CVM · Colegiado · 29/10/2024
Governança corporativa
Decisão do Colegiado nº 19957.002134/2020-46
Inteiro teor
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APRECIAÇÃO DE PROPOSTA DE TERMO DE COMPROMISSO – PAS 19957.002134/2020-46
Trata-se de proposta conjunta de termo de compromisso apresentada por Atom Traders Publicações S.A. (“Atom”) e Barletta Consultoria Empresarial Ltda. (“Barletta Consultoria”), atual denominação de Paiffer Management Ltda., na qualidade de participantes do mercado, e por Ana Carolina Paifer (“Ana Paifer”) e José Joaquim Paifer (“José Paifer” e, em conjunto com os demais, “Proponentes”), na qualidade de diretores da Barletta Consultoria e da Atom, no âmbito de Processo Administrativo Sancionador (“PAS”) instaurado pela Superintendência de Processos Sancionadores – SPS, no qual não constam outros acusados. A SPS propôs a responsabilização dos Proponentes por suposta atuação como intermediário no mercado de valores mobiliários sem a devida autorização pela CVM, em infração, em tese, ao inciso III do art. 16 da Lei nº 6.385/1976 e ao art. 2º da então vigente Instrução CVM nº 505/2011. Após serem citados, os Proponentes apresentaram proposta conjunta para celebração de termo de compromisso, em que ofereceram pagar à CVM o valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais). Adicionalmente, com a finalidade de cessar a prática considerada ilícita, os Proponentes propuseram a implementação de ajustes no modelo de negócios, listados no item 23 do Parecer do Comitê de Termo de Compromisso (“Comitê”), visando permitir a continuidade da mesa proprietária sem as características que levaram a SPS a equiparar a atividade à intermediação. Em razão do disposto no art.
83 da Resolução CVM nº 45/2021 (“RCVM 45”), a Procuradoria Federal Especializada junto à CVM – PFE/CVM apreciou, à luz do art. 11, § 5º, incisos I e II, da Lei nº 6.385/1976, os aspectos legais da proposta apresentada, tendo opinado pela inexistência de óbice jurídico à celebração de termo de compromisso, exclusivamente no que toca aos requisitos legais pertinentes. Ademais, a PFE/CVM destacou que caberia ao Comitê, “ dentro de sua discricionariedade técnica, avaliar se os ajustes sugeridos pelos proponentes (...) se mostram necessários e suficientes para cessação das irregularidades apontadas ”. O Comitê, em 04.07.2023, tendo em vista o disposto no art. 83 c/c o art. 86, caput, da RCVM 45, entendeu que seria possível discutir a viabilidade de um ajuste para o encerramento antecipado do caso. Assim, diante das características que permeiam o caso concreto e considerando, em especial, (i) o disposto no art. 86, caput, da RCVM 45; (ii) o histórico dos Proponentes; (iii) o porte e a visibilidade de atuação da sociedade envolvida; e (iv) que a irregularidade, em tese, se enquadraria no Grupo V do Anexo A da RCVM 45, o Comitê propôs o aprimoramento da proposta apresentada, com assunção de obrigação pecuniária, em parcela única, no valor total de R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais), sendo: (a) R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) a serem pagos pela Atom; (b) R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) a serem pagos por Ana Paifer;
(c) R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) a serem pagos pela Barletta Consutoria; e (d) R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) a serem pagos por José Paifer. Adicionalmente, o Comitê destacou que os Proponentes deveriam apresentar documentação apta a comprovar que os ajustes propostos no modelo de negócios, com a finalidade de atender ao requisito legal que trata da cessação da prática considerada ilícita, foram implementados. Em 03.08.2023, os Proponentes apresentaram nova proposta no valor total de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), sendo: (i) R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) a serem pagos pela Atom; (ii) R$ 100.000,00 (cem mil reais) a serem pagos por Ana Paifer; (iii) R$ 100.000,00 (cem mil reais) a serem pagos pela Barletta Consutoria; e (iv) R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) a serem pagos por José Paifer. Em relação à apresentação da documentação apta a comprovar a cessação da prática considerada ilícita, foi informado que os Proponentes “ estão a poucos passos de corrigir a irregularidade que lhes foi imputada ”. Ao analisar a nova proposta apresentada, o Comitê decidiu reiterar, por seus próprios e jurídicos fundamentos, os termos da negociação deliberada em 04.07.2023. Em 29.08.2023, os Proponentes se manifestaram por manter os termos da nova proposta apresentada em 03.08.2023, no valor total de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Diante disso, tendo em vista o disposto no art. 83 c/c o art.
86, caput, da RCVM 45 e considerando, em especial, que o valor proposto ficou distante do que foi considerado como a contrapartida adequada e suficiente para o encerramento antecipado do caso, o Comitê decidiu opinar junto ao Colegiado pela rejeição da proposta apresentada. O Colegiado, por unanimidade, acompanhando o parecer do Comitê, deliberou rejeitar a proposta conjunta de termo de compromisso apresentada. Na sequência, o Presidente João Pedro Nascimento foi sorteado relator do processo. Anexos PARECER DO COMITÊ
APRECIAÇÃO DE PROPOSTA DE TERMO DE COMPROMISSO – PAS 19957.002134/2020-46
Trata-se de nova proposta conjunta de termo de compromisso apresentada por Atom Educação e Editora S.A. (“Atom”, atual denominação da Atom Traders Publicações S.A.), Barletta Consultoria Empresarial Ltda. (“Barletta Consultoria”, atual denominação de Paiffer Management Ltda.), Ana Carolina Paifer (“Ana Paifer”) e José Joaquim Paifer (“José Paifer” e, em conjunto com os demais, “Proponentes”), ambos na qualidade de diretores da Barletta Consultoria e da Atom à época dos fatos, no âmbito de Processo Administrativo Sancionador (“PAS”) instaurado pela Superintendência de Processos Sancionadores – SPS, no qual não constam outros acusados. A SPS propôs a responsabilização dos Proponentes por suposta atuação como intermediário no mercado de valores mobiliários sem a devida autorização, em infração, em tese, ao inciso III do art. 16 da Lei nº 6.385/1976 e ao art. 2º da então vigente Instrução CVM nº 505/2011. Após serem citados, os Proponentes apresentaram proposta conjunta para celebração de termo de compromisso, em que ofereceram pagar à CVM o valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais). Adicionalmente, com a finalidade de cessar a prática considerada ilícita, os Proponentes propuseram a implementação de ajustes no modelo de negócios, listados no item 23 do Parecer do Comitê de Termo de Compromisso n° 561 (“Comitê”), visando permitir a continuidade da mesa proprietária sem as características que levaram a SPS a equiparar a atividade à intermediação. Em razão do disposto no art.
83 da Resolução CVM nº 45/2021 (“RCVM 45”), a Procuradoria Federal Especializada junto à CVM – PFE/CVM apreciou, à luz do art. 11, § 5º, incisos I e II, da Lei nº 6.385/1976, os aspectos legais da proposta apresentada, tendo opinado pela inexistência de óbice jurídico à celebração de termo de compromisso. Ademais, a PFE/CVM destacou que caberia ao Comitê, “ dentro de sua discricionariedade técnica, avaliar se os ajustes sugeridos pelos proponentes (...) se mostram necessários e suficientes para cessação das irregularidades apontadas ”. Naquela ocasião, o Comitê propôs o aprimoramento da proposta apresentada, com assunção de obrigação pecuniária, em parcela única, no valor total de R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais), sendo: (a) R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) a serem pagos pela Atom; (b) R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) a serem pagos por Ana Paifer; (c) R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) a serem pagos pela Barletta Consultoria; e (d) R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) a serem pagos por José Paifer. Adicionalmente, o Comitê destacou que os Proponentes deveriam apresentar documentação apta a comprovar que os ajustes propostos no modelo de negócios, com a finalidade de atender ao requisito legal que trata da cessação da prática considerada ilícita, foram implementados.
Diante da negativa dos Proponentes quanto à proposta do Comitê, e considerando, em especial, que o valor proposto pelos Proponentes ficou distante do que foi considerado como a contrapartida adequada e suficiente para o encerramento antecipado do caso, o Comitê opinou junto ao Colegiado pela rejeição da proposta apresentada. Na sequência, em Reunião de 14.11.2023 , o Colegiado deliberou rejeitar a proposta conjunta de termo de compromisso apresentada pelos Proponentes. Em 07.03.2024, os Proponentes apresentaram nova proposta para celebração de termo de compromisso, no valor antes proposto pelo Comitê de R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais), em 6 (seis) parcelas mensais, sendo: (a) R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) a serem pagos pela Atom; (b) R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) a serem pagos por Ana Paifer; (c) R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) a serem pagos pela Barletta Consultoria; e (d) R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) a serem pagos por José Paifer. Adicionalmente, e em linha com o que foi apresentado na proposta anterior, e considerando o compromisso pretendido de acatar as orientações emanadas da CVM e cumprir fielmente as normas legais e infralegais que regem o funcionamento do mercado de valores mobiliários, os Proponentes detalharam os ajustes que foram realizados no Contrato de Prestação de Serviços e no Regulamento da mesa proprietária a fim de:
(a) eliminar o direito de regresso, o “diferencial de corretagem” e a possibilidade de contratação de novo limite; e (b) ajustar o Scaling Plan . Além disso, informaram sobre a inclusão de disclaimer , em página na Internet, de que a Atom não presta serviços de intermediação de operações com valores mobiliários e nem está autorizada pela CVM a prestar tais serviços. Ao se manifestar sobre a documentação apresentada na nova proposta, a SPS entendeu que, “ da forma como se apresenta o modelo de negócio da Atom trazido na presente proposta, não se encontram presentes indícios de que, em tese, persistam as irregularidades identificadas no curso dos processos pré sancionadores que foram objeto do presente PAS. ”. Ao analisar a nova proposta, o Comitê entendeu que seria possível discutir a viabilidade de um ajuste para o encerramento antecipado do caso, tendo em vista: (a) o disposto no art. 83 c/c o art. 86, caput, da RCVM 45; e (b) o fato de já ter havido negociação anterior com os Proponentes no âmbito deste PAS. Assim, e considerando, em especial: (a) o disposto no art. 86, caput, da RCVM 45; (b) que a irregularidade, em tese, enquadra-se no Grupo V do Anexo A da RCVM 45; (c) o porte e a visibilidade de atuação da sociedade envolvida; (d) o histórico dos Proponentes; e (e) o fato de já ter sido oferecida aos Proponentes a oportunidade de encerramento antecipado do caso em tela pelo valor então proposto, o Comitê propôs o aprimoramento da proposta apresentada da seguinte forma:
(a) Obrigação de Fazer: apresentar, no prazo de 90 (noventa) dias a contar da publicação do Termo de Compromisso na seção “Diário Eletrônico” da página da CVM na rede mundial de computadores, relatório emitido por auditor independente registrado na CVM atestando que os ajustes propostos no modelo de negócios estão sendo implementados pela sociedade; e (b) Obrigação Pecuniária: assunção de obrigação pecuniária, em 3 (três) parcelas mensais, iguais e consecutivas, atualizadas monetariamente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, no valor total de R$ 3.630.000,00 (três milhões e seiscentos e trinta mil reais), sendo: (b.i) R$ 1.100.000,00 (um milhão e cem mil reais) a serem pagos pela Atom; (b.ii) R$ 550.000,00 (quinhentos e cinquenta mil reais) a serem pagos por Ana Paifer; (b.iii) R$ 1.320.000,00 (um milhão e trezentos e vinte mil reais) a serem pagos por Barletta Consultoria; e (b.iv) R$ 660.000,00 (seiscentos e sessenta mil reais) a serem pagos por José Paifer; Em 12.09.2024, Atom, Ana Paifer e José Paifer apresentaram manifestação concordando com a obrigação de fazer e as obrigações pecuniárias propostas pelo Comitê. Na mesma ocasião, foi formalizada a desistência da Barletta Consultoria, que informou que não desejava mais prosseguir com proposta de celebração do ajuste.
Diante da noticiada desistência da Barletta Consultoria, o Comitê, em reunião realizada em 17.09.2024, e por entender que não seria conveniente e oportuno no presente caso celebrar termo de compromisso com apenas parte dos proponentes originais, decidiu opinar junto ao Colegiado pela rejeição da proposta apresentada por Atom, Ana Paifer e Joaquim Paifer. Em 20.09.2024, foi apresentado novo expediente com informação de que a Barletta Consultoria havia reconsiderado sua decisão e manifestação dos Proponentes de plena aceitação da proposta do Comitê acima referida. Assim, o Comitê entendeu que a celebração do termo de compromisso seria conveniente e oportuna, considerando as contrapartidas adequadas e suficientes para desestimular práticas semelhantes, em atendimento à finalidade preventiva do instituto, razão pela qual sugeriu ao Colegiado da CVM a aceitação da proposta apresentada pelos Proponentes. O Colegiado, por unanimidade, deliberou aceitar a proposta conjunta de termo de compromisso apresentada, acompanhando o parecer do Comitê de Termo de Compromisso. Na sequência, o Colegiado, determinando que o pagamento será condição do termo de compromisso, fixou os seguintes prazos: (a) dez dias úteis para a assinatura do termo de compromisso, contados da comunicação da presente decisão aos Proponentes; e (b) a contar da publicação do termo de compromisso no “Diário Eletrônico” da CVM, nos termos do art.
91 da RCVM 45, (i) dez dias úteis para o pagamento da primeira parcela da obrigação pecuniária assumida pelos Proponentes, e o saldo em duas parcelas mensais, iguais e sucessivas, corrigidas pela variação do IPCA a partir da data de vencimento da primeira parcela; e (ii) noventa dias para apresentar relatório emitido por auditor independente registrado na CVM atestando que os ajustes propostos no modelo de negócios estão sendo implementados pela sociedade. A Superintendência Administrativo-Financeira – SAD foi designada responsável por atestar o cumprimento das obrigações pecuniárias assumidas e a SPS, responsável por atestar o cumprimento da obrigação de fazer. Por fim, o Colegiado determinou que, uma vez cumpridas as obrigações pactuadas, conforme atestado pela SAD e pela SPS, o processo seja definitivamente arquivado em relação aos Proponentes. Anexos PARECER DO COMITÊ
Parecer do Comitê
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
PARECER DO COMITÊ DE TERMO DE COMPROMISSO
PROCESSO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR CVM 19957.002134/2020-46
SUMÁRIO
PROPONENTES:
ATOM TRADERS PUBLICAÇÕES S.A.
ANA CAROLINA PAIFER
BARLETTA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. (atual denominação de PAIFFER MANAGEMENT LTDA.)
JOSÉ JOAQUIM PAIFER
ACUSAÇÃO:
Atuar como intermediário no mercado de valores mobiliários sem autorização para tal, em infração,
[1]
em tese, ao inciso III do art. 16 da Lei nº 6.385/76 e ao art. 2º da então aplicável Instrução CVM nº
[2]
505 (“ICVM 505”) .
PROPOSTA:
OBRIGAÇÃO PECUNIÁRIA: Pagar à CVM o valor total de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), em
parcela única, a ser dividido da seguinte forma:
R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) a serem pagos pela ATOM TRADERS PUBLICAÇÕES
S.A.;
R$ 100.000 (cem mil reais) a serem pagos por ANA CAROLINA PAIFER;
R$ 100.000 (cem mil reais) a serem pagos pela BARLETTA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA.; e
R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) a serem pagos por JOSÉ JOAQUIM PAIFER;
OBRIGAÇÃO DE FAZER: Implementar os seguintes ajustes no modelo de negócios, de forma a
permitir a continuidade da mesa proprietária sem as características que levaram à SPS a equiparar a
atividade à intermediação:
(i) ELIMINAÇÃO DO DIREITO DE REGRESSO: o modelo de Contrato de Prestação de Serviços
firmado com os traders será alterado para suprimir a cláusula que confere à Atom o direito
de obter o ressarcimento por perdas superiores ao limite operacional de cada trader. No
lugar dessa cláusula, figurará cláusula que obriga o trader a indenizar a Atom caso as
operações por ele realizadas configurem hipóteses de prática abusiva, assim entendidas as
condutas descritas na Resolução CVM nº 62/2022;
(ii) ELIMINAÇÃO DO CHAMADO “DIFERENCIAL DE CORRETAGEM”: a Atom se compromete a
[deixar de repassar aos traders o montante referente ao repasse de corretagem cobrada
pela [Corretora] ou qualquer outra instituição intermediária contratada para intermediar as
operações da mesa proprietária da Atom].
Será mantido inalterado o repasse das demais despesas repassadas aos traders sob a
[3]
rubrica “Custos de OMS ;
(iii) ELIMINAÇÃO DA POSSIBILIDADE DE CONTRATAÇÃO DE NOVO LIMITE: os Proponentes se
comprometem a extinguir o chamado “Atom Direct” e a não permitir, a qualquer título, a
reconstituição do limite de perdas mediante pagamento do trader.
A Atom somente permitirá que um trader que tenha atingido o limite de perdas seja
reintegrado à mesa proprietária caso ele se submeta a novo treinamento. A Atom se
compromete a elaborar programa de reciclagem para o trader que desejar reingressar na
mesa proprietária, com custo não superior a 50% (cinquenta por cento) do valor cobrado
pelo curso básico de instrução para novos investidores; e
(iv) AJUSTE NO SCALING PLAN: de modo a eliminar o problema suscitado pela acusação no
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 1
[4]
item 184, III, do Relatório SPS , os PROPONENTES sugerem alterar a forma como se dá o
aumento do limite do trader e sua evolução no scaling plan, de forma que a evolução do
trader se dê apenas com base no ganho gerado para a mesa proprietária, ficando claro,
assim, que o risco das operações é da mesa proprietária, e não do trader.
Além dos ajustes acima relacionados, os PROPONENTES sugeriram também incluir os
seguintes dizeres em sua página na internet e materiais publicitários pertinentes.
A Atom Traders não presta serviços de intermediação de operações com valores
mobiliários e não está autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários a prestar tais
serviços. Os cursos e materiais didáticos fornecidos pela Atom Traders têm por
finalidade ensinar técnicas para realização de operações no mercado de bolsa, não
sendo possível assegurar que o adquirente de tais produtos obterá ganhos em suas
operações.
A mesa proprietária da Atom se destina a permitir que os traders que forem
aprovados na avaliação ministrada pela Atom Traders realizem operações com
recursos da empresa, até o limite fixado, de acordo com o “Scaling Plan”. Caso as
perdas decorrentes das operações com o trader alcancem o limite estabelecido, ele
deixará de integrar a mesa proprietária. Caso o trader deseje reingressar na mesa
proprietária, ele deverá se submeter ao curso de reciclagem ministrado pela Atom
Traders.”
PARECER DA PFE:
SEM ÓBICE
PARECER DO COMITÊ:
REJEIÇÃO
PARECER DO COMITÊ DE TERMO DE COMPROMISSO
PROCESSO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR CVM 19957.002134/2020-46
PARECER TÉCNICO
1. Trata-se de proposta de Termo de Compromisso apresentada por ATOM TRADERS PUBLICAÇÕES S.A.
(doravante denominada “ATOM”), na qualidade de participante do mercado, por BARLETTA CONSULTORIA
EMPRESARIAL LTDA. (atual denominação de PAIFFER MANAGEMENT LTDA., doravante denominada
“BARLETTA CONSULTORIA”), na qualidade de participante do mercado, por ANA CAROLINA PAIFER
(doravante denominada “ANA PAIFER”), na qualidade de Diretora da BARLETTA CONSULTORIA e da ATOM e
por JOSÉ JOAQUIM PAIFER (doravante denominado “ JOSÉ PAIFER”), na qualidade de Diretor da BARLETTA
CONSULTORIA e da ATOM, no âmbito de Processo Administrativo Sancionador (“PAS”) instaurado pela
Superintendência de Processos Sancionadores (“SPS”), no qual não constam outros acusados.
[5]
DA ORIGEM
2. O processo teve origem em proposta de instauração de inquérito feita pela Superintendência de Relações
com o Mercado e Intermediários (“SMI”) após análise de (a) inspeção realizada pela Superintendência de
Supervisão de Riscos Estratégicos (“SSR”), no âmbito da qual foram reunidos indícios de atuação irregular
[6]
como intermediário no mercado de valores mobiliários, por parte de empresas do Grupo Atom , ao
prestarem serviço remunerado de investimento dos recursos da mesa proprietária, e (b) consultas e
reclamações de pessoas naturais e participantes do mercado que questionavam a atuação do Grupo Atom
ao oferecer curso educacional visando à capacitação de traders com oportunidade de operar em sua mesa
proprietária.
DOS FATOS
DA INSPEÇÃO CONDUZIDA PELA SSR
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 2
3. A inspeção realizada nas empresas do Grupo Atom ocorreu no período de 11/10/2018 a 12/7/2019.
Inicialmente, foi verificado que os negócios com valores mobiliários em nome do grupo eram executados por
[7]
meio da mesa proprietária da W. Participações e de sua controlada BARLETTA CONSULTORIA . A partir de
meados de 2018, as operações de mesa proprietária foram migradas da BARLETTA CONSULTORIA para a
ATOM.
