apreciou os aspectos
legais da proposta de Termo de Compromisso, tendo opinado pela inexistência
de óbice à celebração de Termo de compromisso, conforme PARECER nº
00009/2019/PFE-CVM2/PFE-CVM/PGF/AGU.
13. Com relação aos incisos I e II do §5º do art. 11 da Lei nº 6.385/76, a PFE
destacou:
“5. No tocante à cessação das atividades (inciso I),
impende registrar o entendimento da CVM no sentido de
que ‘sempre que as irregularidades imputadas tiverem
ocorrido em momento anterior e não se tratar de ilícito de
natureza continuada, ou não houver nos autos quaisquer
indicativos de continuidade das práticas apontadas como
irregulares, considerar-se-á cumprido o requisito legal, na
exata medida em que não é possível cessar o que já não
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existe’(...). Assim, cabe reconhecer o atendimento
deste requisito.
6. Relativamente à correção das irregularidades (inciso
II), também a reputo atendida (...)” (grifado)
DA NEGOCIAÇÃO DA PROPOSTA DE TERMO DE COMPROMISSO
14. O Comitê de Termo de Compromisso, em reunião realizada em 21.01.2020[3],
ao analisar a proposta de Termo de Compromisso apresentada, tendo em vista (a)
o art. 86, caput, da Instrução CVM nº 607/19; e (b) o fato de a Autarquia já ter
celebrado Termos de Compromisso em casos de manifestação em período de
silêncio como, por exemplo, no PAS CVM RJ2013-11178 e no PAS CVM RJ2014/2046
(decisões do Colegiado, respectivamente, de 25.11.014 e 16.12.2014, disponíveis
e m http://www.cvm.gov.br/decisoes/2014/20141125_R1/20141125_D02.html e
http://www.cvm.gov.br/decisoes/2014/20141216_R1/20141216_D03.html),
entendeu que seria possível discutir a viabilidade de um ajuste para o
encerramento antecipado do caso em tela. Assim, consoante faculta o disposto no
art. 83, §4º, da Instrução CVM nº 607/19, o CTC decidiu negociar as condições da
proposta apresentada.
15. Com efeito, o Comitê, considerando o acima enfocado e, em especial: (i) o
disposto no art. 86, caput, da Instrução CVM nº 607/19; (ii) que os fatos aqui
tratados são anteriores à publicação da Lei nº 13.506, de 13.11.2017; e (iii) o
histórico do Proponente, que não figura em outros processos sancionadores
instaurados pela CVM, sugeriu o aprimoramento da proposta para a assunção de
obrigação pecuniária no valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), em parcela
única, em benefício do mercado de valores mobiliários, por intermédio do seu
órgão regulador.
16. Cumpre esclarecer que, devido ao fato de as decisões do Colegiado utilizadas
como elementos informativos pelo Comitê datarem do ano de 2014, e
consideradas as características da infração em tese de que se trata, o Comitê
elevou o valor praticado à época (R$ 200.000,00) até o montante de R$
300.000,00 (trezentos mil reais), de modo a permitir que a obrigação assumida
mantivesse o seu efeito desestimulador.
17. Em 05.02.2020, RAFAEL GARROTE apresentou nova proposta de Termo de
Compromisso na qual alegou (i) ter agido de boa-fé; (ii) gozar de reputação ilibada;
(iii) nunca ter sido acusado ou punido pela CVM “em mais de 10 anos que atua na
estruturação de operações no mercado”; (iv) não ter auferido vantagem
financeira; (v) que a quantia sugerida pelo Comitê seria “consideravelmente
exagerada”; (vi) “ausência de evidências de danos difusos ao mercado” e (vii) sua
“baixa capacidade econômica”, tendo, ao final, elevado sua proposta de Termo de
Compromisso para R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais).
18. Na reunião realizada em 11.02.2020[4], por não concordar com os argumentos
trazidos pelo PROPONENTE, o Comitê decidiu reiterar os termos da negociação
deliberada em 21.01.2020, e concedeu prazo até o dia 28.02.2020 para que o
PROPONENTE se manifestasse.
19. Tempestivamente, o PROPONENTE manifestou concordância com os termos
da contraproposta sugerida pelo Comitê.