4. Entre os indícios de atuação irregular como intermediário de negócios com valores mobiliários levantados
[8]
pela inspeção , foram destacados os seguintes:
a ) a ATOM era responsável pelo controle de acesso dos traders às contas vinculadas no sistema
[9]
ProfitPro/ProfitPlus, contratado de Empresa de Software, que se conectava ao acesso DMA patrocinado
[10]
pela Corretora ;
b) a ATOM era responsável por estabelecer limites individuais de operação, ou seja, o volume máximo diário
[11]
que poderia ser movimentado nas subcontas dos traders, e os limites individuais de risco, referentes ao
valor da perda diária permitida para cada trader;
c) a ATOM era também responsável por apurar os saldos e resultados acumulados obtidos pelos traders;
[12]
d) o “scaling plan” da ATOM permitia um controle de risco pela mesa que eliminava qualquer exposição
de seu capital às operações cursadas pelos traders, com exceção dos traders inicialmente alocados na
[13]
primeira faixa de saldo acumulado , tendo em vista que:
(i) à exceção da primeira faixa, os limites operacionais e de risco individuais de cada trader estavam
diretamente relacionados aos saldos acumulados em cada subconta, oriundos dos resultados obtidos
com as operações; e
(ii) a ATOM repassava aos traders parte dos eventuais resultados positivos obtidos por eles e esse valor
era escalonado de forma crescente, proporcionalmente às faixas de saldos acumulados;
e) adicionalmente, a ATOM cobrava contratualmente dos traders eventuais prejuízos advindos de suas
[14]
operações, situação que seria análoga a de clientes de corretoras com saldo negativo em suas contas ;
f) em algumas modalidades de contratação, supostamente, os traders poderiam aportar recursos próprios
[15]
em suas subcontas na ATOM, para alavancar os volumes e limites com que poderiam operar na mesa ; e
[16]
g) as operações realizadas pelos traders geravam um ganho diferencial de corretagem para a ATOM, em
alguns casos, superiores aos próprios ganhos obtidos pela Corretora contratada:
(i) por exemplo, em contratos de juros futuros DI, a ATOM cobrava R$ 2,00 por contrato negociado pelos
traders e repassava R$ 0,50 à Corretora por essa operação, o que corresponde a um ganho diferencial
de 3 vezes em cima da corretagem.
DAS CONSULTAS E RECLAMAÇÕES SOBRE A ATUAÇÃO DO GRUPO ATOM
5. Em relação às consultas e reclamações de pessoas que alegaram ter atuado ou tentado atuar na mesa
proprietária da ATOM, a SPS destacou que as manifestações apresentadas reforçaram a caracterização de
atuação irregular como intermediário no mercado de valores mobiliários, acrescendo-se aos indícios colhidos
pela equipe de inspeção. Dentre os relatos apresentados, destacou-se o seguinte:
a) “[a ATOM estaria] oferecendo ao público em geral a possibilidade de se tornar um profissional (trader)...
para trabalhar com o capital da mesma. Porém, para que isso ocorra, disponibiliza pacotes com cursos para
os interessados a uma média de R$ 200,00; em paralelo, intensiva o recrutamento em massa de novos
[17]
participantes” ;
b) “o simulador que eles usam é muito instável e várias vezes fui eliminado devido a problemas no
simulador (...) toda vez que entramos em contato, sempre [a ATOM alega que] o problema é no computador
ou rede do usuário. E sempre que é eliminado, você tem que comprar o curso (simulador) novamente. Nesta
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 3
[18]
expectativa de me tornar trader, adquiri 16 vezes o curso (algumas versões) e sempre fui eliminado” ;
c) “a empresa Atom constantemente, antes, durante e depois [d]a contratação dos planos avaliativos para
entrar na empresa, prometia resultados inalcançáveis, pois a Bolsa contém risco, portanto, não é garantia
que vai lucrar os valores prometidos por eles; nisso, fui exposta a grande constrangimento moral, psíquico e
material, pois acabei dando dinheiro para eles, pois para entrar na mesa proprietária deles, a gente tem que
[19]
pagar R$ 1.500,00” ;
d) “[a ATOM] diz que a gente opera o dinheiro deles, sendo que eu pago R$ 1.500,00 [para operar na mesa
da ATOM]”;
e) “depois, fui descobrir que se colocar R$ 500,00 em uma corretora, a pessoa física pode operar 2
minicontratos, por causa da alavancagem que a corretora dá, de 50 vezes”; e
f) “[na ATOM] a gente paga R$ 1.500,00 para ter somente R$ 1.000,00 de limite e eles pegam esses R$
500,00 que sobram; se fosse pagar esse valor em uma corretora, a pessoa física poderia operar com 6
minicontratos com R$ 1.500,00, [mas] na mesa da Atom, a pessoa fica com R$ 1.000,00 [de limite],
operando 5 minicontratos”.
6. Além das reclamações acima referidas, houve também uma denúncia feita por uma corretora sobre
suposta intermediação irregular de operações no mercado de valores mobiliários realizada por diversas
mesas proprietárias, mencionando-se, entre outras, a atuação do Grupo Atom. De acordo com a
denunciante, as mesas proprietárias ofereceriam custos operacionais menores aos investidores, o que
[20]
geraria uma “competição desequilibrada” .
DAS APURAÇÕES REALIZADAS NO ÂMBITO DO INQUÉRITO ADMINISTRATIVO
Das declarações de traders que operaram na mesa proprietária
7. A fim de obter informações mais detalhadas sobre a operação da mesa proprietária da ATOM, a SPS
solicitou esclarecimentos adicionais de 6 (seis) pessoas naturais que atuaram como traders no mesmo
período em que ocorreu a inspeção nas empresas do grupo.
8. Tais pessoas foram selecionadas para se manifestar, pois geraram as maiores receitas ao grupo entre o
segundo trimestre de 2017 e o terceiro trimestre de 2018, ou seja, foram as que mais desembolsaram com
a aquisição de produtos oferecidos pela ATOM no período analisado e efetivamente integraram a mesa
proprietária, ao conseguirem ultrapassar a fase educacional prévia.
[21]
9. Após analisar as declarações dos traders , a SPS apresentou as seguintes considerações:
a) em relação ao perfil dos traders e conhecimento prévio sobre o mercado de valores mobiliários:
(i) foi possível identificar que os investidores que procuravam a ATOM eram profissionais alheios ao
mercado financeiro, com conhecimento nulo ou de nível introdutório sobre o mercado de capitais, e que
desejavam aprender a operar nesse mercado; e
(ii) para isso, buscavam informações indistintamente pela Internet e encontravam a ATOM pelas redes
sociais ou pelo canal da companhia na plataforma Youtube;
b) foi possível identificar também que a motivação para que os investidores iniciassem o relacionamento
comercial com a ATOM estava relacionada com o posicionamento do grupo na Internet, que atraía as
pessoas com promessas de que seriam ensinadas a “extrair o máximo” do mercado e “operar com
[22]
consistência” ;
c) não foi possível aferir a qualidade dos serviços educacionais prestados pela ATOM, tendo em vista que,
embora todos tenham relatado fracasso ao operar na mesa proprietária, vários traders reconheceram algum
nível de valor nas informações veiculadas pelos cursos oferecidos;
d) em relação ao funcionamento da mesa proprietária e acompanhamento das operações, foram destacadas
as seguintes afirmações feitas pelos traders:
(i) “um dos planos que me interessei foi o ‘Black Swan’, pois permitia parcelamento do plano e um
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 4
limite suficiente para que eu pudesse operar, pagar as mensalidades e me sustentar (...) os resultados
de minhas operações ficavam visualizáveis na própria plataforma da Atom”;
(ii) “as operações eram feitas através da plataforma Profitchart da [Empresa de Software] (...) eles
[ATOM] nos encaminhavam um relatório mensal dos valores e limites disponíveis para cada um de nós
[traders]”;
(iii) “era possível visualizar os relatórios de performance pela própria plataforma”;
(iv) “a plataforma é como um robô, você tem que ganhar mais do que perder, pois os ganhos, além de
terem que ser maiores que perdas, ainda se desconta dos ganhos todos os impostos, emolumentos,
plataforma, valor por cada trader, etc. (...) a plataforma é muito autoexplicativa, no que tange a ganhos
e perdas, e se acompanha a todo momento. No entanto, não consegui, quando cheguei a atuar na
mesa real (mesa proprietária da Atom). Depois vi, quando perdi, que somente poderia voltar a atuar na
mesa proprietária se fizesse novo aporte financeiro”; e
(v) “as ordens eram transmitidas por plataforma de negociação (...) acompanhava o resultado das
operações realizadas por meio da mesa proprietária da Atom por e-mail, poderia solicitar uma consulta
de saldo ou eles [ATOM] avisavam”;
e) foi possível verificar que os extratos emitidos pela ATOM aos traders continham o logotipo da companhia,
a movimentação diária da conta e discriminação, em coluna apartada, da cobrança de corretagem;
f) em relação ao ressarcimento de perdas causadas pelas operações dos traders, foram destacadas as
seguintes declarações feitas pelos traders:
(i) “se eu ultrapassasse o limite contratado como perda, eu ficava bloqueado para operar na mesa. Se
eu desejasse voltar a operar, eu tinha que fazer um crédito para a ATOM e assim, voltaria a ter o limite
de operações na plataforma liberado. Não me recordo os valores, porém o crédito não era igual ao
limite perdido”;
(ii) ao ser questionado sobre a realização de eventuais aportes de recursos próprios para operar na
mesa, um dos declarantes afirmou que “não, apenas repunha os prejuízos até o limite contratado”;
(iii) “se acontecesse de termos perdas além dos limites estabelecidos, precisaríamos pagar o valor
excedido pra Atom. Isso era feito através de um depósito na conta deles. Só após isso, poderíamos
voltar a operar”;
(iv) ao ser questionado se havia a necessidade de ressarcimento por parte dos traders a eventuais
perdas nas operações, um dos declarantes afirmou que “não exatamente. Passando em um plano de
avaliação (pago) ou adquirindo alguma outra modalidade de acesso direto à mesa real como o ‘Black
Swan’, o trader ganhava um limite de contratos para operar, com um limite de perda total préestabelecido. Caso o trader atingisse o limite de perdas, tinha a opção de não operar mais na mesa
real”;
(v) “todas perdas geradas pelas operações faziam com que zerasse a plataforma e você não podia mais
atuar na plataforma, era fechada para sua atuação, e somente aberta com o aporte financeiro das
perdas geradas”; e
(vi) “os prejuízos eram ressarcidos à Atom. Enviavam um e-mail com link e, ao clicar, gerava um boleto.
Por exemplo, de quinhentos reais, mil ou dois mil reais”;
g) em relação à avaliação após o uso dos serviços do Grupo Atom pelos traders e ao encerramento do
relacionamento, foram destacadas as seguintes declarações:
(i) “como só acumulei prejuízos nas operações que realizei pela ATOM, fui bloqueado e chegou um
momento em que não possuía condições financeiras de continuar operando. Desisti (...) fiquei
desapontado por não ter tido êxito com a ATOM, pois me foi apresentado um case de sucesso como
trader que dependeria de apenas segui-los (passos dos cursos e orientações dos operadores da ATOM),
para eu ter sucesso nas operações. Na prática, não obtive o sucesso e nem consegui me manter no
sistema”;
(ii) “a princípio, pensei que ter alguém te acompanhando e orientando seria bom (...) com o tempo, vi
que a ajuda oferecida era a mesma que eu teria se estivesse sozinho. Só demoraria um pouco mais
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para chegar às mesmas informações”;
(iii) “estava utilizando meus recursos da rescisão do meu último contrato de trabalho para tentar fazer
prosperar nesta nova atividade. Durante o período, me dediquei somente a operar e aprender o
máximo possível sobre o mercado de valores mobiliários. Hoje em dia eu trabalho CLT novamente e
opero diretamente por uma corretora na medida do possível”;
(iv) “fiz uma nova reflexão de tudo, das perdas, ganhos devolvidos, retiradas de valores de plataforma,
emolumentos, valores dos trades, etc., que mesmo ganhando, os ganhos seriam pequenos, e muitas
vezes, não compensariam (...) depois de muitas perdas e reflexão profunda, cheguei à conclusão que
era muita propaganda, muita tentativa de lavagem cerebral e condução do cliente, e resolvi parar”;
(v) “em minha visão, equivocada, realizar operações no mercado de valores mobiliários pela Atom ao
invés de uma corretora teria a vantagem de, no início, por não saber como fazer, ter acompanhamento
de alguém com experiência de mercado, que pegava em um gráfico de preços, traçava algumas linhas
de suporte e resistência e dizia se o preço [iria] se deslocar para tal lado no determinado valor ou
próximo, nós vamos comprar ou vamos vender. Eu não sabia como fazer e o Joaquim Paiffer mostrava o
jeito que deveria ser feito, às vezes dava certo e às vezes não”; e
(vi) “encerrei o relacionamento comercial com a Atom em setembro de 2018. Estava sempre no
negativo o saldo, enviava dinheiro para repor o prejuízo e [arcar] com a cobrança mensal da
plataforma; tentava fazer operação, tinha prejuízo, a conta bloqueava; dessa forma, mês após mês,
perdi a esperança. Quando chegou em setembro de 2018, eu devia um pouco mais de mil reais, paguei
e não fiz mais nenhuma operação pela Atom”.
Das declarações dos diretores do Grupo Atom
[23]
10. Instados a se manifestar, os sócios e diretores do Grupo Atom (“Diretoria”), apresentaram, em
30/4/2021, resposta conjunta aos questionamentos da Área Técnica. Posteriormente, em 16/12/2021, ANA
PAIFER prestou depoimento à CVM com informações e esclarecimentos adicionais.
11. Em relação às atribuições dos diretores do Grupo Atom, a SPS destacou as seguintes informações e
declarações obtidas a partir das manifestações colhidas junto aos investigados:
a) ANA PAIFER atuou como Diretora da BARLETTA CONSULTORIA no período de 31/3/2009 a 23/7/2018 e
atua como Diretora da ATOM desde 30/10/2015, além de exercer outros cargos, desde 2013, em outras
empresas do grupo;
b) com relação às suas atribuições, ANA PAIFER declarou: “como fundadora das empresas, as atribuições
sempre foram a nível estratégico em todas elas, como por exemplo, responsável pela estratégia de
marketing e vendas, criação de produtos e serviços, desenvolvimento de estratégias de posicionamento no
mercado, além de produtora de conteúdo, mentora e instrutora em diversos materiais didáticos da
Companhia”;
c) JOSÉ PAIFER atuou como Diretor da BARLETTA CONSULTORIA no período de 31/3/2009 a 23/7/2018 e atua
como Diretor da ATOM desde 30/10/2015, além de exercer outros cargos, desde 2013, em outras empresas
do Grupo;
d) com relação às suas atribuições, JOSÉ PAIFER declarou: “como fundador das empresas, as atribuições
sempre foram a nível estratégico em todas elas, como por exemplo, responsável pela criação de produtos e
serviços, desenvolvimento de estratégias de mercado, além de produtor de conteúdo, mentor e instrutor em
diversos materiais didáticos da Companhia”;
e) a respeito do modelo de negócios implementado pelo grupo, a Diretoria informou que:
(i) a ATOM e a sua controladora “atuam com atividades educacionais e de tesouraria, com foco na
realização de operações no mercado de bolsa”;
(ii) “a atividade de tesouraria consiste, preponderantemente, na manutenção de uma mesa proprietária
de negociação com valores mobiliários, por meio da qual também são realizados negócios de day trade
no mercado bursátil por meio de prestadores de serviços contratados pela Companhia (“traders”), que
se submetem previamente a um rigoroso processo de avaliação, sendo então selecionados para que
operem com recursos da própria Companhia, dentro de limites operacionais pré-determinados”; e
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f) em relação à responsabilidade pela atividade de tesouraria, foi constatado que a estrutura societária do
[24]
grupo não previa a figura de um diretor com designação específica responsável pela mesa proprietária .
12. Em relação às atividades da área educacional, a SPS destacou as seguintes declarações:
a) feitas pela Diretoria, inicialmente:
(i) “a linha de negócios referente às atividades educacionais da Companhia consiste na oferta de cursos
e produção de conteúdo didático com a finalidade de proporcionar aos investidores o ferramental básico
para realização de operações no mercado de bolsa”;
(ii) “em sua atividade educacional, a venda de material didático e cursos consiste numa prestação de
serviços ao público em geral (ou seja, o aluno é nosso cliente)”; e
(iii) “a receita educacional da Companhia composta por cursos focados de operações de day trade
representam apenas 10%, aproximadamente, da receita originada de suas atividades educacionais nos
últimos 4 anos. Os cursos desenvolvidos pela Companhia possuem conteúdo bastante diversificado”.
b) feitas por ANA PAIFER em depoimento:
(i) “a gente viu a necessidade de criar o sistema educacional por não encontrar tantos profissionais
para trabalhar com a gente”;
(ii) “quando a gente decidiu montar o sistema educacional porque não encontrava esses bons
profissionais, a gente teve um aumento significativo no número de alunos passando para a mesa
proprietária. Não é obrigatório, o sistema de avaliação é independente do sistema educacional”; e
(iii) “Hoje, a área educacional tomou corpo e é muito maior que a finalidade de contratação pela própria
Atom”.
13. Em relação ao funcionamento da mesa proprietária e à atratividade desse modelo de negócio aos
clientes, a SPS destacou as seguintes declarações feitas pela Diretoria:
a) “a Companhia atua em nome próprio, utilizando apenas seus próprios recursos nas operações realizadas
pelos traders, colaboradores contratados pela Companhia, nos termos e condições do respectivo contrato de
prestação de serviços”;
b) “as vantagens de se operar por meio de uma mesa proprietária como a da Atom são muitas. Em primeiro
lugar, o trader não compromete seu patrimônio pessoal nas operações que ele realiza, não sendo sequer
necessário aportar garantias junto à instituição intermediária contratada pela Atom para realizar as
operações. Adicionalmente, a mesa proprietária proporciona ao trader um ambiente controlado onde ele
pode realizar operações, de acordo com a filosofia da Atom, com auxílio de um excelente sistema de
gerenciamento de risco, ao qual a Atom dedicou especial atenção, por ser um elemento de fundamental
importância para o sucesso de sua atividade”;
c) “o apelo do modelo de negócios para os traders reside na centralização, pela Atom, de todos os controles
e o acompanhamento das operações aos traders, que contam com um ambiente seguro e dotados de
maiores facilidades para realizarem suas operações” (grifado pela SPS); e
d) “a passagem pela mesa proprietária da Atom é vista como uma etapa de aprendizagem necessária antes
de decidirem operar por conta própria, pois lhes permite adquirir confiança e conhecimentos imprescindíveis
para obter bons resultados com suas operações”.
14. Em relação ao processo avaliativo para ingressar à mesa proprietária, a SPS destacou algumas
declarações obtidas junto aos investigados, apresentou informações adicionais colhidas sobre os planos
avaliativos da ATOM e fez uma análise sobre a suposta gratuidade dos limites iniciais concedidos aos
traders, manifestando-se, em resumo, da seguinte forma:
a) ANA PAIFER prestou as seguintes declarações sobre o assunto:
(i) “a gente conseguiu criar um sistema de avaliação onde essas pessoas poderiam testar se elas
realmente estavam aptas ou não a operar com o nosso capital e aí a gente desenvolveu toda uma
estatística por trás disso; são no mínimo 5 dias de operações, para que o trader ou a pessoa que esteja
sendo avaliada, não seja por sorte, tenha escolhido um lado bom do mercado naquele dia e tenha a
ilusão de que é um bom operador; são no mínimo 5 dias e no máximo 30 dias que a pessoa tem para
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ser avaliada. Dentro desse prazo, ela tem uma meta de ganho, que ela precisa atingir, dentro dos
critérios, respeitando as quantidades de ações ou de contratos futuros que ela operar; a gente tem três
sistemas de avaliação: juros futuros – mercado de DI, mercado de ações e mercado de dólar e índice. A
pessoa que está sendo avaliada pode escolher em qual desses mercados ela quer operar e a
quantidade que ela pode operar. Respeitando a quantidade, batendo a meta e respeitando os limites de
perda, esta pessoa está aprovada. Isso fez com que a gente pudesse aumentar o número de pessoas
dentro do nosso time, que era sempre o objetivo”;
(ii) a avaliação é paga e, caso o aluno tenha adquirido determinados cursos preparatórios, ele pode
fazê-la sem custo adicional: “... o [curso] ‘take profit’ tem como finalidade levar o aluno para a
avaliação, que é o nosso objetivo de trazer mais profissionais para o nosso time”;
(iii) “o ingresso é muito rápido, temos cases de alunos que em 30 dias entraram para o nosso time, em
dois meses, um tempo bem rápido, e fizeram um único curso. E tem pessoas que fizeram mais de um
curso e nunca ingressaram porque não têm interesse”; e
(iv) “70% dos nossos alunos não fizeram a avaliação e tem a opção de fazer a avaliação”;
b) de acordo com essas informações, é possível concluir que, para cada aluno que efetivamente faz a
avaliação para integrar a mesa, há, pelo menos, outros dois alunos que adquiriram o direito de serem
avaliados, mas que, por algum motivo, não fazem a avaliação;
[25]
c) os seguintes planos avaliativos eram disponibilizados pelo Grupo Atom :
(i) plano “Plus 3.0” pelo valor de R$ 980,04 (12 parcelas de R$ 81,67), contando com limite de perda
máxima no valor de R$ 1.500,00; e
(ii) plano “Max 3.0” pelo valor R$ 1.200,00 (12 parcelas de R$ 120,00), contando com limite de perda
máxima de R$ 2.000,00;
d) antes da aprovação, tais limites são aplicados em operações simuladas na plataforma desenvolvida pelo
grupo;
e) caso o aluno seja aprovado na avaliação e ingresse na mesa, é concedido limite inicial no valor de R$
1.001,00 para o trader que tenha adquirido o plano Plus 3.0, e de R$ 1.501,00, para aqueles que adquiriram
o plano Max 3.0, conforme estabelecido no “scaling plan” da companhia;
f ) há que se discutir a argumentação dos investigados de que os limites iniciais são concedidos
gratuitamente aos traders e constituem o capital da mesa:
(i) levando em conta a informação de que 70% dos alunos não fazem a avaliação e considerando o
plano Plus 3.0, para cada avaliação bem-sucedida, que resulta na geração de um limite inicial
concedido no valor de R$ 1.001,00, seria gerada, no mínimo, receita ao grupo no valor de R$ 2.254,09
(2,3 x 980,04);
(ii) da mesma forma, no caso do plano Max 3.0, cada limite de R$ 1.501,00 concedido pela mesa
corresponderia, no mínimo, a uma receita no valor de R$ 2.760,00 (2,3 x 1.200,00);
(iii) tal cálculo seria um piso mínimo de receita gerada com cobrança aos traders, visto que não foram
consideradas as situações em que o mesmo trader repete o ciclo avaliativo várias vezes, como relatado
[26]
por um dos traders à investigação e admitido pela própria ANA PAIFER ;
g) ANA PAIFER declarou que “existe um processo de avaliação que existe custo. A plataforma não é nossa, a
gente não tem o domínio da tecnologia, a gente tem um custo para fazer esse processo de avaliação e é
esse custo que o interessado paga” e que “dentro desse simulador, a gente tem um controle de risco muito
claro, que é o mesmo utilizado na conta real. Importante dizer que essa plataforma é a mesma que o nosso
trader usa na mesa proprietária. Ele sempre está operando com as mesmas condições do mercado real”
(grifado pela SPS);
h) a justificativa de que os valores cobrados do trader durante o processo avaliativo seriam destinados a
cobrir os custos da plataforma sistêmica mostra-se contrária aos fatos, pois:
(i) o custo mensal cobrado pelo uso da plataforma é de R$ 179,00, o que corresponde a 18,3% do custo
do produto Plus 3.0 e a 14,9% do custo do produto Max 3.0; e
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(ii) não faria sentido cobrar valores distintos para processos avaliativos que se diferenciam justamente
pelo limite operacional concedido tanto no ambiente simulado como no ambiente real, em caso de
aprovação, se o motivo da cobrança fosse apenas o de cobrir os custos da plataforma;
i) assim, a cobrança pelos cursos que fazem parte do sistema avaliativo para ingresso na mesa, a despeito
da alegação de integrarem a receita da atividade educacional da empresa e proporcionarem algum ativo
intangível ao trader, na realidade cobre, com sobras, os valores que a minoria de clientes aprovados no
processo avaliativo receberá a título de limite inicial “gratuito” para operar na mesa, podendo-se inferir que
parte dessa cobrança se destina a esse fim; e
j) a própria ANA PAIFER, ao afirmar em depoimento que “A Atom existe justamente com a intenção de
encontrar bons profissionais para fazer parte da sua mesa, para isso, a gente desenvolveu esse sistema de
avaliação, para que a gente pudesse avaliar mais pessoas”, revela que todo o processo foi desenhado para
captar pessoas para operar em sua mesa.
15. Em relação às operações realizadas pelos traders, às eventuais perdas e às receitas apuradas com a
atividade da mesa proprietária, após análise da manifestação dos investigados e das informações colhidas
no âmbito da inspeção realizada pela SSR, a SPS apresentou, em resumo, as seguintes considerações:
a) a Diretoria apresentou as seguintes informações sobre as receitas geradas e quantidade de traders que
operaram na mesa proprietária no período de 2017 a 2020:
Tabela 1: Receitas geradas e quantidade de traders que operaram na mesa
b) adicionalmente, as receitas obtidas pela mesa proprietária no período foram detalhadas da seguinte
forma pela Diretoria:
Tabela 2: Detalhamento das receitas obtidas pela mesa proprietária
c) a partir das informações obtidas no âmbito da inspeção, foi possível detalhar as receitas e despesas
relativas às vendas de produtos incorridas entre outubro de 2017 e junho de 2018, inclusive aquelas
relacionadas à mesa proprietária:
Tabela 3. Receitas apuradas pela ATOM no período de out/2017 a jun/2018
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 9
d) sobre as razões de permitir que os traders realizassem somente operações em day trade, a Diretoria
afirmou que:
(i) “o modelo da Atom foi inspirado [em] uma empresa com sede em Chicago, IL, que avalia o
desempenho dos day traders em contas simuladas em tempo real. Os traders que passam na avaliação
da empresa ganham uma conta de negociação financiada e negociam nos mercados financeiros usando
o capital da empresa” (grifo da SPS); e
(ii) “as operações de day trade permitem uma maior alavancagem, ao mesmo tempo uma proteção
maior contra eventos que possam afetar o comportamento do mercado”;
e) sobre o termo “conta de negociação financiada”, ANA PAIFER e seu advogado esclareceram que:
(i) “a companhia não financia os traders, não dá financiamento a ninguém, ela opera no mercado em
seu próprio nome, com seu próprio patrimônio, os traders são prestadores de serviço que executam
essas operações. Não existe uma concessão de financiamento. Seria uma atividade privativa de
instituição financeira e haveria uma ilegalidade gritante no modelo de negócios”; e
(ii) “quando a gente fala em financiamento é porque a gente está liberando o limite do nosso capital.
Nós estamos permitindo que essas pessoas tenham acesso ao mercado, mas não existe nenhum
contrato diferente desse que a gente enviou para vocês, onde é o comissionamento contemplado em
cima do lucro, onde é declarado todo o projeto, os custos, tudo que é envolvido”;
f) conforme verificado a partir das informações obtidas no âmbito da inspeção, as operações em day-trade
cursadas em nome da mesa proprietária geraram, ao menos no período de out/17 a jun/18, prejuízo em
todos os meses analisados, acumulando perda da ordem de R$ 918 mil;
g) sobre a forma como eram controladas e registradas as operações executadas pelos traders na mesa
proprietária, a Diretoria confirmou que a ATOM é a titular da conta na Corretora e os traders são
cadastrados como pessoas autorizadas a emitir ordem em nome da companhia;
h) sobre o controle das subcontas dos traders, a Diretoria declarou o seguinte:
(i) “a Companhia possui junto a [Empresa desenvolvedora de Software], um sistema gerencial, onde são
cadastradas as subcontas dos traders no qual são estabelecidos os limites e permissões individuais de
cada trader”; e
(ii) “no sistema interno da Companhia, são cadastrados os perfis de risco e os limites disponibilizados
para cada trader. As operações são registradas para cada trader, individualmente, no sistema de
[27]
gerenciamento de risco próprio da Companhia, submetendo-se ao OMS próprio custeado pela
Companhia, que possui interface com a plataforma de negociação da corretora. A exposição a risco das
operações de cada trader é monitorada em tempo real. O limite de risco imposto a cada trader,
individualmente, é aplicado de forma compulsória mediante a zeragem de suas operações, mediante
ordens comandadas de forma automática pelo sistema de gerenciamento”;
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 10
i) sobre o ressarcimento de eventuais perdas advindas de operações comandadas pelos traders, a Diretoria
esclareceu que “o Contrato de Prestação de Serviços não prevê tal obrigatoriedade, exceção feita apenas ao
montante que eventualmente superar o limite atribuído a cada operador, individualmente, o que ocorre
apenas excepcionalmente, em operações envolvendo ativos de maior volatilidade. Assim sendo, os riscos
inerentes às operações são assumidos integralmente pela Companhia, que figura como contraparte de todas
as operações cursadas em bolsa” (grifo da SPS);
j) a declaração da Diretoria sobre o ressarcimento de perdas por parte dos traders apresenta divergência em
relação aos fatos apurados:
(i) como já mencionado, com exceção da primeira faixa de limites operacionais concedida aos traders,
as demais faixas estabeleciam que o limite de perdas estava restrito ao saldo de ganhos acumulados
pelos traders com suas operações;
(ii) ou seja, com exceção das operações executadas pelos traders alocados na primeira faixa de limite,
o capital da mesa estaria protegido de perdas pela gestão de risco imposta pela plataforma de
negociação;
k) a própria Diretoria declarou que, “em caso de atingimento do limite disponibilizado, a plataforma
automaticamente zera a posição do trader, e não o deixa realizar novas operações”;
l) nesse caso, se o trader quisesse continuar operando pela plataforma, deveria realizar novos desembolsos
para refazer o ciclo educacional e a avaliação ofertados pela empresa até que fosse novamente habilitado a
operar na mesa;
m) apesar de considerar o trader que tenha ultrapassado o limite de perdas inapto a operar na plataforma,
por “não ter logrado aprender a filosofia de risco preconizada pela Companhia”, a ATOM disponibilizava a
alguns de seus clientes o produto Atom Direct, que permitia ao trader suspenso adquirir novo limite na
mesa, saltando todo o processo de reciclagem educacional.
16. Em relação aos produtos Atom Direct e Black Swan, a SPS apresentou os seguintes destaques e
considerações em relação à manifestação dos investigados:
a) a Diretoria declarou que o produto Atom Direct “é uma faculdade disponibilizada para os traders que
queiram recompor o limite das operações e continuar operando por intermédio da mesa proprietária, nos
termos do Contrato de Prestação de Serviços”;
b) ANA PAIFER declarou que “o nosso sistema padrão é o sistema de avaliação, não existe nenhum tipo de
divulgação do Atom Direct e ele só foi permitido como uma solução para poder criar menos stress com as
pessoas que faziam parte do nosso time. Isso podia acontecer com um trader que estava há muito tempo
com a gente e que teve um dia ruim. Se ele estava ciente que gerou um prejuízo e deveria arcar com o
prejuízo, foi criado o Atom Direct, mas reforço que não é um modelo que nós gostamos, nem incentivamos
ou divulgamos, porque ele quebra justamente o que a gente mais discute, que é a responsabilidade da
gestão de risco”;
c) ao ser questionada se houve período específico em que o produto Atom Direct foi mais utilizado, ANA
PAIFER pontuou que, “em relação a hoje, sim, teve, até pelo fato de que os traders se falam, então, à
medida em que um aciona uma solução, os outros também querem acionar”;
d) a afirmação de ANA PAIFER de que a venda do Atom Direct não era incentivada junto aos traders é
contraditada por evidência colhida junto a pessoa que integrou a mesa proprietária, mostrando que a ATOM
fazia contato por e-mail com os traders suspensos por terem atingido o limite de perdas para oferecer o
produto Atom Direct;
e) o custo de aquisição do produto Atom Direct, a partir de R$ 1.000,00, coincidia com o valor da primeira
faixa de limite ofertada para operar na mesa (R$ 1.001,00);
f) foi possível concluir que, mesmo a primeira faixa de limite de operação ofertada aos traders, não
representava risco para o capital da mesa, uma vez que, para ter acesso a esse limite, o trader já teria
desembolsado este valor à empresa, seja por meio da compra dos cursos avaliativos, ou pela aquisição do
atalho proporcionado pelo Atom Direct;
g) a própria Diretoria, ao afirmar que, “trata-se, portanto, de um ressarcimento facultativo, que o trader
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pode optar por fazer, voluntariamente, para continuar operando por intermédio da mesa proprietária da
Atom”, respalda esse entendimento;
h) em relação à contabilização da receita obtida com a venda do produto Atom Direct, foi possível verificar
que a entrada da receita gerava uma contrapartida de despesa em igual valor, a título de “limite
operacional de traders”, ou seja, o suposto ressarcimento de perdas era, na realidade, uma nova aquisição
de limite para que o trader pudesse continuar operando;
i) para a contabilidade da ATOM, seria como se os recursos provenientes da venda do produto Atom Direct
não pertencessem à Companhia, mas aos traders, sendo possível concluir que a compra do Atom Direct
correspondia a um depósito feito pelo trader em sua subconta na mesa proprietária;
j) o produto Black Swan consistia em um pacote de cursos em que o cliente adquiria simultaneamente o
limite para operar na mesa real, sem a necessidade de ser aprovado no processo avaliativo;
k) sobre esse produto, ANA PAIFER declarou:
(i) “o Black Swan foi criado para incentivar, nem todos que fazem nossos cursos entram para a mesa,
então era um curso mais enfático para isso, tinha muito mais atendimento ao vivo do Joaquim com os
alunos, com acompanhamento durante três meses, que o objetivo final era eles operarem. Ele foi
incentivado para os alunos que já tinham feito outros cursos, mas não tinham feito ou tinham passado
na avaliação”;
(ii) “A intenção desse curso foi a de levar mais pessoas para a mesa. Na época, tinha essa opção dele já
ingressar, mudamos o sistema para que ele já pudesse ingressar automaticamente na nossa mesa. Não
continuamos com esse processo porque ele acaba trazendo um prejuízo para a companhia. A gente
descontinuou esse produto porque a gente percebeu que a nossa estatística piorou. As pessoas que
ingressaram dessa maneira não eram pessoas lucrativas para nós. A gente reavaliou isso, limitamos a
reentrada exclusivamente para os colaboradores, o Atom Direct, só quem já está na mesa poderia ter
essa opção. Tanto que esse curso nem existe mais, só fez uma vez em 2018, se não me falha a
memória, e a gente viu que não seria lucrativo para a companhia”.
17. Em relação à cobrança dos custos das operações cursadas pelos traders, a SPS apresentou as seguintes
considerações e destaques em relação à manifestação dos investigados:
a) foi confirmado pela Diretoria que, embora a ATOM fosse formalmente a titular das operações realizadas
pelos traders, havia o repasse dos tributos e outros custos de transação associados, o qual estava
[28]
estabelecido no contrato de prestação de serviços ;
b) apesar de estarem formalmente vinculados à mesa na qualidade de prestadores de serviços, os traders
eram, na realidade, os responsáveis por todos os custos inerentes às operações cursadas por meio da
plataforma da ATOM, visto que esses custos eram subtraídos do limite atribuído ao trader, não importando
se essas operações geravam lucro ou não;
c) dentre os custos arcados pelos traders, destaca-se o que a ATOM denominava de “custos operacionais”,
os quais também estavam discriminados no contrato de prestação de serviços;
d) tais custos incidiam em todas as operações cursadas pelos traders e correspondiam ao repasse da
corretagem cobrada pela intermediação das operações trafegadas pela plataforma mantida pela ATOM;
e) em relação a esses custos, a Diretoria afirmou que “os valores cobrados dos traders são definidos em
razão dos custos totais incidentes sobre as operações realizadas por intermédio da mesa proprietária, o que
inclui todos os custos com emolumentos da bolsa, desenvolvimento e manutenção de sistemas próprios,
além de todos os custos indiretos relacionados à manutenção das atividades da Companhia”;
f) questionada sobre as razões de cobrar dos traders taxas que excediam o mero repasse da corretagem
pactuada entre a ATOM e a Corretora, a Diretoria argumentou que “a diferença entre taxas de corretagem
são fruto de uma negociação da Companhia com sua corretora, na qual a Companhia assumiu diretamente
[29]
alguns custos anteriormente de responsabilidade da corretora, em especial o OMS utilizado para
gerenciar as operações feitas pelos traders de forma individualizada, bem como o custo com o sinal
fornecido pela da B3 e ‘Cap’ (pacote de operações), valores estes que eram debitados diretamente da conta
[da Atom] na corretora. Como esses custos continuam onerando a Companhia, seu repasse aos traders
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permanece sendo necessário”;
g) ao absorver “custos anteriormente de responsabilidade da corretora”, a ATOM também incorporou
responsabilidades junto à instituição intermediária e repassou tais custos aos traders que operavam por
meio de sua mesa proprietária;
h ) no entendimento da Diretoria, tal fato não caracterizaria a atuação da ATOM como intermediário
irregular: “a Companhia não exerce atividade de intermediação, figurando apenas como comitente nas
operações cursadas em bolsa. Nessa condição, a Companhia paga corretagem à corretora por meio da qual
suas operações são realizadas, efetuando o repasse desse e dos demais custos incidentes sobre as
operações, como explicado acima” (grifo da SPS).
i) o repasse dos custos operacionais estaria relacionado ao comissionamento dos eventuais lucros obtidos
pelo trader, o qual, para ser viável economicamente, deveria ser calculado em cima do lucro líquido,
conforme declarado por ANA PAIFER: “a gente tem um faturamento, a gente tem custos envolvidos e a
gente tem o lucro... [um dos custos é tributo] a gente paga todos os custos normais que ele arcaria como
pessoa física, a gente paga como pessoa jurídica.... isso é padrão de qualquer prestação de serviços, você
tira os custos [para distribuir o lucro], eu tenho outras atividades, investimentos em startups, onde, ao
contratar, ter um contrato onde você tem uma ‘variável’, não tem um ‘fixo’ envolvido, o padrão é que você
coloque em cima do resultado líquido, senão vai gerar um prejuízo para a companhia. Se a gente pagasse os
custos da Bolsa mais tributação e o trader não colaborasse com esses custos, geraria um prejuízo, essa
conta não fecharia e a empresa quebraria. Pelo simples motivo que são custos que nós estamos pagando e
é um contrato de renda variável, de comissionamento, que não existe um valor fixo onde a gente não tem
uma exclusividade, ele não presta nenhum tipo de serviço para nós, obrigatoriamente falando, acaba
incidindo a comissão em cima dos lucros, então são tirados os custos”;
j) tal explicação, que relaciona a cobrança dos custos das operações ao comissionamento do suposto lucro
obtido, não esclarece o fato de que tais custos eram cobrados pela ATOM mesmo nos casos em que as
operações geravam prejuízo, ou seja, quando não havia lucro a ser repartido, como restou constatado em
extrato fornecido por um trader à investigação;
k) conforme se depreende das manifestações colhidas junto aos traders e do resultado negativo com
operações no mercado futuro contabilizado pela mesa no período analisado, pode-se inferir que os casos de
traders bem-sucedidos ao ponto de receberem parte dos lucros gerados por suas operações eram raros;
l) de acordo com informações colhidas no âmbito da inspeção, foi possível constatar que os repasses aos
traders, decorrentes de remuneração de suas operações, representaram, no período de out/17 a jun/18, o
valor de apenas R$ 78 mil e, conforme verificado, a maior parte deste montante foi atribuída a um único
trader;
m) o baixo resultado obtido pelo conjunto dos traders foi admitido por ANA PAIFER em seu depoimento, e o
[30]
insucesso dos prestadores de serviço, segundo ela, seria devido à “falta de disciplina” ;
n) a Diretoria negou ter apurado receitas de corretagem advindas das operações dos traders, admitindo que
tal possibilidade seria restrita às instituições regularmente cadastradas nesta CVM;
o ) os custos relativos às operações e cobrados dos traders eram computados na plataforma
ProfitPro/ProfitPlus e debitados contra os limites dos traders, conforme observado em extrato de cliente
obtido pela investigação, ou seja, tais custos ficam restritos à contabilidade gerencial da Companhia, não
sendo registrados pela contabilidade “oficial”;
p) ainda, as seguintes declarações sobre os custos operacionais repassados aos traders foram feitas pela
Diretoria:
(i) “o montante e a forma como são repassados os custos incidentes sobre a atividade de mesa
proprietária representam um ajuste privado entre a Companhia e seus prestadores de serviços, e
decorrem de decisões gerenciais que buscam viabilizar o compartilhamento, entre a Companhia e os
traders, das despesas e das receitas originadas por essa atividade”;
(ii) “entendemos que nossos traders têm pleno conhecimento de que estão livres para operar por conta
própria, utilizando-se de intermediários que podem lhes proporcionar custos menores. A opção dos que
permanecem com a Atom decorre, no nosso entender, das vantagens propiciadas pelo modelo de mesa
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 13
proprietária: (i) o trader não compromete seu patrimônio pessoal nas operações que ele realiza; (ii) a
Atom oferece as garantias que margeiam as operações realizadas por intermédio da mesa proprietária,
sem ônus para os traders; (iii) a mesa proprietária proporciona ao trader um ambiente controlado onde
ele pode realizar operações, de acordo com a filosofia da Atom, com auxílio de um excelente sistema de
gerenciamento de risco; (iv) a Atom se responsabiliza pelo gerenciamento da relação com o
intermediário, pelo pagamento [recolhimento] de impostos e todos os demais aparatos necessários
para realização das operações ”;
(iii) “em síntese, a motivação para o repasse dos custos de corretagem pelo valor cheio decorre da
decisão da Atom de centralizar internamente todos os controles e o acompanhamento das operações
aos traders, que contam com um ambiente seguro e dotados de maiores facilidades para realizarem
suas operações”;
q) por fim, a Diretoria declarou não ter implementado mudanças relevantes em seu modelo de negócios
após a realização da inspeção pela CVM, e que “considera que seu modelo de negócios está em plena
conformidade com o ordenamento jurídico, e encontra respaldo na Lei nº 13.874/2019 (Lei da Liberdade
Econômica), como expressão da livre iniciativa e do livre exercício de atividade econômica. Segundo seu
melhor entendimento, a Companhia não viola nenhuma disposição da Lei nº 6.385/1976 ou de quaisquer
normas editadas pela CVM”.