DA DELIBERAÇÃO FINAL DO COMITÊ DE TERMO DE COMPROMISSO
Parecer do CTC 258 (0982568) SEI 19957.003514/2019-64 / pg. 5
20. O art. 86 da Instrução CVM nº 607/19 estabelece, além da oportunidade e da
conveniência, outros critérios a serem considerados quando da apreciação de
propostas de termo de compromisso, tais como a natureza e a gravidade das
infrações objeto do processo, a colaboração de boa-fé, os antecedentes dos
acusados e a efetiva possibilidade de punição no caso concreto.
21. Nesse tocante, há que se esclarecer que a análise do Comitê é pautada pelas
grandes circunstâncias que cercam o caso, não lhe competindo apreciar o mérito
e os argumentos próprios de defesa, sob pena de convolar-se o instituto de Termo
de Compromisso em verdadeiro julgamento antecipado. Em linha com orientação
do Colegiado, as propostas de termo de compromisso devem contemplar
obrigação que venha a surtir importante e visível efeito paradigmático junto aos
participantes do mercado de valores mobiliários, desestimulando práticas
semelhantes.
22. À luz do acima exposto, na reunião realizada em 03.03.2020, o CTC entendeu
que o caso em tela poderia ser encerrado por meio de Termo de Compromisso,
tendo em vista, em especial, (i) o disposto no art. 83 c/c o art. 86, caput, da
Instrução CVM n° 607/19; (ii) que os fatos aqui tratados são anteriores à
publicação da Lei nº 13.506, de 13.11.2017, (iii) o fato de a Autarquia já ter
celebrado Termos de Compromisso em casos de manifestação em período de
silêncio como, por exemplo, no PAS CVM RJ2013-11178 e no PAS CVM RJ2014/2046
(decisões do Colegiado, respectivamente, de 25.11.014 e 16.12.2014, disponíveis
e m http://www.cvm.gov.br/decisoes/2014/20141125_R1/20141125_D02.html e
http://www.cvm.gov.br/decisoes/2014/20141216_R1/20141216_D03.html); e (iv) o
histórico do Proponente, que não figura em outros processos sancionadores
instaurados pela CVM.
23. Assim, o Comitê considera que a aceitação da proposta de que se trata é
conveniente e oportuna, já que, após êxito na fundamentada negociação dos seus
termos pelo órgão, entende-se que o montante de R$ 300.000,00 (trezentos mil
reais) é suficiente para desestimular práticas semelhantes, em atendimento à
finalidade preventiva do instituto de que se cuida.
DA CONCLUSÃO
24. Em razão do acima exposto, o Comitê de Termo de Compromisso, em
deliberação eletrônica ocorrida em 03.03.2020[5], decidiu propor ao Colegiado da
CVM a ACEITAÇÃO da proposta de Termo de Compromisso apresentada por
RAFAEL FERREIRA GARROTE PAIVA.
[1] Não existem outros responsabilizados na peça acusatória.
[2]
Grifos não constam do original.
[3] Deliberado pelos membros titulares da SFI (atual SSR) e da SMI e pelos
substitutos da SGE e da SNC.
[4] Deliberado pelo titulares da SGE, SFI (atual SSR), SMI, SPS e pelo substituto da
SNC.
[5] Deliberado pelos membros titulares da SGE, SFI (atual SSR), SMI, SNC e SPS.
Documento assinado eletronicamente por Fernando Soares Vieira,
Parecer do CTC 258 (0982568) SEI 19957.003514/2019-64 / pg. 6
Superintendente, em 29/04/2020, às 11:21, com fundamento no art. 6º, §
1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Carlos Guilherme de Paula
Aguiar, Superintendente, em 29/04/2020, às 11:32, com fundamento no
art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Francisco José Bastos Santos,
Superintendente, em 29/04/2020, às 11:37, com fundamento no art. 6º, §
1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Vera Lucia Simões Alves
Pereira de Souza, Superintendente, em 29/04/2020, às 12:25, com
fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Paulo Roberto Gonçalves
Ferreira, Superintendente, em 29/04/2020, às 12:29, com fundamento
no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Andrea Araujo Alves de Souza,
Superintendente Geral Substituto, em 29/04/2020, às 14:35, com
fundamento no art. 6º, § 1º, do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
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