DA MANIFESTAÇÃO DA ÁREA TÉCNICA
18. De acordo com a Área Técnica, a partir da análise empreendida, foi possível concluir que a mesa da
ATOM atuou, e ainda atua, de forma análoga a um intermediário no mercado de valores mobiliários, em
inobservância ao disposto no art. 2º da então vigente ICVM 505, tendo em vista, especialmente, que:
a) seu modelo de negócio consistia em atrair, por meio de marketing digital em redes sociais e páginas na
Internet, pessoas interessadas em aprender a operar daytrades e obter resultados robustos e de curto
prazo;
b) tais pessoas passavam por uma fase inicial, paga, de treinamento na área educacional da companhia e,
ao final, caso atingissem os requisitos estabelecidos, assinavam contrato de prestação de serviços e
recebiam acesso a uma subconta na mesa, gerenciada pela ATOM;
c) apesar de a relação contratual formal ser de prestação de serviços dos traders à mesa, na realidade, a
ATOM funcionava como prestadora de serviços, provendo a infraestrutura sistêmica e limites operacional e
de perdas diária e total para que os traders realizassem suas operações;
d) o risco das operações era absorvido pelos traders, que incorriam em todos os custos operacionais
associados e eram obrigados contratualmente a repor perdas acima dos limites de risco definidos pela
ATOM;
e) além da reposição das perdas, caso ultrapassassem o limite concedido pela mesa, os traders eram
obrigados a contratar novo limite, por meio de novos desembolsos à área educacional ou pela contratação
direta do produto Atom Direct, para que pudessem voltar a operar; e
f) ficou constatado que a ATOM cobrava corretagem diferencial pelas operações cursadas em sua mesa,
pois, de acordo com a própria companhia, ela assumiu obrigações e custos inerentes à entidade
intermediária com a qual mantinha contrato.
19. Ainda, de acordo com a SPS, no período de outubro de 2017 a junho de 2018, a ATOM:
a) teve perda acumulada de cerca de R$ 918 mil com as operações de daytrade que trafegaram por sua
mesa; e
b) recebeu, levando em conta as receitas obtidas com os produtos Atom Direct e Black Swan, aportes no
valor de R$ 1,08 milhão de seus clientes, a título de reabastecimento dos limites operacionais em suas
respectivas subcontas na mesa;
20. Por fim, tendo em vista que a estrutura societária do Grupo Atom não prevê um diretor com designação
específica responsável pela mesa proprietária, a SPS propôs, também, a responsabilização dos diretores
fundadores do grupo, ANA PAIFER e JOAQUIM PAIFER, por intermediação irregular, uma vez que ambos
[31]
atuaram como Diretores na BARLETTA CONSULTORIA e na ATOM e, conforme informado por eles , tinham
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 14
atribuições no nível estratégico em todas as empresas do grupo.
DA RESPONSABILIZAÇÃO
21. Diante do exposto, a SPS propôs a responsabilização dos PROPONENTES, por atuarem como
intermediário no mercado de valores mobiliários sem autorização para tal, em infração, em tese, ao inciso III
do art. 16 da Lei nº 6.385/76 e ao art. 2º da então vigente ICVM 505.
DA PROPOSTA DE TERMO DE COMPROMISSO
22. Em 5/5/2023, os PROPONENTES apresentaram proposta conjunta para celebração de Termo de
Compromisso, em que oferecem pagar à CVM o valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) para o
encerramento antecipado do processo.
23. Adicionalmente, com a finalidade de cessar a prática considerada ilícita, os PROPONENTES propuseram a
implementação dos seguintes ajustes no modelo de negócios, de forma a permitir a continuidade da mesa
proprietária sem as características que levaram à SPS a equiparar a atividade à intermediação:
(i) ELIMINAÇÃO DO DIREITO DE REGRESSO: o modelo de Contrato de Prestação de Serviços
firmado com os traders será alterado para suprimir a cláusula que confere à Atom o direito
de obter o ressarcimento por perdas superiores ao limite operacional de cada trader. No
lugar dessa cláusula, figurará cláusula que obriga o trader a indenizar a Atom caso as
operações por ele realizadas configurem hipóteses de prática abusiva, assim entendidas as
condutas descritas na Resolução CVM nº 62/2022;
(ii) ELIMINAÇÃO DO CHAMADO “DIFERENCIAL DE CORRETAGEM ”: a Atom se compromete a
[deixar de repassar aos traders o montante referente ao repasse de corretagem cobrada
pela [Corretora] ou qualquer outra instituição intermediária contratada para intermedias as
operações da mesa proprietária da Atom].
Será mantido inalterado o repasse das demais despesas repassadas aos traders sob a
rubrica “Custos de OMS”;
(iii) ELIMINAÇÃO DA POSSIBILIDADE DE CONTRATAÇÃO DE NOVO LIMITE: os Proponentes se
comprometem a extinguir o chamado “Atom Direct” e a não permitir, a qualquer título, a
reconstituição do limite de perdas mediante pagamento do trader. A Atom somente
permitirá que um trader que tenha atingido o limite de perdas seja reintegrado à mesa
proprietária caso ele se submeta a novo treinamento. A Atom se compromete a elaborar
programa de reciclagem para o trader que desejar reingressar na mesa proprietária, com
custo não superior a 50% (cinquenta por cento) do valor cobrado pelo curso básico de
instrução para novos investidores; e
(iv) AJUSTE NO “SCALING PLAN”: de modo a eliminar o problema suscitado pela acusação
no item 184, III, do Relatório SPS, os Proponentes sugerem alterar a forma como se dá o
aumento do limite do trader e sua evolução no “scaling plan”, de forma que a evolução do
trader se dê apenas com base no ganho gerado para a mesa proprietária, ficando claro,
assim, que o risco das operações é da mesa proprietária, e não do trader.
14. Além dos ajustes acima relacionados, os PROPONENTES sugeriram também incluir os
seguintes dizeres em sua página na Internet e materiais publicitários pertinentes.
‘A Atom Traders não presta serviços de intermediação de operações com valores
mobiliários e não está autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários a prestar tais
serviços. Os cursos e materiais didáticos fornecidos pela Atom Traders têm por
finalidade ensinar técnicas para realização de operações no mercado de bolsa, não
sendo possível assegurar que o adquirente de tais produtos obterá ganhos em suas
operações.’
‘A mesa proprietária da Atom se destina a permitir que os traders que forem
aprovados na avaliação ministrada pela Atom Traders realizem operações com
recursos da empresa, até o limite fixado, de acordo com o “Scaling Plan”. Caso as
perdas decorrentes das operações com o trader alcancem o limite estabelecido, ele
deixará de integrar a mesa proprietária. Caso o trader deseje reingressar na mesa
proprietária, ele deverá se submeter ao curso de reciclagem ministrado pela Atom
Traders.’”
DA MANIFESTAÇÃO DA PROCURADORIA FEDERAL ESPECIALIZADA (“PFE-CVM”)
[32]
24. E m razão do disposto no art. 83 da RCVM e conforme PARECER n. 00057/2023/GJU-2/PFECVM/PGF/AGU e respectivos Despachos, a PFE-CVM apreciou os aspectos legais da proposta apresentada e
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opinou pela “possibilidade de celebração de Termo de Compromisso exclusivamente no que toca aos
requisitos legais pertinentes, cabendo ao Comitê de Termo de Compromisso, dentro de sua
discricionariedade técnica, avaliar se os ajustes sugeridos pelos proponentes (...) se mostram necessários e
suficientes para cessação das irregularidades apontadas”.
25. Em relação ao requisito constante do inciso I do § 5º do art. 11 da Lei nº 6.385/1976 (cessação da
prática), a PFE-CVM considerou que:
“(...) registra-se, desde logo, o entendimento da CVM no sentido de que: ‘sempre que as
irregularidades imputadas tiverem ocorrido em momento anterior e não se tratar de ilícito
de natureza continuada ou não houver nos autos quaisquer indicativos de continuidade
das práticas apontadas como irregulares, considerar-se-á cumprido o requisito legal, na
exata medida em que não é possível cessar o que já não existe(...)’.
As apurações efetuadas abrangem o exercício irregular da atividade de administrador de
carteira de valores mobiliários a partir de 2016, o qual teria se protraído no tempo, (...), em
que a área técnica faz consignar que “Os resultados dos testes e análises realizados no
curso deste inquérito mostraram que a mesa da Atom atuou, e ainda atua, de forma
análoga a um intermediário no mercado de valores mobiliários. Tal afirmação é
consubstanciada especialmente nas conclusões apresentadas no item III.4 da presente
peça de acusação (...)”.
Nesse diapasão, foi encaminhado OFÍCIO (...) à SPS para que se manifestasse sobre: (i) se
houve a cessação da conduta irregular, ou se ao reverso, a ATOM ainda atua, de forma
análoga a um intermediário no mercado de valores mobiliários; e (ii) se, de fato, procede a
alegação dos proponentes de que a atuação da Atom Traders não ocasionou quaisquer
prejuízos mensuráveis e identificáveis a terceiros, conforme considerações efetuadas infra.
Sobre o tema, a área técnica destacou (...) que “os próprios proponentes admitem,
tacitamente, que a Atom ainda opera da mesma forma que reputamos irregular”,
aduzindo, nada obstante que, as medidas de cessação sugeridas [na] proposta de Termo
de Compromisso (...), ‘em tese, retirariam esses elementos de atuação semelhante à de
corretora, fazendo com que não fosse possível fazer a comparação para sustentar uma
acusação de intermediação irregular’, (...).
Assim é que, face as considerações da área técnica, cabe ao Comitê de Termo de
Compromisso, dentro de sua discricionariedade técnica, avaliar se as medidas propostas se
mostram necessárias e suficientes para cessação das irregularidades apontadas.
(...)
(...), tendo em vista que [as obrigações de fazer apresentadas na] proposta se prestam a
dar cumprimento ao requisito legal de cessação da conduta ilícita, requer-se ao r. CTC que
seja estabelecido prazo para cumprimento das medidas propostas pelos interessados, sob
pena de se ter por descumprido o Termo de Compromisso.” (Grifado pela PFE-CVM)
(Grifado)
26. Em relação ao requisito constante do inciso II do § 5º do art. 11 da Lei nº 6.385/1976 (correção das
irregularidades), a PFE-CVM considerou que:
“(...) ‘como regra geral, não cabe à PFE-CVM analisar a suficiência dos valores
apresentados na proposta, salvo quando manifestamente desproporcionais às
irregularidades apontadas, com evidente prejuízo às finalidades preventiva e educativa
que devem ser observadas na resposta regulatória para a prática de infrações, seja ela
consensual ou imperativa’.
Dessa forma, via de regra, a suficiência do valor oferecido, bem como a adequação da
proposta, estará sujeita à análise de conveniência e oportunidade a ser realizada pelo
Comitê de Termo de Compromisso, diante da possibilidade de negociação deste e de
outros aspectos da minuta, conforme previsto no art. 83 §4º da Instrução Resolução
45/2021. Entretanto, existindo prejuízos concretamente demonstrados, não é possível a
celebração do termo sem a formulação de proposta indenizatória.
(...)
Finalmente, (...), a área técnica consignou que ‘diante dos indícios reunidos ao longo da
investigação, não é possível afirmar que a Atom causou, com sua atuação, prejuízos
mensuráveis a indivíduos. Entendemos que o ressarcimento a eventual prejuízo causado
ao mercado está endereçado no item [que trata de ressarcimento por danos difusos] da
proposta’.
Assim, face à ausência de prejuízos individualizados comprovados nos autos, não
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se vislumbra óbice à celebração de termo de compromisso tão-somente
mediante o pagamento de indenização por danos difusos.” (Grifado)
DA NEGOCIAÇÃO DA PROPOSTA DE TERMO DE COMPROMISSO
27. Em reunião realizada em 04/7/2023, o Comitê de Termo de Compromisso (“Comitê” ou “CTC”), ao
analisar a proposta de Termo de Compromisso apresentada, tendo em vista (a) o disposto no art. 83 c/c o
[33]
art. 86, caput, da RCVM 45 , entendeu que seria possível discutir a viabilidade de um ajuste para o
[34]
encerramento antecipado do caso em tela e, consoante faculta o disposto no art. 83, §4º, da RCVM 45 ,
[35]
decidiu NEGOCIAR as condições da proposta apresentada.
28. Assim, diante das características que permeiam o caso concreto e considerando, em especial, (a) o
[36]
disposto no art. 86, caput, da RCVM 45; (b) o histórico dos PROPONENTES ; (c) o porte e a visibilidade de
atuação da sociedade envolvida; e (d) que a irregularidade, em tese, se enquadraria no Grupo V do Anexo A
da RCVM 45, o Comitê propôs o aprimoramento da proposta apresentada, com assunção de obrigação
pecuniária, em parcela única, no valor total de R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais), sendo:
a) R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) a serem pagos pela ATOM;
b) R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) a serem pagos por ANA PAIFER;
c) R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) a serem pagos pela BARLETTA CONSUTORIA; e
d) R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) a serem pagos por JOSÉ PAIFER.
29. Adicionalmente, os PROPONENTES deveriam apresentar documentação apta a comprovar que os ajustes
propostos no modelo de negócios, com a finalidade de atender ao requisito legal que trata da cessação da
prática considerada ilícita, foram implementados.
30. Tempestivamente, em 3/8/2023, os PROPONENTES apresentaram contraproposta no valor total de R$
500.000,00 (quinhentos mil reais), sendo:
e) R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) a serem pagos pela ATOM;
f) R$ 100.000,00 (cem mil reais) a serem pagos por ANA PAIFER;
g) R$ 100.000,00 (cem mil reais) a serem pagos pela BARLETTA CONSUTORIA; e
h) R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) a serem pagos por JOSÉ PAIFER.
31. De acordo com a manifestação dos PROPONENTES, a proposta de aprimoramento feita pelo Comitê
deveria ser reavaliada, tendo em vista, em resumo, que:
a) não houve prejuízos para o público investidor;
b) a irregularidade, em tese, atribuída aos PROPONENTES, seria de menor gravidade, e os ajustes propostos
com vistas à cessação da prática considerada irregular “representam apenas um aprimoramento do modelo
de negócios adotado pela ATOM, não acarretando alterações mais profundas em sua forma de atuação”;
c) o valor proposto pelo CTC estaria muito acima dos valores médios praticados nos TC firmados pela CVM
[37]
em 2022 em questões relacionadas à intermediação e bem mais elevados do que as multas do
[38]
Colegiado em casos que envolveram administração de carteiras ;
d) a ATOM seria empresa de menor porte e teria baixa representatividade no âmbito do mercado de valores
[39]
mobiliários ; e
e) a BARLETTA CONSULTORIA ficou à frente da atividade de mesa proprietária por curto espaço de tempo,
portanto, não se justificaria a elevada quantia de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais).
32. Em relação à apresentação da documentação apta a comprovar a cessação da prática considerada
ilícita, foi informado, tão somente, que os PROPONENTES “estão a poucos passos de corrigir a irregularidade
que lhes foi imputada”.
[40]
33. Em reunião realizada em 15/8/2023, o Comitê, ao analisar a contraproposta apresentada, decidiu
REITERAR, por seus próprios e jurídicos fundamentos, os termos da negociação deliberada em 4/7/2023.
34. Tempestivamente, em 29/8/2023, os PROPONENTES se manifestaram por manter os termos da
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contraproposta apresentada em 3/8/2023.
DA DELIBERAÇÃO DO COMITÊ DE TERMO DE COMPROMISSO
35. O art. 86 da Resolução CVM nº 45/21 estabelece que, além da oportunidade e da conveniência, há
outros critérios a serem considerados quando da apreciação de propostas de Termo de Compromisso, tais
[41]
como a natureza e a gravidade das infrações objeto do processo, os antecedentes dos acusados, a
colaboração de boa-fé e a efetiva possibilidade de punição no caso concreto.
36. Nesse tocante, há que se esclarecer que a análise do Comitê é pautada pelas grandes circunstâncias
que cercam o caso, não lhe competindo apreciar o mérito e os argumentos próprios de defesa, sob pena de
convolar-se o instituto de Termo de Compromisso em verdadeiro julgamento antecipado. Em linha com
orientação do Colegiado, as propostas de Termo de Compromisso devem contemplar obrigação que venha a
surtir importante e visível efeito paradigmático junto aos participantes do mercado de valores mobiliários,
desestimulando práticas semelhantes.
37. Em reunião realizada em 5/9/2023, o Comitê, ao analisar a proposta de Termo de Compromisso
[42]
apresentada, tendo em vista o disposto no art. 83 c/c o art. 86, caput, da RCVM 45 e considerando, em
especial, que o valor proposto ficou distante do que foi considerado como a contrapartida adequada e
[43]
suficiente para o encerramento antecipado do caso, decidiu opinar junto ao Colegiado pela
rejeição da proposta apresentada.
DA CONCLUSÃO
[44]
38. Em razão do acima exposto, o Comitê, por meio de deliberação ocorrida em 5/9/2023, decidiu opinar
junto ao Colegiado da CVM pela REJEIÇÃO da proposta de Termo de Compromisso apresentada por ATOM
TRADERS PUBLICAÇÕES S.A., ANA CAROLINA PAIFER, BARLETTA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. e JOSÉ
JOAQUIM PAIFER.
Parecer Técnico finalizado em 8/11/2023.
[1] “Art. 16. Depende de prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários o exercício das seguintes
atividades: (...) III - mediação ou corretagem de operações com valores mobiliários”.
[2] Art. 2º A intermediação de operações em mercados regulamentados de valores mobiliários é privativa de
instituições habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição, por conta própria e de terceiros,
na negociação de valores mobiliários em mercados regulamentados de valores mobiliários.
[3] Order Management System – Sistema de Gerenciamento de Ordens.
[4] “Embora sob o aspecto formal as operações realmente tenham sido cursadas em nome da Atom,
figurando os traders como pessoas autorizadas a transmitir as ordens em nome da mesa, ficou demonstrado
que, de fato, os traders eram os reais titulares das operações, visto que: (...) III. Esse limite inicial
poderia ser ampliado, caso o trader conseguisse acumular saldo positivo com suas operações. No entanto,
como estabelecido em contrato e apresentado na Figura 1 (parágrafo 29), tal limite nunca poderia ser
superior ao valor de ganhos acumulados pelo trader, o que equivale a dizer que o risco de perdas era
assumido integralmente pelo trader, ou seja, não havia risco para o capital da mesa.”
[5] As informações apresentadas nesse Parecer Técnico até o capítulo denominado “Da Responsabilização”
correspondem a um resumo do que consta da peça acusatória do caso.
[6] No âmbito da inspeção realizada pela SSR também foi levantada a possibilidade de os traders atuarem
irregularmente como administradores profissionais de carteira, tendo em vista que: (a) os seus contratos de
prestação de serviços têm como objeto “... operações em títulos e valores mobiliários nos mercados à vista
e de liquidação futura, mercadorias e demais ativos financeiros negociados na B3, segmento Bovespa e
segmento BM&F”; (b) operam com capital de terceiros (seus contratantes); (c) são autorizados a emitir
ordens em nome das empresas contratantes; e (d) são remunerados com base nos resultados obtidos nas
operações por eles realizadas. Entretanto, após análise dos fatos, a investigação concluiu pela ausência do
quesito caracterizador da “gestão de recursos de terceiros”, qual seja, a entrega do capital da contratante
para que os contratados o rentabilizassem por meio de operações no mercado de capitais, não restando
irregularidade a apontar quanto à conduta dos traders.
[7] A W. Participações era também a controladora da A.P.S.A., que por sua vez tinha como controlada a
empresa Atom Traders e Publicações S.A.
[8] No âmbito da inspeção realizada, foram analisadas tanto as informações prestadas pela própria Atom,
relativas à formalização do relacionamento comercial com os traders, quanto os esclarecimentos prestados
pela Corretora que intermediou mais de 90% das operações cursadas pelo grupo Atom durante os anos de
2017 e 2018.
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 18
[9] Direct Market Access
[10] De acordo com as informações prestadas pela Corretora que intermediava as operações da mesa, os
traders eram, na prática, pessoas autorizadas a transmitir ordens em nome do titular da conta (Barletta
Consultoria ou Atom Traders), sendo de responsabilidade do titular a inclusão dos traders como
transmissores de ordens nos respectivos cadastros da Corretora.
[11] O limite operacional disponibilizado à mesa era único para cada cliente – Barletta Consultoria ou Atom
Traders - e as ordens eram executadas e especificadas em nome desses dois clientes, sem a possibilidade
de distribuição ou reespecificação das operações para terceiros. Cabia ao titular da conta (Barletta
Consultoria ou Atom Traders) criar e administrar as subcontas dos traders admitidos a operar em seu nome,
no sistema ProfitPro/ProfitPlus, e conceder e administrar os respectivos limites operacionais e de risco.
[12] Tabela que mostrava a faixa de saldo acumulado em que se iniciava cada Plano oferecido pela ATOM e,
para cada faixa de saldo acumulado, os limites operacionais, de riscos (perda diária e perda total) e a
porcentagem de repasse dos ganhos aos traders. O Plano PRO, por exemplo, tinha faixa de saldo acumulado
na conta de R$ R$ 0,00 a R$ 1.000,00, limites operacionais de 3 Minicontrato Dólar/índice, 3.000 ações e 0
Contrato DI-Futuros, perda diária de R$ 300,00, perda total de R$ 550,00 e 60% de repasse dos ganhos aos
traders. Já a faixa máxima do Plano Atom Direct N4 tinha saldo variando de R$ 80.001,00 a R$ 100.000,00,
limites operacionais de 500 Minicontrato Dólar/índice, 100.000 ações e 100 Contrato DI-Futuros, perda
diária de R$ 15.000,00, perda máxima de R$ 80.000,00 e 90% de repasse, sendo 87,5% repasse e 2,5% em
ações.
[13] Ao final da investigação, foi possível concluir que mesmo a primeira faixa de limite de operação
ofertada aos traders não representava risco para o capital da mesa, uma vez que, para ter acesso a esse
limite, o trader já teria desembolsado este valor à empresa, seja por meio da compra dos cursos avaliativos
ou pela aquisição do atalho proporcionado pelo produto Atom Direct.
[14] Na ocorrência de perdas que ultrapassassem os limites estabelecidos, a Atom agia de forma a
suspender novas operações e a buscar o ressarcimento dessas perdas. O ressarcimento das perdas oriundas
das operações dos traders estava estabelecido no contrato firmado entre a Atom e seus clientes, em sua
cláusula sexta (limites operacionais): “caso o CONTRATADO ultrapasse o valor da perda total da conta, o
contrato poderá ser suspenso pela CONTRATANTE a qualquer momento, e os valores de prejuízos
superiores aos estabelecidos acima deverão ser reembolsados pelo CONTRATADO em até 10 dias úteis”.
[15] Conforme afirmado pela própria Atom, “a companhia também disponibiliza algumas modalidades de
contratação (‘Blackswan’ e ‘Atom Direct’), em que o trader pode realizar depósitos de valores em sua
subconta a fim de gerar/aumentar o saldo acumulado, proporcionando assim um aumento nos seus limites
operacional e de risco”. De acordo com o entendimento da equipe de inspeção, nesses casos em que
traders aportam recursos próprios em suas subcontas na Atom, restaria caracterizada mais uma vez a
atuação da empresa de forma análoga a uma corretora de valores.
[16] A obtenção do ganho diferencial foi observada em quase todas as classes de ativos que a ATOM
permitia que fossem negociadas pelos traders. No caso de contrato cheio de dólar e índice, a corretagem
cobrada pela ATOM era igual à taxa cobrada pela Corretora. Foi possível apurar que os ganhos diferenciais
obtidos pela Atom com a cobrança de corretagem pelas operações de seus clientes variavam de 2 vezes a
corretagem efetivamente devida à Corretora (no caso de minicontratos de dólar e índice) a até mais de 3
vezes o valor dessa corretagem (no caso de operações no segmento Bovespa).
[17] Questionamento sobre a atuação do Grupo Atom encaminhado por pessoa natural que deu origem ao
Processo SP-2016-36.
[18] Questionamento sobre a atuação do Grupo Atom encaminhado por pessoa natural que deu origem ao
Processo SP-2016-455.
[19] Reclamação de pessoa natural sobre a atuação do Grupo Atom tratada no âmbito do Processo CVM
19957.003460/2019-37. Cumpre registrar que os detalhes das questões afetas ao relacionamento entre a
Atom e seus clientes não foram objeto de investigação, pois não são de competência desta CVM, mas houve
comunicação à Procuradoria da República no Estado de São Paulo e ao Departamento de Proteção e Defesa
do Consumidor do Ministério da Justiça, que são os órgãos estatais com atribuição/competentes para tal.
[20] A denúncia deu origem ao Processo CVM 19957.010352/2017-59.
[21] Das 6 (seis) pessoas questionadas no âmbito do Inquérito, 5 (cinco) se manifestaram.
[22] Sobre os motivos que levaram os traders a contratarem a ATOM e sobre os serviços prestados pela
empresa, a Área Técnica destacou os seguintes trechos das manifestações obtidas dos traders: “a
propaganda que a Atom fazia nas redes sociais mostrava que seguindo os passos e dicas deles, teríamos
bons retornos financeiros”; “o que me chamou a atenção na Atom foi a possibilidade de operar no mercado
mobiliário [sic], sem ter a necessidade de aportar capital próprio. Eu poderia operar com os recursos da
Atom, mediante um contrato e limites pré-estabelecidos, e ainda contar com operador experiente
orientando como o mercado financeiro funcionava”; “estava assistindo vídeos e lendo livros com o intuito de
aprender mais sobre o mercado. Em um dos vídeos que assisti, havia uma propaganda deles (...) diziam que
te ensinariam a extrair o máximo do mercado com a ajuda deles, e te tornariam ‘consistente’ (...) era,
segundo eles, uma oportunidade única de aprender a operar do zero e ser consistente no mercado”;
“assistindo a uma entrevista da (...) [sócia e diretora da empresa]. Após isso, me inscrevi no canal da Atom
‘Vida de Trader’, no YouTube (...) para aprender sobre o mercado e operar na B3 (...) estar inserido em uma
comunidade de aprendizado em um assunto totalmente novo e o desconto da plataforma que na época
tinha um preço exorbitante”; “[em] várias pesquisas por mim realizadas, no meu entender da época, a Atom
era a mais transparente e melhor de todas as mesas proprietárias estudadas”; e “tomei conhecimento da
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 19
proposta educacional e de operação por mesa proprietária apresentada pela Atom assistindo,
acompanhando no You Tube, o canal Atom Vida de Trader (...) acreditar que poderia fazer uma renda
mensal, largar o meu serviço e viver de mercado financeiro. Me enganei completamente”.
[23] Além de ANA PAIFER e JOSÉ PAIFER, subscreveram a manifestação um Diretor sem designação
específica que atuava no Grupo Atom desde 2015, que informou que era “responsável pelo gerenciamento
das áreas administrativas das empresas do grupo”, e o Diretor de Relações com Investidores da companhia
aberta do grupo e produtor de conteúdo na Atom Traders, que passou a atuar no grupo a partir de
18.03.2019.
[24] ANA PAIFER declarou o seguinte “a gente não exercia nenhum cargo de diretoria [de mesa
proprietária], nós somos os fundadores da empresa, tanto da mesa proprietária quanto da área
educacional... nunca existiu uma diretoria da mesa proprietária, como área. Nossas atividades são com a
empresa, de forma geral, esse modelo dentro da mesa proprietária, de criação e avaliação de todo o
processo, foi desenvolvido junto com nossos colaboradores, principalmente com referência da [....], que atua
no mesmo modelo nos EUA. Então, não tenho nenhum tipo de exercício, de cargo nessa função, nem minha
nem do Joaquim”.
[25] Em pesquisa realizada em fevereiro de 2022: https://lp.atomeducacional.com.br/entre-para-o-time/
[26] ANA PAIFER afirmou o seguinte, em seu depoimento: “o sistema de avaliação protege a companhia, o
dinheiro da companhia e, inclusive, os próprios traders. Se eles não passam na avaliação, recomendo
fortemente que eles não comecem a operar por conta própria. Não são todos os traders que passam de
primeira, mas não é exigido mais que uma vez. Se ele passar de primeira, a gente automaticamente o
contrata”.
[27] Order Managament System – Sistema de Gerenciamento de Ordens.
[28] A Diretoria declarou que: “muito embora a Atom seja a única contribuinte responsável perante o Fisco
pelo recolhimento dos impostos incidentes sobre as operações realizadas por intermédio de sua mesa
proprietária (por ser ela, inclusive, a única contraparte de todas as operações), o repasse desse ônus fiscal é
pactuado com os traders como forma a viabilizar o repasse dos ganhos registrados nas operações por eles
comandadas”.
[29] Order Management System – Sistema de Gerenciamento de Ordens.
[30] A Diretora declarou que “o percentual [de sucesso] é bem pequeno, a gente sabe da realidade da
disciplina, não só do Brasil, mas do ser humano. Quando a gente fala de empreendedores, em dois anos,
80% das empresas fecham. Saiu a pequisa da GV [...], infelizmente menos de 1% das pessoas estavam
sendo lucrativas com isso” e que “essa queda é em virtude da falta de disciplina, muitas vezes de operar
sem a ferramenta de stop-loss que é uma das coisas que mais a gente bate na tecla, então a gente acaba
tendo perdas”.
[31] Conforme mencionado no parágrafo 11, itens “a”, “b”, “c” e “d”.
[32] Art. 83. Ouvida a PFE sobre a legalidade da proposta de termo de compromisso, a Superintendência
Geral deve submeter a proposta de termo de compromisso ao Comitê de Termo de Compromisso, ao qual
compete apresentar parecer sobre a oportunidade e a conveniência na celebração do compromisso, e a
adequação da proposta formulada pelo acusado ou investigado, propondo ao Colegiado sua aceitação ou
rejeição, tendo em vista os critérios estabelecidos no art. 86.
[33] Art. 83. Ouvida a PFE sobre a legalidade da proposta de termo de compromisso, a Superintendência
Geral deve submeter a proposta de termo de compromisso ao Comitê de Termo de Compromisso, ao qual
compete apresentar parecer sobre a oportunidade e a conveniência na celebração do compromisso, e a
adequação da proposta formulada pelo acusado ou investigado, propondo ao Colegiado sua aceitação ou
rejeição, tendo em vista os critérios estabelecidos no art. 86. (...) Art. 86. Na deliberação da proposta, o
Colegiado deve considerar, dentre outros elementos, a oportunidade e a conveniência na celebração do
compromisso, a natureza e a gravidade das infrações objeto do processo, os antecedentes dos acusados ou
investigados ou a colaboração de boa-fé destes, e a efetiva possibilidade de punição, no caso concreto.
[34] Art. 83, § 4º O Comitê de Termo de Compromisso, se entender conveniente, pode, antes da elaboração
do seu parecer, negociar com o proponente as condições da proposta de termo de compromisso que lhe
pareçam mais adequadas.
[35] Deliberado pelos membros titulares de SGE, SEP, SMI, SNC,e SSR.
[36] ATOM TRADERS PUBLICAÇÕES S.A. e ANA CAROLINA PAIFER não constam como acusadas em
outros processos sancionadores instaurados pela CVM. (Fonte: INQ e SSI. Último acesso em 8/11/2023).
JOSÉ JOAQUIM PAIFER também acusada no (i) TA RJ 2016 / 7192 - Manipulação de preços no mercado de
valores mobiliários – Spoofing (Inciso I c/c o item II, "b", da Instrução CVM nº 08/79). Julg. Colegiado 13/03/2018 - Multa R$ 684.000,00. Transitada em julgado no CRSFN em 13/4/2022 - ACÓRDÃO: 52/2022.
(Fonte: INQ e SSI. Último acesso em 8/11/2023). BARLETTA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA
(PAIFFER MANAGEMENT LTDA. – ME) também acusada no (i) TA RJ 2016 / 7192 - Manipulação de preços
no mercado de valores mobiliários – Spoofing (Inciso I c/c o item II, "b", da Instrução CVM nº 08/79). Julg.
Colegiado - 13/3/2018 - Multa de R$ 1.710.000,00. Transitada em julgado no CRSFN em 13/04/2022 ACÓRDÃO: 52/2022. (Fonte: INQ e SSI. Último acesso em 8/11/2023).
[37] Levantamento efetuado pela Fundação Getúlio Vargas indicou, como valor médio em TCs firmados pela
CVM em 2022 em casos envolvendo intermediação, o valor de R$ 933.333,33. Disponível em:
https://direitosp.fgv.br/sites/default/files/2023-04/2022-alem-dos-numeros-da-cvm-1.pdf.
[38] PROPONENTES citaram as decisões proferidas no âmbito dos PAS CVM nº 19957.000198/2020-11, PAS
CVM nº 19957.009400/2019-28 e PAS CVM nº 19957.007344/2019-97, casos em que as multas se situaram
Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 20
entre R$ 200 e R$ 300 mil.
[39] De acordo com os PROPONENTES, a Atom tinha, em 31/12/2022, patrimônio líquido de R$ 31.619 mil,
tendo registrado, em 2022, lucro líquido de R$ 10.578 mil, e tal lucro não refletiria os números da mesa
proprietária, cujas receitas estão em declínio desde 2021 e, ao longo dos últimos anos, a ATOM manteve
relacionamento com um reduzido número de traders (288 traders em 2019-1T; e 70 em 2022-4T).
[40] Deliberado pelos membros titulares de SGE, SEP, SMI, SNC e SSR.
[41] Ver Nota Explicativa (“NE”) 36.
[42] Art. 83. Ouvida a PFE sobre a legalidade da proposta de termo de compromisso, a Superintendência
Geral deve submeter a proposta de termo de compromisso ao Comitê de Termo de Compromisso, ao qual
compete apresentar parecer sobre a oportunidade e a conveniência na celebração do compromisso, e a
adequação da proposta formulada pelo acusado ou investigado, propondo ao Colegiado sua aceitação ou
rejeição, tendo em vista os critérios estabelecidos no art. 86. (...) Art. 86. Na deliberação da proposta, o
Colegiado deve considerar, dentre outros elementos, a oportunidade e a conveniência na celebração do
compromisso, a natureza e a gravidade das infrações objeto do processo, os antecedentes dos acusados ou
investigados ou a colaboração de boa-fé destes, e a efetiva possibilidade de punição, no caso concreto.
[43] Deliberado pelos membros titulares de SGE, SEP, SNC e SSR e pelo substituto de SMI.
[44] Ver Nota Explicativa (“NE”) 43.
Documento assinado eletronicamente por Fernando Soares Vieira, Superintendente, em
08/11/2023, às 15:59, com fundamento no art. 6º do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Paulo Roberto Gonçalves Ferreira, Superintendente,
em 08/11/2023, às 18:23, com fundamento no art. 6º do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Andre Francisco Luiz de Alencar Passaro,
Superintendente, em 08/11/2023, às 18:24, com fundamento no art. 6º do Decreto nº 8.539, de 8 de
outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Vera Lucia Simões Alves Pereira de Souza,
Superintendente, em 08/11/2023, às 18:28, com fundamento no art. 6º do Decreto nº 8.539, de 8 de
outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Alexandre Pinheiro dos Santos, Superintendente
Geral, em 08/11/2023, às 20:21, com fundamento no art. 6º do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de
2015.
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Parecer do CTC 561 (1915072) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 21
Parecer do Comitê
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
PARECER DO COMITÊ DE TERMO DE COMPROMISSO
PROCESSO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR CVM 19957.002134/2020-46
SUMÁRIO
PROPONENTES:
ATOM EDUCAÇÃO E EDITORA S.A. (atual denominação da ATOM TRADERS PUBLICAÇÕES S.A.)
ANA CAROLINA PAIFER
JOSÉ JOAQUIM PAIFER
BARLETTA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. (atual denominação de PAIFFER MANAGEMENT LTDA.)
ACUSAÇÃO:
Atuar como intermediário no mercado de valores mobiliários sem autorização para tal, em infração, em
tese, ao inciso III do art. 16 da Lei nº 6.385/76[1] e ao art. 2º da então aplicável Instrução CVM nº 505
(“ICVM 505”)[2].
PROPOSTA:
OBRIGAÇÃO PECUNIÁRIA: Pagar à CVM o valor total de R$ 3.630.000,00 (três milhões, seiscentos e
trinta mil reais), em 3 (três) parcelas mensais, iguais e consecutivas, atualizadas monetariamente pelo
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA, a ser dividido da seguinte forma:
R$ 1.100.000,00 (um milhão e cem mil reais) a serem pagos pela ATOM EDUCAÇÃO E EDITORA S.A.;
R$ 550.000,00 (quinhentos e cinquenta mil reais) a serem pagos por ANA CAROLINA PAIFER;
R$ 1.320.000,00 (um milhão, trezentos e vinte mil reais) a serem pagos pela BARLETTA
CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA.; e
R$ 660.000,00 (seiscentos e sessenta mil reais) a serem pagos por JOSÉ JOAQUIM PAIFER.
OBRIGAÇÃO DE FAZER: Apresentar, no prazo de 90 (noventa) dias a contar da publicação do Termo de
Compromisso na seção “Diário Eletrônico” da página da CVM na rede mundial de computadores, relatório
emitido por auditor independente registrado na CVM atestando que os ajustes propostos no modelo de
negócios estão sendo implementados pela ATOM EDUCAÇÃO E EDITORA S.A.
PARECER DA PFE:
SEM ÓBICE
PARECER DO COMITÊ:
ACEITAÇÃO
PARECER DO COMITÊ DE TERMO DE COMPROMISSO
PROCESSO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR CVM 19957.002134/2020-46
PARECER TÉCNICO
1. Trata-se de proposta de Termo de Compromisso apresentada por ATOM EDUCAÇÃO E EDITORA S.A. (atual
denominação da ATOM TRADERS PUBLICAÇÕES S.A., doravante denominada “ATOM”), na qualidade de participante do
mercado, por BARLETTA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. (atual denominação de PAIFFER MANAGEMENT LTDA.,
doravante denominada “BARLETTA CONSULTORIA”), na qualidade de participante do mercado, por ANA CAROLINA
PAIFER (doravante denominada “ANA PAIFER”), na qualidade de Diretora da BARLETTA CONSULTORIA à época dos fatos
e da ATOM e por JOSÉ JOAQUIM PAIFER (doravante denominado “ JOSÉ PAIFER”), na qualidade de Diretor da BARLETTA
CONSULTORIA à época dos fatos e da ATOM, no âmbito de Processo Administrativo Sancionador (“PAS”) instaurado
pela Superintendência de Processos Sancionadores (“SPS”), no qual não constam outros acusados.
DA ORIGEM[3]
2. O processo teve origem em proposta de instauração de inquérito feita pela Superintendência de Relações com o
Mercado e Intermediários (“SMI”) após análise de (a) inspeção realizada pela Superintendência de Supervisão de Riscos
Estratégicos (“SSR”), no âmbito da qual foram reunidos indícios de atuação irregular como intermediário no mercado de
valores mobiliários, por parte de empresas do Grupo Atom[4], ao prestarem serviço remunerado de investimento dos
recursos da mesa proprietária, e (b) consultas e reclamações de pessoas naturais e participantes do mercado que
questionavam a atuação do Grupo Atom ao oferecer curso educacional visando à capacitação de traders com
oportunidade de operar em sua mesa proprietária.
DOS FATOS
DA INSPEÇÃO CONDUZIDA PELA SSR
3. A inspeção realizada nas empresas do Grupo Atom ocorreu no período de 11.10.2018 a 12.07.2019. Inicialmente, foi
verificado que os negócios com valores mobiliários em nome do grupo eram executados por meio da mesa proprietária
Parecer do CTC 629 (2180256) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 1
da W. Participações e de sua controlada BARLETTA CONSULTORIA [5]. A partir de meados de 2018, as operações de
mesa proprietária foram migradas da BARLETTA CONSULTORIA para a ATOM.
4. Entre os indícios de atuação irregular como intermediário de negócios com valores mobiliários levantados pela
inspeção[6], foram destacados os seguintes:
a) a ATOM era responsável pelo controle de acesso dos traders às contas vinculadas no sistema ProfitPro/ProfitPlus,
contratado de Empresa de Software, que se conectava ao acesso DMA[7] patrocinado pela Corretora[8];
b) a ATOM era responsável por estabelecer limites individuais de operação, ou seja, o volume máximo diário que
poderia ser movimentado nas subcontas[9] dos traders, e os limites individuais de risco, referentes ao valor da
perda diária permitida para cada trader;
c) a ATOM era também responsável por apurar os saldos e resultados acumulados obtidos pelos traders;
d) o “scaling plan” da ATOM[10] permitia um controle de risco pela mesa que eliminava qualquer exposição de seu
capital às operações cursadas pelos traders, com exceção dos traders inicialmente alocados na primeira faixa de
saldo acumulado[11], tendo em vista que:
(i) à exceção da primeira faixa, os limites operacionais e de risco individuais de cadat rader estavam
diretamente relacionados aos saldos acumulados em cada subconta, oriundos dos resultados obtidos com as
operações; e
(ii) a ATOM repassava aos traders parte dos eventuais resultados positivos obtidos por eles e esse valor era
escalonado de forma crescente, proporcionalmente às faixas de saldos acumulados;
e) adicionalmente, a ATOM cobrava contratualmente dos traders eventuais prejuízos advindos de suas operações,
situação que seria análoga a de clientes de corretoras com saldo negativo em suas contas[12];
f) em algumas modalidades de contratação, supostamente, os traders poderiam aportar recursos próprios em suas
subcontas na ATOM, para alavancar os volumes e limites com que poderiam operar na mesa[13]; e
g) as operações realizadas pelos traders geravam um ganho diferencial de corretagem[14] para a ATOM, em alguns
casos, superiores aos próprios ganhos obtidos pela Corretora contratada:
(i) por exemplo, em contratos de juros futuros DI, a ATOM cobrava R$ 2,00 por contrato negociado pelos
traders e repassava R$ 0,50 à Corretora por essa operação, o que corresponde a um ganho diferencial de 3
vezes em cima da corretagem.
DAS CONSULTAS E RECLAMAÇÕES SOBRE A ATUAÇÃO DO GRUPO ATOM
5. Em relação às consultas e reclamações de pessoas que alegaram ter atuado ou tentado atuar na mesa proprietária
da ATOM, a SPS destacou que as manifestações apresentadas reforçaram a caracterização de atuação irregular como
intermediário no mercado de valores mobiliários, acrescendo-se aos indícios colhidos pela equipe de inspeção. Dentre
os relatos apresentados, destacou-se o seguinte:
a) “[a ATOM estaria] oferecendo ao público em geral a possibilidade de se tornar um profissional (trader)... para
trabalhar com o capital da mesma. Porém, para que isso ocorra, disponibiliza pacotes com cursos para os
interessados a uma média de R$ 200,00; em paralelo, intensiva o recrutamento em massa de novos
participantes”[15];
b) “o simulador que eles usam é muito instável e várias vezes fui eliminado devido a problemas no simulador (...)
toda vez que entramos em contato, sempre [a ATOM alega que] o problema é no computador ou rede do usuário. E
sempre que é eliminado, você tem que comprar o curso (simulador) novamente. Nesta expectativa de me tornar
trader, adquiri 16 vezes o curso (algumas versões) e sempre fui eliminado”[16];
c) “a empresa Atom constantemente, antes, durante e depois [d]a contratação dos planos avaliativos para entrar
na empresa, prometia resultados inalcançáveis, pois a Bolsa contém risco, portanto, não é garantia que vai lucrar
os valores prometidos por eles; nisso, fui exposta a grande constrangimento moral, psíquico e material, pois acabei
dando dinheiro para eles, pois para entrar na mesa proprietária deles, a gente tem que pagar R$ 1.500,00”[17];
d) “[a ATOM] diz que a gente opera o dinheiro deles, sendo que eu pago R$ 1.500,00 [para operar na mesa da
ATOM]”;
e) “depois, fui descobrir que se colocar R$ 500,00 em uma corretora, a pessoa física pode operar 2 minicontratos,
por causa da alavancagem que a corretora dá, de 50 vezes”; e
f) “[na ATOM] a gente paga R$ 1.500,00 para ter somente R$ 1.000,00 de limite e eles pegam esses R$ 500,00 que
sobram; se fosse pagar esse valor em uma corretora, a pessoa física poderia operar com 6 minicontratos com R$
1.500,00, [mas] na mesa da Atom, a pessoa fica com R$ 1.000,00 [de limite], operando 5 minicontratos”.
6. Além das reclamações acima referidas, houve também uma denúncia feita por uma corretora sobre suposta
intermediação irregular de operações no mercado de valores mobiliários realizada por diversas mesas proprietárias,
mencionando-se, entre outras, a atuação do Grupo Atom. De acordo com a denunciante, as mesas proprietárias
ofereceriam custos operacionais menores aos investidores, o que geraria uma “competição desequilibrada”[18].
DAS APURAÇÕES REALIZADAS NO ÂMBITO DO INQUÉRITO ADMINISTRATIVO
Das declarações de traders que operaram na mesa proprietária
7. A fim de obter informações mais detalhadas sobre a operação da mesa proprietária da ATOM, a SPS solicitou
esclarecimentos adicionais de 6 (seis) pessoas naturais que atuaram como traders no mesmo período em que ocorreu a
inspeção nas empresas do grupo.
Parecer do CTC 629 (2180256) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 2
8. Tais pessoas foram selecionadas para se manifestar, pois geraram as maiores receitas ao grupo entre o segundo
trimestre de 2017 e o terceiro trimestre de 2018, ou seja, foram as que mais desembolsaram com a aquisição de
produtos oferecidos pela ATOM no período analisado e efetivamente integraram a mesa proprietária, ao conseguirem
ultrapassar a fase educacional prévia.
9. Após analisar as declarações dos traders[19], a SPS apresentou as seguintes considerações:
a) em relação ao perfil dos traders e conhecimento prévio sobre o mercado de valores mobiliários:
(i) foi possível identificar que os investidores que procuravam a ATOM eram profissionais alheios ao mercado
financeiro, com conhecimento nulo ou de nível introdutório sobre o mercado de capitais, e que desejavam
aprender a operar nesse mercado; e
(ii) para isso, buscavam informações indistintamente pela Internet e encontravam a ATOM pelas redes sociais
ou pelo canal da companhia na plataforma Youtube;
b) foi possível identificar também que a motivação para que os investidores iniciassem o relacionamento comercial
com a ATOM estava relacionada com o posicionamento do grupo na Internet, que atraía as pessoas com promessas
de que seriam ensinadas a “extrair o máximo” do mercado e “operar com consistência”[20];
c) não foi possível aferir a qualidade dos serviços educacionais prestados pela ATOM, tendo em vista que, embora
todos tenham relatado fracasso ao operar na mesa proprietária, vários traders reconheceram algum nível de valor
nas informações veiculadas pelos cursos oferecidos;
d) em relação ao funcionamento da mesa proprietária e acompanhamento das operações, foram destacadas as
seguintes afirmações feitas pelos traders:
(i) “um dos planos que me interessei foi o ‘Black Swan’, pois permitia parcelamento do plano e um limite
suficiente para que eu pudesse operar, pagar as mensalidades e me sustentar (...) os resultados de minhas
operações ficavam visualizáveis na própria plataforma da Atom”;
(ii) “as operações eram feitas através da plataforma Profitchart da [Empresa de Software] (...) eles [ATOM] nos
encaminhavam um relatório mensal dos valores e limites disponíveis para cada um de nós [traders]”;
(iii) “era possível visualizar os relatórios de performance pela própria plataforma”;
(iv) “a plataforma é como um robô, você tem que ganhar mais do que perder, pois os ganhos, além de terem
que ser maiores que perdas, ainda se desconta dos ganhos todos os impostos, emolumentos, plataforma,
valor por cada trader, etc. (...) a plataforma é muito autoexplicativa, no que tange a ganhos e perdas, e se
acompanha a todo momento. No entanto, não consegui, quando cheguei a atuar na mesa real (mesa
proprietária da Atom). Depois vi, quando perdi, que somente poderia voltar a atuar na mesa proprietária se
fizesse novo aporte financeiro”; e
(v) “as ordens eram transmitidas por plataforma de negociação (...) acompanhava o resultado das operações
realizadas por meio da mesa proprietária da Atom por e-mail, poderia solicitar uma consulta de saldo ou eles
[ATOM] avisavam”;
e) foi possível verificar que os extratos emitidos pela ATOM aos traders continham o logotipo da companhia, a
movimentação diária da conta e discriminação, em coluna apartada, da cobrança de corretagem;
f) em relação ao ressarcimento de perdas causadas pelas operações dos traders, foram destacadas as seguintes
declarações feitas pelos traders:
(i) “se eu ultrapassasse o limite contratado como perda, eu ficava bloqueado para operar na mesa. Se eu
desejasse voltar a operar, eu tinha que fazer um crédito para a ATOM e assim, voltaria a ter o limite de
operações na plataforma liberado. Não me recordo os valores, porém o crédito não era igual ao limite
perdido”;
(ii) ao ser questionado sobre a realização de eventuais aportes de recursos próprios para operar na mesa, um
dos declarantes afirmou que “não, apenas repunha os prejuízos até o limite contratado”;
(iii) “se acontecesse de termos perdas além dos limites estabelecidos, precisaríamos pagar o valor excedido
pra Atom. Isso era feito através de um depósito na conta deles. Só após isso, poderíamos voltar a operar”;
(iv) ao ser questionado se havia a necessidade de ressarcimento por parte dos traders a eventuais perdas nas
operações, um dos declarantes afirmou que “não exatamente. Passando em um plano de avaliação (pago) ou
adquirindo alguma outra modalidade de acesso direto à mesa real como o ‘Black Swan’, o trader ganhava um
limite de contratos para operar, com um limite de perda total pré-estabelecido. Caso o trader atingisse o limite
de perdas, tinha a opção de não operar mais na mesa real”;
(v) “todas perdas geradas pelas operações faziam com que zerasse a plataforma e você não podia mais atuar
na plataforma, era fechada para sua atuação, e somente aberta com o aporte financeiro das perdas geradas”;
e
(vi) “os prejuízos eram ressarcidos à Atom. Enviavam um e-mail com link e, ao clicar, gerava um boleto. Por
exemplo, de quinhentos reais, mil ou dois mil reais”;
g ) em relação à avaliação após o uso dos serviços do Grupo Atom pelos traders e ao encerramento do
relacionamento, foram destacadas as seguintes declarações:
(i) “como só acumulei prejuízos nas operações que realizei pela ATOM, fui bloqueado e chegou um momento
em que não possuía condições financeiras de continuar operando. Desisti (...) fiquei desapontado por não ter
tido êxito com a ATOM, pois me foi apresentado um case de sucesso como trader que dependeria de apenas
segui-los (passos dos cursos e orientações dos operadores da ATOM), para eu ter sucesso nas operações. Na
prática, não obtive o sucesso e nem consegui me manter no sistema”;
(ii) “a princípio, pensei que ter alguém te acompanhando e orientando seria bom (...) com o tempo, vi que a
ajuda oferecida era a mesma que eu teria se estivesse sozinho. Só demoraria um pouco mais para chegar às
mesmas informações”;
Parecer do CTC 629 (2180256) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 3
(iii) “estava utilizando meus recursos da rescisão do meu último contrato de trabalho para tentar fazer
prosperar nesta nova atividade. Durante o período, me dediquei somente a operar e aprender o máximo
possível sobre o mercado de valores mobiliários. Hoje em dia eu trabalho CLT novamente e opero diretamente
por uma corretora na medida do possível”;
(iv) “fiz uma nova reflexão de tudo, das perdas, ganhos devolvidos, retiradas de valores de plataforma,
emolumentos, valores dos trades, etc., que mesmo ganhando, os ganhos seriam pequenos, e muitas vezes,
não compensariam (...) depois de muitas perdas e reflexão profunda, cheguei à conclusão que era muita
propaganda, muita tentativa de lavagem cerebral e condução do cliente, e resolvi parar”;
(v) “em minha visão, equivocada, realizar operações no mercado de valores mobiliários pela Atom ao invés de
uma corretora teria a vantagem de, no início, por não saber como fazer, ter acompanhamento de alguém com
experiência de mercado, que pegava em um gráfico de preços, traçava algumas linhas de suporte e
resistência e dizia se o preço [iria] se deslocar para tal lado no determinado valor ou próximo, nós vamos
comprar ou vamos vender. Eu não sabia como fazer e o Joaquim Paiffer mostrava o jeito que deveria ser feito,
às vezes dava certo e às vezes não”; e
(vi) “encerrei o relacionamento comercial com a Atom em setembro de 2018. Estava sempre no negativo o
saldo, enviava dinheiro para repor o prejuízo e [arcar] com a cobrança mensal da plataforma; tentava fazer
operação, tinha prejuízo, a conta bloqueava; dessa forma, mês após mês, perdi a esperança. Quando chegou
em setembro de 2018, eu devia um pouco mais de mil reais, paguei e não fiz mais nenhuma operação pela
Atom”.
Das declarações dos diretores do Grupo Atom
10. Instados a se manifestar, os sócios e diretores do Grupo Atom[21] (“Diretoria”), apresentaram, em 30/4/2021,
resposta conjunta aos questionamentos da Área Técnica. Posteriormente, em 16/12/2021, ANA PAIFER prestou
depoimento à CVM com informações e esclarecimentos adicionais.
11. Em relação às atribuições dos diretores do Grupo Atom, a SPS destacou as seguintes informações e declarações
obtidas a partir das manifestações colhidas junto aos investigados:
a) ANA PAIFER atuou como Diretora da BARLETTA CONSULTORIA no período de 31/3/2009 a 23/7/2018 e atua como
Diretora da ATOM desde 30/10/2015, além de exercer outros cargos, desde 2013, em outras empresas do grupo;
b) com relação às suas atribuições, ANA PAIFER declarou: “como fundadora das empresas, as atribuições sempre
foram a nível estratégico em todas elas, como por exemplo, responsável pela estratégia de marketing e vendas,
criação de produtos e serviços, desenvolvimento de estratégias de posicionamento no mercado, além de produtora
de conteúdo, mentora e instrutora em diversos materiais didáticos da Companhia”;
c) JOSÉ PAIFER atuou como Diretor da BARLETTA CONSULTORIA no período de 31/3/2009 a 23/7/2018 e atua como
Diretor da ATOM desde 30/10/2015, além de exercer outros cargos, desde 2013, em outras empresas do Grupo;
d) com relação às suas atribuições, JOSÉ PAIFER declarou: “como fundador das empresas, as atribuições sempre
foram a nível estratégico em todas elas, como por exemplo, responsável pela criação de produtos e serviços,
desenvolvimento de estratégias de mercado, além de produtor de conteúdo, mentor e instrutor em diversos
materiais didáticos da Companhia”;
e) a respeito do modelo de negócios implementado pelo grupo, a Diretoria informou que:
(i) a ATOM e a sua controladora “atuam com atividades educacionais e de tesouraria, com foco na realização
de operações no mercado de bolsa”;
(ii) “a atividade de tesouraria consiste, preponderantemente, na manutenção de uma mesa proprietária de
negociação com valores mobiliários, por meio da qual também são realizados negócios de day trade no
mercado bursátil por meio de prestadores de serviços contratados pela Companhia (“traders”), que se
submetem previamente a um rigoroso processo de avaliação, sendo então selecionados para que operem com
recursos da própria Companhia, dentro de limites operacionais pré-determinados”; e
f) em relação à responsabilidade pela atividade de tesouraria, foi constatado que a estrutura societária do grupo
não previa a figura de um diretor com designação específica responsável pela mesa proprietária[22].
12. Em relação às atividades da área educacional, a SPS destacou as seguintes declarações:
a) feitas pela Diretoria, inicialmente:
(i) “a linha de negócios referente às atividades educacionais da Companhia consiste na oferta de cursos e
produção de conteúdo didático com a finalidade de proporcionar aos investidores o ferramental básico para
realização de operações no mercado de bolsa”;
(ii) “em sua atividade educacional, a venda de material didático e cursos consiste numa prestação de serviços
ao público em geral (ou seja, o aluno é nosso cliente)”; e
(iii) “a receita educacional da Companhia composta por cursos focados de operações de day trade
representam apenas 10%, aproximadamente, da receita originada de suas atividades educacionais nos
últimos 4 anos. Os cursos desenvolvidos pela Companhia possuem conteúdo bastante diversificado”.
b) feitas por ANA PAIFER em depoimento:
(i) “a gente viu a necessidade de criar o sistema educacional por não encontrar tantos profissionais para
trabalhar com a gente”;
(ii) “quando a gente decidiu montar o sistema educacional porque não encontrava esses bons profissionais, a
gente teve um aumento significativo no número de alunos passando para a mesa proprietária. Não é
obrigatório, o sistema de avaliação é independente do sistema educacional”; e
(iii) “Hoje, a área educacional tomou corpo e é muito maior que a finalidade de contratação pela própria
Atom”.
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13. Em relação ao funcionamento da mesa proprietária e à atratividade desse modelo de negócio aos clientes, a SPS
destacou as seguintes declarações feitas pela Diretoria:
a) “a Companhia atua em nome próprio, utilizando apenas seus próprios recursos nas operações realizadas pelos
traders, colaboradores contratados pela Companhia, nos termos e condições do respectivo contrato de prestação
de serviços”;
b) “as vantagens de se operar por meio de uma mesa proprietária como a da Atom são muitas. Em primeiro lugar,
o trader não compromete seu patrimônio pessoal nas operações que ele realiza, não sendo sequer necessário
aportar garantias junto à instituição intermediária contratada pela Atom para realizar as operações.
Adicionalmente, a mesa proprietária proporciona ao trader um ambiente controlado onde ele pode realizar
operações, de acordo com a filosofia da Atom, com auxílio de um excelente sistema de gerenciamento de risco, ao
qual a Atom dedicou especial atenção, por ser um elemento de fundamental importância para o sucesso de sua
atividade”;
c) “o apelo do modelo de negócios para os traders reside na centralização, pela Atom, de todos os controles e o
acompanhamento das operações aos traders, que contam com um ambiente seguro e dotados de maiores
facilidades para realizarem suas operações” (grifado pela SPS); e
d) “a passagem pela mesa proprietária da Atom é vista como uma etapa de aprendizagem necessária antes de
decidirem operar por conta própria, pois lhes permite adquirir confiança e conhecimentos imprescindíveis para
obter bons resultados com suas operações”.
14. Em relação ao processo avaliativo para ingressar à mesa proprietária, a SPS destacou algumas declarações obtidas
junto aos investigados, apresentou informações adicionais colhidas sobre os planos avaliativos da ATOM e fez uma
análise sobre a suposta gratuidade dos limites iniciais concedidos aos traders, manifestando-se, em resumo, da
seguinte forma:
a) ANA PAIFER prestou as seguintes declarações sobre o assunto:
(i) “a gente conseguiu criar um sistema de avaliação onde essas pessoas poderiam testar se elas realmente
estavam aptas ou não a operar com o nosso capital e aí a gente desenvolveu toda uma estatística por trás
disso; são no mínimo 5 dias de operações, para que o trader ou a pessoa que esteja sendo avaliada, não seja
por sorte, tenha escolhido um lado bom do mercado naquele dia e tenha a ilusão de que é um bom operador;
são no mínimo 5 dias e no máximo 30 dias que a pessoa tem para ser avaliada. Dentro desse prazo, ela tem
uma meta de ganho, que ela precisa atingir, dentro dos critérios, respeitando as quantidades de ações ou de
contratos futuros que ela operar; a gente tem três sistemas de avaliação: juros futuros – mercado de DI,
mercado de ações e mercado de dólar e índice. A pessoa que está sendo avaliada pode escolher em qual
desses mercados ela quer operar e a quantidade que ela pode operar. Respeitando a quantidade, batendo a
meta e respeitando os limites de perda, esta pessoa está aprovada. Isso fez com que a gente pudesse
aumentar o número de pessoas dentro do nosso time, que era sempre o objetivo”;
(ii) a avaliação é paga e, caso o aluno tenha adquirido determinados cursos preparatórios, ele pode fazê-la
sem custo adicional: “... o [curso] ‘take profit’ tem como finalidade levar o aluno para a avaliação, que é o
nosso objetivo de trazer mais profissionais para o nosso time”;
(iii) “o ingresso é muito rápido, temos cases de alunos que em 30 dias entraram para o nosso time, em dois
meses, um tempo bem rápido, e fizeram um único curso. E tem pessoas que fizeram mais de um curso e
nunca ingressaram porque não têm interesse”; e
(iv) “70% dos nossos alunos não fizeram a avaliação e tem a opção de fazer a avaliação”;
b) de acordo com essas informações, é possível concluir que, para cada aluno que efetivamente faz a avaliação
para integrar a mesa, há, pelo menos, outros dois alunos que adquiriram o direito de serem avaliados, mas que, por
algum motivo, não fazem a avaliação;
c) os seguintes planos avaliativos eram disponibilizados pelo Grupo Atom[23]:
(i) plano “Plus 3.0” pelo valor de R$ 980,04 (12 parcelas de R$ 81,67), contando com limite de perda máxima
no valor de R$ 1.500,00; e
(ii) plano “Max 3.0” pelo valor R$ 1.200,00 (12 parcelas de R$ 120,00), contando com limite de perda máxima
de R$ 2.000,00;
d) antes da aprovação, tais limites são aplicados em operações simuladas na plataforma desenvolvida pelo grupo;
e) caso o aluno seja aprovado na avaliação e ingresse na mesa, é concedido limite inicial no valor de R$ 1.001,00
para o trader que tenha adquirido o plano Plus 3.0, e de R$ 1.501,00, para aqueles que adquiriram o plano Max 3.0,
conforme estabelecido no “scaling plan” da companhia;
f) há que se discutir a argumentação dos investigados de que os limites iniciais são concedidos gratuitamente aos
traders e constituem o capital da mesa:
(i) levando em conta a informação de que 70% dos alunos não fazem a avaliação e considerando o plano Plus
3.0, para cada avaliação bem-sucedida, que resulta na geração de um limite inicial concedido no valor de R$
1.001,00, seria gerada, no mínimo, receita ao grupo no valor de R$ 2.254,09 (2,3 x 980,04);
(ii) da mesma forma, no caso do plano Max 3.0, cada limite de R$ 1.501,00 concedido pela mesa
corresponderia, no mínimo, a uma receita no valor de R$ 2.760,00 (2,3 x 1.200,00);
(iii) tal cálculo seria um piso mínimo de receita gerada com cobrança aos traders, visto que não foram
consideradas as situações em que o mesmo trader repete o ciclo avaliativo várias vezes, como relatado por
um dos traders à investigação e admitido pela própria ANA PAIFER[24];
g) ANA PAIFER declarou que “existe um processo de avaliação que existe custo. A plataforma não é nossa, a gente
não tem o domínio da tecnologia, a gente tem um custo para fazer esse processo de avaliação e é esse custo que o
interessado paga” e que “dentro desse simulador, a gente tem um controle de risco muito claro, que é o mesmo
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utilizado na conta real. Importante dizer que essa plataforma é a mesma que o nosso trader usa na mesa
proprietária. Ele sempre está operando com as mesmas condições do mercado real” (grifado pela SPS);
h) a justificativa de que os valores cobrados do trader durante o processo avaliativo seriam destinados a cobrir os
custos da plataforma sistêmica mostra-se contrária aos fatos, pois:
(i) o custo mensal cobrado pelo uso da plataforma é de R$ 179,00, o que corresponde a 18,3% do custo do
produto Plus 3.0 e a 14,9% do custo do produto Max 3.0; e
(ii) não faria sentido cobrar valores distintos para processos avaliativos que se diferenciam justamente pelo
limite operacional concedido tanto no ambiente simulado como no ambiente real, em caso de aprovação, se o
motivo da cobrança fosse apenas o de cobrir os custos da plataforma;
i) assim, a cobrança pelos cursos que fazem parte do sistema avaliativo para ingresso na mesa, a despeito da
alegação de integrarem a receita da atividade educacional da empresa e proporcionarem algum ativo intangível ao
trader, na realidade cobre, com sobras, os valores que a minoria de clientes aprovados no processo avaliativo
receberá a título de limite inicial “gratuito” para operar na mesa, podendo-se inferir que parte dessa cobrança se
destina a esse fim; e
j) a própria ANA PAIFER, ao afirmar em depoimento que “A Atom existe justamente com a intenção de encontrar
bons profissionais para fazer parte da sua mesa, para isso, a gente desenvolveu esse sistema de avaliação, para
que a gente pudesse avaliar mais pessoas”, revela que todo o processo foi desenhado para captar pessoas para
operar em sua mesa.
15. Em relação às operações realizadas pelos traders, às eventuais perdas e às receitas apuradas com a atividade da
mesa proprietária, após análise da manifestação dos investigados e das informações colhidas no âmbito da inspeção
realizada pela SSR, a SPS apresentou, em resumo, as seguintes considerações:
a) a Diretoria apresentou as seguintes informações sobre as receitas geradas e quantidade de traders que
operaram na mesa proprietária no período de 2017 a 2020:
Tabela 1: Receitas geradas e quantidade de traders que operaram na mesa
b) adicionalmente, as receitas obtidas pela mesa proprietária no período foram detalhadas da seguinte forma pela
Diretoria:
Tabela 2: Detalhamento das receitas obtidas pela mesa proprietária
c) a partir das informações obtidas no âmbito da inspeção, foi possível detalhar as receitas e despesas relativas às
vendas de produtos incorridas entre outubro de 2017 e junho de 2018, inclusive aquelas relacionadas à mesa
proprietária:
Tabela 3. Receitas apuradas pela ATOM no período de out/2017 a jun/2018
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d) sobre as razões de permitir que os traders realizassem somente operações em day trade, a Diretoria afirmou
que:
(i) “o modelo da Atom foi inspirado [em] uma empresa com sede em Chicago, IL, que avalia o desempenho
dos day traders em contas simuladas em tempo real. Os traders que passam na avaliação da empresa ganham
uma conta de negociação financiada e negociam nos mercados financeiros usando o capital da empresa”
(grifo da SPS); e
(ii) “as operações de day trade permitem uma maior alavancagem, ao mesmo tempo uma proteção maior
contra eventos que possam afetar o comportamento do mercado”;
e) sobre o termo “conta de negociação financiada”, ANA PAIFER e seu advogado esclareceram que:
(i) “a companhia não financia os traders, não dá financiamento a ninguém, ela opera no mercado em seu
próprio nome, com seu próprio patrimônio, os traders são prestadores de serviço que executam essas
operações. Não existe uma concessão de financiamento. Seria uma atividade privativa de instituição
financeira e haveria uma ilegalidade gritante no modelo de negócios”; e
(ii) “quando a gente fala em financiamento é porque a gente está liberando o limite do nosso capital. Nós
estamos permitindo que essas pessoas tenham acesso ao mercado, mas não existe nenhum contrato
diferente desse que a gente enviou para vocês, onde é o comissionamento contemplado em cima do lucro,
onde é declarado todo o projeto, os custos, tudo que é envolvido”;
f) conforme verificado a partir das informações obtidas no âmbito da inspeção, as operações em day-trade
cursadas em nome da mesa proprietária geraram, ao menos no período de out/17 a jun/18, prejuízo em todos os
meses analisados, acumulando perda da ordem de R$ 918 mil;
g) sobre a forma como eram controladas e registradas as operações executadas pelos traders na mesa
proprietária, a Diretoria confirmou que a ATOM é a titular da conta na Corretora e os traders são cadastrados como
pessoas autorizadas a emitir ordem em nome da companhia;
h) sobre o controle das subcontas dos traders, a Diretoria declarou o seguinte:
(i) “a Companhia possui junto a [Empresa desenvolvedora de Software], um sistema gerencial, onde são
cadastradas as subcontas dos traders no qual são estabelecidos os limites e permissões individuais de cada
trader”; e
(ii) “no sistema interno da Companhia, são cadastrados os perfis de risco e os limites disponibilizados para
cada trader. As operações são registradas para cada trader, individualmente, no sistema de gerenciamento de
risco próprio da Companhia, submetendo-se ao OMS[25] próprio custeado pela Companhia, que possui
interface com a plataforma de negociação da corretora. A exposição a risco das operações de cada trader é
monitorada em tempo real. O limite de risco imposto a cada trader, individualmente, é aplicado de forma
compulsória mediante a zeragem de suas operações, mediante ordens comandadas de forma automática pelo
sistema de gerenciamento”;
i) sobre o ressarcimento de eventuais perdas advindas de operações comandadas pelos traders, a Diretoria
esclareceu que “o Contrato de Prestação de Serviços não prevê tal obrigatoriedade, exceção feita apenas ao
montante que eventualmente superar o limite atribuído a cada operador, individualmente, o que ocorre apenas
excepcionalmente, em operações envolvendo ativos de maior volatilidade. Assim sendo, os riscos inerentes às
operações são assumidos integralmente pela Companhia, que figura como contraparte de todas as operações
cursadas em bolsa” (grifo da SPS);
j) a declaração da Diretoria sobre o ressarcimento de perdas por parte dos traders apresenta divergência em
relação aos fatos apurados:
(i) como já mencionado, com exceção da primeira faixa de limites operacionais concedida aos traders, as
demais faixas estabeleciam que o limite de perdas estava restrito ao saldo de ganhos acumulados pelos
traders com suas operações;
(ii) ou seja, com exceção das operações executadas pelos traders alocados na primeira faixa de limite, o
capital da mesa estaria protegido de perdas pela gestão de risco imposta pela plataforma de negociação;
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k) a própria Diretoria declarou que, “em caso de atingimento do limite disponibilizado, a plataforma
automaticamente zera a posição do trader, e não o deixa realizar novas operações”;
l) nesse caso, se o trader quisesse continuar operando pela plataforma, deveria realizar novos desembolsos para
refazer o ciclo educacional e a avaliação ofertados pela empresa até que fosse novamente habilitado a operar na
mesa;
m) apesar de considerar o trader que tenha ultrapassado o limite de perdas inapto a operar na plataforma, por
“não ter logrado aprender a filosofia de risco preconizada pela Companhia”, a ATOM disponibilizava a alguns de
seus clientes o produto Atom Direct, que permitia ao trader suspenso adquirir novo limite na mesa, saltando todo o
processo de reciclagem educacional.
16. Em relação aos produtos Atom Direct e Black Swan, a SPS apresentou os seguintes destaques e considerações em
relação à manifestação dos investigados:
a) a Diretoria declarou que o produto Atom Direct “é uma faculdade disponibilizada para os traders que queiram
recompor o limite das operações e continuar operando por intermédio da mesa proprietária, nos termos do
Contrato de Prestação de Serviços”;
b) ANA PAIFER declarou que “o nosso sistema padrão é o sistema de avaliação, não existe nenhum tipo de
divulgação do Atom Direct e ele só foi permitido como uma solução para poder criar menos stress com as pessoas
que faziam parte do nosso time. Isso podia acontecer com um trader que estava há muito tempo com a gente e
que teve um dia ruim. Se ele estava ciente que gerou um prejuízo e deveria arcar com o prejuízo, foi criado o Atom
Direct, mas reforço que não é um modelo que nós gostamos, nem incentivamos ou divulgamos, porque ele quebra
justamente o que a gente mais discute, que é a responsabilidade da gestão de risco”;
c) ao ser questionada se houve período específico em que o produto Atom Direct foi mais utilizado, ANA PAIFER
pontuou que, “em relação a hoje, sim, teve, até pelo fato de que os traders se falam, então, à medida em que um
aciona uma solução, os outros também querem acionar”;
d) a afirmação de ANA PAIFER de que a venda do Atom Direct não era incentivada junto aos traders é contraditada
por evidência colhida junto a pessoa que integrou a mesa proprietária, mostrando que a ATOM fazia contato por email com os traders suspensos por terem atingido o limite de perdas para oferecer o produto Atom Direct;
e) o custo de aquisição do produto Atom Direct, a partir de R$ 1.000,00, coincidia com o valor da primeira faixa de
limite ofertada para operar na mesa (R$ 1.001,00);
f) foi possível concluir que, mesmo a primeira faixa de limite de operação ofertada aos traders, não representava
risco para o capital da mesa, uma vez que, para ter acesso a esse limite, o trader já teria desembolsado este valor
à empresa, seja por meio da compra dos cursos avaliativos, ou pela aquisição do atalho proporcionado pelo Atom
Direct;
g) a própria Diretoria, ao afirmar que, “trata-se, portanto, de um ressarcimento facultativo, que o trader pode optar
por fazer, voluntariamente, para continuar operando por intermédio da mesa proprietária da Atom”, respalda esse
entendimento;
h) em relação à contabilização da receita obtida com a venda do produto Atom Direct, foi possível verificar que a
entrada da receita gerava uma contrapartida de despesa em igual valor, a título de “limite operacional de traders”,
ou seja, o suposto ressarcimento de perdas era, na realidade, uma nova aquisição de limite para que o trader
pudesse continuar operando;
i) para a contabilidade da ATOM, seria como se os recursos provenientes da venda do produto Atom Direct não
pertencessem à Companhia, mas aos traders, sendo possível concluir que a compra do Atom Direct correspondia a
um depósito feito pelo trader em sua subconta na mesa proprietária;
j) o produto Black Swan consistia em um pacote de cursos em que o cliente adquiria simultaneamente o limite para
operar na mesa real, sem a necessidade de ser aprovado no processo avaliativo;
k) sobre esse produto, ANA PAIFER declarou:
(i) “o Black Swan foi criado para incentivar, nem todos que fazem nossos cursos entram para a mesa, então
era um curso mais enfático para isso, tinha muito mais atendimento ao vivo do Joaquim com os alunos, com
acompanhamento durante três meses, que o objetivo final era eles operarem. Ele foi incentivado para os
alunos que já tinham feito outros cursos, mas não tinham feito ou tinham passado na avaliação”;
(ii) “A intenção desse curso foi a de levar mais pessoas para a mesa. Na época, tinha essa opção dele já
ingressar, mudamos o sistema para que ele já pudesse ingressar automaticamente na nossa mesa. Não
continuamos com esse processo porque ele acaba trazendo um prejuízo para a companhia. A gente
descontinuou esse produto porque a gente percebeu que a nossa estatística piorou. As pessoas que
ingressaram dessa maneira não eram pessoas lucrativas para nós. A gente reavaliou isso, limitamos a
reentrada exclusivamente para os colaboradores, o Atom Direct, só quem já está na mesa poderia ter essa
opção. Tanto que esse curso nem existe mais, só fez uma vez em 2018, se não me falha a memória, e a gente
viu que não seria lucrativo para a companhia”.
17. Em relação à cobrança dos custos das operações cursadas pelos traders, a SPS apresentou as seguintes
considerações e destaques em relação à manifestação dos investigados:
a) foi confirmado pela Diretoria que, embora a ATOM fosse formalmente a titular das operações realizadas pelos
traders, havia o repasse dos tributos e outros custos de transação associados, o qual estava estabelecido no
contrato de prestação de serviços[26];
b) apesar de estarem formalmente vinculados à mesa na qualidade de prestadores de serviços, os traders eram, na
realidade, os responsáveis por todos os custos inerentes às operações cursadas por meio da plataforma da ATOM,
visto que esses custos eram subtraídos do limite atribuído ao trader, não importando se essas operações geravam
lucro ou não;
c) dentre os custos arcados pelos traders, destaca-se o que a ATOM denominava de “custos operacionais”, os quais
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também estavam discriminados no contrato de prestação de serviços;
d) tais custos incidiam em todas as operações cursadas pelos traders e correspondiam ao repasse da corretagem
cobrada pela intermediação das operações trafegadas pela plataforma mantida pela ATOM;
e) em relação a esses custos, a Diretoria afirmou que “os valores cobrados dos traders são definidos em razão dos
custos totais incidentes sobre as operações realizadas por intermédio da mesa proprietária, o que inclui todos os
custos com emolumentos da bolsa, desenvolvimento e manutenção de sistemas próprios, além de todos os custos
indiretos relacionados à manutenção das atividades da Companhia”;
f) questionada sobre as razões de cobrar dos traders taxas que excediam o mero repasse da corretagem pactuada
entre a ATOM e a Corretora, a Diretoria argumentou que “a diferença entre taxas de corretagem são fruto de uma
negociação da Companhia com sua corretora, na qual a Companhia assumiu diretamente alguns custos
anteriormente de responsabilidade da corretora, em especial o OMS[27] utilizado para gerenciar as operações feitas
pelos traders de forma individualizada, bem como o custo com o sinal fornecido pela da B3 e ‘Cap’ (pacote de
operações), valores estes que eram debitados diretamente da conta [da Atom] na corretora. Como esses custos
continuam onerando a Companhia, seu repasse aos traders permanece sendo necessário”;
g) ao absorver “custos anteriormente de responsabilidade da corretora”, a ATOM também incorporou
responsabilidades junto à instituição intermediária e repassou tais custos aos traders que operavam por meio de
sua mesa proprietária;
h) no entendimento da Diretoria, tal fato não caracterizaria a atuação da ATOM como intermediário irregular: “a
Companhia não exerce atividade de intermediação, figurando apenas como comitente nas operações cursadas em
bolsa. Nessa condição, a Companhia paga corretagem à corretora por meio da qual suas operações são realizadas,
efetuando o repasse desse e dos demais custos incidentes sobre as operações, como explicado acima” (grifo da
SPS);
i) o repasse dos custos operacionais estaria relacionado ao comissionamento dos eventuais lucros obtidos pelo
trader, o qual, para ser viável economicamente, deveria ser calculado em cima do lucro líquido, conforme
declarado por ANA PAIFER: “a gente tem um faturamento, a gente tem custos envolvidos e a gente tem o lucro...
[um dos custos é tributo] a gente paga todos os custos normais que ele arcaria como pessoa física, a gente paga
como pessoa jurídica.... isso é padrão de qualquer prestação de serviços, você tira os custos [para distribuir o
lucro], eu tenho outras atividades, investimentos em startups, onde, ao contratar, ter um contrato onde você tem
uma ‘variável’, não tem um ‘fixo’ envolvido, o padrão é que você coloque em cima do resultado líquido, senão vai
gerar um prejuízo para a companhia. Se a gente pagasse os custos da Bolsa mais tributação e o trader não
colaborasse com esses custos, geraria um prejuízo, essa conta não fecharia e a empresa quebraria. Pelo simples
motivo que são custos que nós estamos pagando e é um contrato de renda variável, de comissionamento, que não
existe um valor fixo onde a gente não tem uma exclusividade, ele não presta nenhum tipo de serviço para nós,
obrigatoriamente falando, acaba incidindo a comissão em cima dos lucros, então são tirados os custos”;
j) tal explicação, que relaciona a cobrança dos custos das operações ao comissionamento do suposto lucro obtido,
não esclarece o fato de que tais custos eram cobrados pela ATOM mesmo nos casos em que as operações geravam
prejuízo, ou seja, quando não havia lucro a ser repartido, como restou constatado em extrato fornecido por um
trader à investigação;
k) conforme se depreende das manifestações colhidas junto aos traders e do resultado negativo com operações no
mercado futuro contabilizado pela mesa no período analisado, pode-se inferir que os casos de traders bemsucedidos ao ponto de receberem parte dos lucros gerados por suas operações eram raros;
l) de acordo com informações colhidas no âmbito da inspeção, foi possível constatar que os repasses aos traders,
decorrentes de remuneração de suas operações, representaram, no período de out/17 a jun/18, o valor de apenas
R$ 78 mil e, conforme verificado, a maior parte deste montante foi atribuída a um único trader;
m) o baixo resultado obtido pelo conjunto dos traders foi admitido por ANA PAIFER em seu depoimento, e o
insucesso dos prestadores de serviço, segundo ela, seria devido à “falta de disciplina”[28];
n) a Diretoria negou ter apurado receitas de corretagem advindas das operações dos traders, admitindo que tal
possibilidade seria restrita às instituições regularmente cadastradas nesta CVM;
o) os custos relativos às operações e cobrados dos traders eram computados na plataforma ProfitPro/ProfitPlus e
debitados contra os limites dos traders, conforme observado em extrato de cliente obtido pela investigação, ou
seja, tais custos ficam restritos à contabilidade gerencial da Companhia, não sendo registrados pela contabilidade
“oficial”;
p) ainda, as seguintes declarações sobre os custos operacionais repassados aos traders foram feitas pela Diretoria:
(i) “o montante e a forma como são repassados os custos incidentes sobre a atividade de mesa proprietária
representam um ajuste privado entre a Companhia e seus prestadores de serviços, e decorrem de decisões
gerenciais que buscam viabilizar o compartilhamento, entre a Companhia e os traders, das despesas e das
receitas originadas por essa atividade”;
(ii) “entendemos que nossos traders têm pleno conhecimento de que estão livres para operar por conta
própria, utilizando-se de intermediários que podem lhes proporcionar custos menores. A opção dos que
permanecem com a Atom decorre, no nosso entender, das vantagens propiciadas pelo modelo de mesa
proprietária: (i) o trader não compromete seu patrimônio pessoal nas operações que ele realiza; (ii) a Atom
oferece as garantias que margeiam as operações realizadas por intermédio da mesa proprietária, sem ônus
para os traders; (iii) a mesa proprietária proporciona ao trader um ambiente controlado onde ele pode realizar
operações, de acordo com a filosofia da Atom, com auxílio de um excelente sistema de gerenciamento de
risco; (iv) a Atom se responsabiliza pelo gerenciamento da relação com o intermediário, pelo pagamento
[recolhimento] de impostos e todos os demais aparatos necessários para realização das operações ”;
(iii) “em síntese, a motivação para o repasse dos custos de corretagem pelo valor cheio decorre da decisão da
Atom de centralizar internamente todos os controles e o acompanhamento das operações aos traders, que
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contam com um ambiente seguro e dotados de maiores facilidades para realizarem suas operações”; e
q) por fim, a Diretoria declarou não ter implementado mudanças relevantes em seu modelo de negócios após a
realização da inspeção pela CVM, e que “considera que seu modelo de negócios está em plena conformidade com o
ordenamento jurídico, e encontra respaldo na Lei nº 13.874/2019 (Lei da Liberdade Econômica), como expressão da
livre iniciativa e do livre exercício de atividade econômica. Segundo seu melhor entendimento, a Companhia não
viola nenhuma disposição da Lei nº 6.385/1976 ou de quaisquer normas editadas pela CVM”.
DA MANIFESTAÇÃO DA ÁREA TÉCNICA
18. De acordo com a Área Técnica, a partir da análise empreendida, foi possível concluir que a atuação da mesa da
ATOM se dava de forma análoga a um intermediário no mercado de valores mobiliários, em inobservância ao disposto
no art. 2º da então vigente ICVM 505, tendo em vista, especialmente, que:
a) seu modelo de negócio consistia em atrair, por meio de marketing digital em redes sociais e páginas na Internet,
pessoas interessadas em aprender a operar daytrades e obter resultados robustos e de curto prazo;
b) tais pessoas passavam por uma fase inicial, paga, de treinamento na área educacional da companhia e, ao final,
caso atingissem os requisitos estabelecidos, assinavam contrato de prestação de serviços e recebiam acesso a uma
subconta na mesa, gerenciada pela ATOM;
c) apesar de a relação contratual formal ser de prestação de serviços dos traders à mesa, na realidade, a ATOM
funcionava como prestadora de serviços, provendo a infraestrutura sistêmica e limites operacional e de perdas
diária e total para que os traders realizassem suas operações;
d) o risco das operações era absorvido pelos traders, que incorriam em todos os custos operacionais associados e
eram obrigados contratualmente a repor perdas acima dos limites de risco definidos pela ATOM;
e) além da reposição das perdas, caso ultrapassassem o limite concedido pela mesa, os traders eram obrigados a
contratar novo limite, por meio de novos desembolsos à área educacional ou pela contratação direta do produto
Atom Direct, para que pudessem voltar a operar; e
f) ficou constatado que a ATOM cobrava corretagem diferencial pelas operações cursadas em sua mesa, pois, de
acordo com a própria companhia, ela assumiu obrigações e custos inerentes à entidade intermediária com a qual
mantinha contrato.
19. Ainda, de acordo com a SPS, no período de outubro de 2017 a junho de 2018, a ATOM:
a) teve perda acumulada de cerca de R$ 918 mil com as operações de daytrade que trafegaram por sua mesa; e
b) recebeu, levando em conta as receitas obtidas com os produtos Atom Direct e Black Swan, aportes no valor de
R$ 1,08 milhão de seus clientes, a título de reabastecimento dos limites operacionais em suas respectivas
subcontas na mesa;
20. Por fim, tendo em vista que a estrutura societária do Grupo Atom não prevê um diretor com designação específica
responsável pela mesa proprietária, a SPS propôs, também, a responsabilização dos diretores fundadores do grupo,
ANA PAIFER e JOAQUIM PAIFER, por intermediação irregular, uma vez que ambos atuaram como Diretores na BARLETTA
CONSULTORIA e na ATOM e, conforme informado por eles[29], tinham atribuições no nível estratégico em todas as
empresas do grupo.
DA RESPONSABILIZAÇÃO
21. Diante do exposto, a SPS propôs a responsabilização dos PROPONENTES, por atuarem como intermediário no
mercado de valores mobiliários sem autorização para tal, em infração, em tese, ao inciso III do art. 16 da Lei nº
6.385/76 e ao art. 2º da então vigente ICVM 505.
DA PROPOSTA DE TERMO DE COMPROMISSO ANTERIOR REJEITADA PELO COLEGIADO
22. Em 05.05.2023, os PROPONENTES apresentaram proposta conjunta para celebração de Termo de Compromisso, em
que ofereceram pagar à CVM o valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) para o encerramento antecipado do
processo. Adicionalmente, com a finalidade de cessar a prática considerada ilícita, foram propostos alguns ajustes no
modelo de negócios da ATOM, de forma a permitir a continuidade da mesa proprietária sem as características que
levaram à SPS a equiparar a atividade à intermediação de operações no mercado de valores mobiliários.
23. Em razão do disposto no art. 83 da Resolução CVM nº 45/2021[30] (“RCVM 45”), a Procuradoria Federal
Especializada junto à CVM (“PFE-CVM”) apreciou, à luz do art. 11, § 5º, incisos I e II, da Lei nº 6.385/1976, os aspectos
legais da proposta então apresentada, tendo opinado pela inexistência de óbice jurídico à celebração de termo de
compromisso.
24. Em reunião realizada em 04.07.2023, o Comitê de Termo de Compromisso (“Comitê” ou “CTC”), tendo em vista o
disposto no art. 83 c/c o art. 86, caput, da RCVM 45[31], entendeu que seria possível discutir a viabilidade de um ajuste
para o encerramento antecipado do caso.
25. Assim, diante das características que permeiam o caso concreto e considerando, em especial, (a) o disposto no art.
86, caput, da RCVM 45; (b) o histórico dos PROPONENTES[32]; (c) o porte e a visibilidade de atuação da sociedade
envolvida; e (d) que a irregularidade, em tese, se enquadraria no Grupo V do Anexo A da RCVM 45, o Comitê propôs o
aprimoramento da proposta apresentada, com assunção de obrigação pecuniária, em parcela única, no valor total de
R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais), sendo:
a) R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) a serem pagos pela ATOM;
b) R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) a serem pagos por ANA PAIFER;
c) R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) a serem pagos pela BARLETTA CONSUTORIA; e
d) R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) a serem pagos por JOSÉ PAIFER.
26. Adicionalmente, o Comitê destacou que os PROPONENTES deveriam apresentar documentação apta a comprovar
que os ajustes propostos no modelo de negócios, com a finalidade de atender ao requisito legal que trata da cessação
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da prática considerada ilícita, foram implementados.
27. Em 03.08.2023, os PROPONENTES apresentaram contraproposta no valor total de R$ 500.000,00 (quinhentos mil
reais), sendo:
a) R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) a serem pagos pela ATOM;
b) R$ 100.000,00 (cem mil reais) a serem pagos por ANA PAIFER;
c) R$ 100.000,00 (cem mil reais) a serem pagos pela BARLETTA CONSUTORIA; e
d) R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) a serem pagos por JOSÉ PAIFER.
28. Em relação à apresentação da documentação apta a comprovar a cessação da prática considerada ilícita, foi
informado que os PROPONENTES estariam “a poucos passos de corrigir a irregularidade que lhes foi imputada”.
29. Ao analisar a nova proposta apresentada, o Comitê decidiu reiterar, por seus próprios e jurídicos fundamentos, os
termos da negociação deliberada em 04.07.2023.
30. Em 29.08.2023, os PROPONENTES se manifestaram por manter os termos da nova proposta apresentada em
03.08.2023, no valor total de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).
31. Diante disso, e tendo em vista o disposto no art. 83 c/c o art. 86, caput, da RCVM 45, e considerando, em especial,
que o valor proposto ficou distante do que foi considerado como a contrapartida adequada e suficiente para o
encerramento antecipado do caso, o Comitê decidiu opinar junto ao Colegiado pela rejeição da proposta apresentada.
32. Em 14.11.2023, o Colegiado, por unanimidade, acompanhando o parecer do Comitê, deliberou pela rejeição da
proposta conjunta de Termo de Compromisso apresentada.
DA NOVA PROPOSTA DE TERMO DE COMPROMISSO
33. Em 07.03.2024, os PROPONENTES apresentaram nova proposta para celebração de Termo de Compromisso, no
valor antes proposto pelo Comitê de R$ 3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais), em 6 (seis) parcelas mensais,
sendo:
a) R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) a serem pagos pela ATOM;
b) R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) a serem pagos por ANA PAIFER;
c) R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) a serem pagos pela BARLETTA CONSULTORIA; e
d) R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) a serem pagos por JOSÉ PAIFER.
34. Adicionalmente, e em linha com o que foi apresentado na proposta anterior, e considerando compromisso
pretendido de acatar as orientações emanadas da CVM e cumprir fielmente as normas legais e infralegais que regem o
funcionamento do mercado de valores mobiliários, os PROPONENTES detalharam os ajustes que foram realizados no
Contrato de Prestação de Serviços e no Regulamento da mesa proprietária a fim de: (a) eliminar o direito de regresso, o
“diferencial de corretagem” e a possibilidade de contratação de novo limite; e (b) ajustar o Scaling Plan. Além disso,
informaram sobre a inclusão de disclaimer, em página na Internet, de que a ATOM não presta serviços de
intermediação de operações com valores mobiliários e nem está autorizada pela CVM a prestar tais serviços.
DA MANIFESTAÇÃO DA PROCURADORIA FEDERAL ESPECIALIZADA (“PFE-CVM”)
35. Em razão do disposto no art. 83 da RCVM 45, e conforme PARECER n. 00058/2024/GJU-2/PFE-CVM/PGF/AGU e
respectivos Despachos, a PFE-CVM apreciou os aspectos legais da proposta apresentada e opinou pela inexistência de
óbice jurídico à celebração do Termo de Compromisso.
36. Em relação ao requisito constante dos incisos I (cessação da prática) e II (correção das irregularidades) do § 5º do
art. 11 da Lei nº 6.385/1976, a PFE-CVM considerou que:
“Relativamente a essa primeira condição normativa, observa-se que a r. área técnica se
manifestou no sentido de que:
Basicamente, a acusação se fundamenta em:
(i) risco transferido da Atom para os traders, na medida em que os recursos operados são
limitados, em média, a valores menores do que o investimento dos traders nos cursos
oferecidos, e os traders devem por contrato indenizar a Atom se o prejuízo ultrapassar o
limite de operação contratado;
(ii) a possibilidade do que entendemos ser uma “compra de margem” por meio do Atom
Direct;
(iii) à medida que a corretagem repassada aos traders era superior ao efetivamente gasto,
a Atom auferia lucro com corretagem. Esses elementos, em nosso entendimento,
tornavam a atuação semelhante à de uma corretora.
Os ajustes propostos incluem (i) eliminação do “direito de regresso”, retirando a obrigação
dotrader de ressarcir a Atom quando as perdas forem maiores que o seu limite; (ii)
eliminação do “Atom Direct” ou a compra de margem; e (iii) eliminação do “diferencial de
corretagem”, não repassando os custos de intermediação aos traders.
Em nosso entendimento, esses ajustes, em tese, retirariam esses elementos de atuação
semelhante à de corretora, fazendo com que não fosse possível fazer a comparação para
sustentar uma acusação de intermediação irregular.
Analisando os documentos trazidos pelos proponentes com a nova Proposta, verificamos
que o “Novo Modelo de Contrato” [de prestação de serviços entre a Atom Traders
Publicações Ltda. e os traders] (doc. 1994103) e o “Regulamento Mesa Proprietária” (doc.
1994104), em tese, contemplam os ajustes prometidos pelos proponentes na proposta
anterior, quais sejam, a eliminação (i) das obrigações de ressarcir do trader, (ii) da compra
de margem e (iii) do repasse de corretagem com “diferencial”.
Parecer do CTC 629 (2180256) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 11
Assim, entendemos que, da forma como se apresenta o modelo de negócio da
Atom trazido na presente proposta, não se encontram presentes indícios de que,
em tese, persistam as irregularidades identificadas no curso dos processos pré
sancionadores que foram objeto do presente PAS.
Por fim, entendemos que, em sede de atesto de eventual Termo de Compromisso, a
SPS terá meios de averiguar, na prática, se o que está sendo proposto foi
efetivamente implementado, e se a conduta considerada irregular praticada foi
efetivamente cessada. (Destacou-se)
Dessa forma, não havendo, neste momento indícios de atualidade da prática
irregular e tendo sido oferecido montante considerado suficiente à compensação dos
danos difusos causados ao mercado e ao atendimento das funções preventiva e
pedagógicas que também devem ser alcançadas pela solução consensual, não se
vislumbra óbice à celebração de Termo de Compromisso com ATOM TRADERS e
PUBLICAÇÕES S.A; ANA CAROLINA PAIFER, JOSÉ JOAQUIM PAIFER e BARLETTA
CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA.
Vale observar que o processo sancionador terá seguimento, se a r. SPS, em sede de
nova supervisão, constatar que a conduta considerada irregular não foi efetivamente
cessada.” (Grifado)
DA NEGOCIAÇÃO DA PROPOSTA DE TERMO DE COMPROMISSO
37. Em reunião realizada em 27.08.2024, o Comitê, tendo em vista: (a) o disposto no art. 83 c/c o art. 86, caput, da
RCVM 45; e (b) o fato de já ter havido negociação anterior com os PROPONENTES no âmbito deste PAS, entendeu que
seria possível discutir a viabilidade de um ajuste para o encerramento antecipado do caso em tela e, consoante faculta
o disposto no art. 83, §4º, da RCVM 45, decidiu NEGOCIAR as condições da nova proposta apresentada.
38. Assim, e considerando, em especial: (a) o disposto no art. 86, caput, da RCVM 45; (b) que a irregularidade, em tese,
enquadra-se no Grupo V do Anexo A da RCVM 45; (c) o porte e a visibilidade de atuação da sociedade envolvida; (d) o
histórico dos PROPONENTES[33]; e (e) o fato de já ter sido oferecida aos PROPONENTES a oportunidade de
encerramento antecipado do caso em tela pelo valor então proposto, o Comitê propôs[34] o aprimoramento da
proposta apresentada da seguinte forma:
a) OBRIGAÇÃO DE FAZER: apresentar, no prazo de 90 (noventa) dias a contar da publicação do Termo de
Compromisso na seção “Diário Eletrônico” da página da CVM na rede mundial de computadores, relatório emitido
por auditor independente registrado na CVM atestando que os ajustes propostos no modelo de negócios estão
sendo implementados pela sociedade; e
b ) OBRIGAÇÃO PECUNIÁRIA: assunção de obrigação pecuniária, em 3 (três) parcelas mensais, iguais e
consecutivas, atualizadas monetariamente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, no valor
total de R$ 3.630.000,00 (três milhões e seiscentos e trinta mil reais), sendo:
i. R$ 1.100.000,00 (um milhão e cem mil reais) a serem pagos pela ATOM;
ii. R$ 550.000,00 (quinhentos e cinquenta mil reais) a serem pagos por ANA PAIFER;
iii. R$ 1.320.000,00 (um milhão e trezentos e vinte mil reais) a serem pagos por BARLETTA CONSULTORIA
EMPRESARIAL LTDA.; e
iv. R$ 660.000,00 (seiscentos e sessenta mil reais) a serem pagos por JOSÉ PAIFER;
39. Em 12.09.2024, ATOM, ANA PAIFER e JOSÉ PAIFER apresentaram manifestação concordando com a obrigação de
fazer e as obrigações pecuniárias propostas pelo Comitê. Na mesma ocasião, foi formalizada a desistência da
BARLETTA CONSULTORIA, que informou que não desejava mais prosseguir com proposta de celebração do ajuste.
40. Em reunião realizada em 17.09.2024, o Comitê, por entender que não seria conveniente e oportuno o
encerramento do presente caso por meio de celebração de Termo de Compromisso com apenas parte dos
PROPONENTES originais e, diante da noticiada desistência da BARLETTA CONSULTORIA, deliberou[35] por opinar junto
ao Colegiado pela REJEIÇÃO da contraproposta apresentada por ATOM, ANA PAIFER e JOAQUIM PAIFER.
41. Em 20.09.2024, foi apresentado novo expediente com informação de que a BARLETTA CONSULTORIA havia
reconsiderado sua decisão e manifestação dos PROPONENTES de plena aceitação da proposta do Comitê acima
referida.
DA DELIBERAÇÃO FINAL DO COMITÊ DE TERMO DE COMPROMISSO
42. O art. 86 da Resolução CVM nº 45/2021 estabelece que, além da oportunidade e da conveniência, há outros
critérios a serem considerados quando da apreciação de propostas de Termo de Compromisso, tais como a natureza e
a gravidade das infrações objeto do processo, os antecedentes dos acusados, a colaboração de boa-fé e a efetiva
possibilidade de punição no caso concreto.
43. Nesse tocante, há que se esclarecer que a análise do Comitê é pautada pelas grandes circunstâncias que cercam o
caso, não lhe competindo apreciar o mérito e os argumentos próprios de defesa, sob pena de convolar-se o instituto de
Termo de Compromisso em verdadeiro julgamento antecipado. Em linha com orientação do Colegiado, as propostas de
Termo de Compromisso devem contemplar obrigação que venha a surtir importante e visível efeito paradigmático junto
aos participantes do mercado de valores mobiliários, desestimulando práticas semelhantes.
44. Assim, em reunião realizada em 24.09.2024, tendo em vista a aceitação da contraproposta apresentada pelo CTC
por todos os PROPONENTES e o entendimento de que o encerramento do presente caso por meio de celebração de
Termo de Compromisso com a assunção de (a) obrigação de apresentar, no prazo de 90 (noventa) dias a
contar da publicação do Termo de Compromisso na seção “Diário Eletrônico” da página da CVM na rede
mundial de computadores, relatório emitido por auditor independente registrado na CVM atestando que
os ajustes propostos no modelo de negócios estão sendo implementados pela ATOM; e de (b) obrigação
pecuniária, em 3 (três) parcelas mensais, iguais e consecutivas, atualizadas monetariamente pelo IPCA,
Parecer do CTC 629 (2180256) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 12
no valor total de R$ 3.630.000,00 (três milhões e seiscentos e trinta mil reais), sendo (b.i) R$
1.100.000,00 (um milhão e cem mil reais) a serem pagos pela ATOM; (b.ii) R$ 550.000,00 (quinhentos e
cinquenta mil reais) a serem pagos por ANA PAIFER; (b.iii) R$ 1.320.000,00 (um milhão e trezentos e vinte
mil reais) a serem pagos por BARLETTA CONSULTORIA; e (b.iv) R$ 660.000,00 (seiscentos e sessenta mil
reais) a serem pagos por JOSÉ PAIFER, afigura-se conveniente e oportuno, e que a contrapartida em tela é
adequada e suficiente para desestimular práticas semelhantes, em atendimento à finalidade preventiva do instituto de
que se cuida, o Comitê reconsiderou[36] a sua decisão por opinar pela rejeição da proposta de ajuste no presente caso
de 17.09.2024.
DA CONCLUSÃO
45. Em razão do acima exposto, o Comitê, por meio de deliberação ocorrida em 24.09.2024, decidiu[37] opinar junto ao
Colegiado da CVM pela ACEITAÇÃO da proposta de Termo de Compromisso apresentada por ATOM EDUCAÇÃO E
EDITORA S.A., ANA CAROLINA PAIFER, JOSÉ JOAQUIM PAIFER e BARLETTA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA., sugerindo
a designação da SPS para o atesto da obrigação de fazer assumida e da Superintendência Administrativo-Financeira
para o atesto do cumprimento da obrigação pecuniária acima referida.
Parecer Técnico finalizado em 16.10.2024.
[1] Art. 16. Depende de prévia autorização da Comissão de Valores Mobiliários o exercício das seguintes atividades: (...)
III - mediação ou corretagem de operações com valores mobiliários.
[2] Art. 2º A intermediação de operações em mercados regulamentados de valores mobiliários é privativa de
instituições habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição, por conta própria e de terceiros, na
negociação de valores mobiliários em mercados regulamentados de valores mobiliários.
[3] As informações apresentadas nesse Parecer Técnico até o capítulo denominado “Da Responsabilização”
correspondem a um resumo do que consta da peça acusatória do caso.
[4] No âmbito da inspeção realizada pela SSR também foi levantada a possibilidade de os traders atuarem
irregularmente como administradores profissionais de carteira, tendo em vista que: (a) os seus contratos de prestação
de serviços têm como objeto “... operações em títulos e valores mobiliários nos mercados à vista e de liquidação futura,
mercadorias e demais ativos financeiros negociados na B3, segmento Bovespa e segmento BM&F”; (b) operam com
capital de terceiros (seus contratantes); (c) são autorizados a emitir ordens em nome das empresas contratantes; e (d)
são remunerados com base nos resultados obtidos nas operações por eles realizadas. Entretanto, após análise dos
fatos, a investigação concluiu pela ausência do quesito caracterizador da “gestão de recursos de terceiros”, qual seja, a
entrega do capital da contratante para que os contratados o rentabilizassem por meio de operações no mercado de
capitais, não restando irregularidade a apontar quanto à conduta dos traders.
[5] A W. Participações era também a controladora da A.P.S.A., que por sua vez tinha como controlada a empresa Atom
Traders e Publicações S.A.
[6] No âmbito da inspeção realizada, foram analisadas tanto as informações prestadas pela própria Atom, relativas à
formalização do relacionamento comercial com os traders, quanto os esclarecimentos prestados pela Corretora que
intermediou mais de 90% das operações cursadas pelo grupo Atom durante os anos de 2017 e 2018.
[7] Direct Market Access
[8] De acordo com as informações prestadas pela Corretora que intermediava as operações da mesa, os traders eram,
na prática, pessoas autorizadas a transmitir ordens em nome do titular da conta (Barletta Consultoria ou Atom Traders),
sendo de responsabilidade do titular a inclusão dos traders como transmissores de ordens nos respectivos cadastros da
Corretora.
[9] O limite operacional disponibilizado à mesa era único para cada cliente – Barletta Consultoria ou Atom Traders - e
as ordens eram executadas e especificadas em nome desses dois clientes, sem a possibilidade de distribuição ou
reespecificação das operações para terceiros. Cabia ao titular da conta (Barletta Consultoria ou Atom Traders) criar e
administrar as subcontas dos traders admitidos a operar em seu nome, no sistema ProfitPro/ProfitPlus, e conceder e
administrar os respectivos limites operacionais e de risco.
[10] Tabela que mostrava a faixa de saldo acumulado em que se iniciava cada Plano oferecido pela ATOM e, para cada
faixa de saldo acumulado, os limites operacionais, de riscos (perda diária e perda total) e a porcentagem de repasse
dos ganhos aos traders. O Plano PRO, por exemplo, tinha faixa de saldo acumulado na conta de R$ R$ 0,00 a R$
1.000,00, limites operacionais de 3 Minicontrato Dólar/índice, 3.000 ações e 0 Contrato DI-Futuros, perda diária de R$
300,00, perda total de R$ 550,00 e 60% de repasse dos ganhos aos traders. Já a faixa máxima do Plano Atom Direct N4
tinha saldo variando de R$ 80.001,00 a R$ 100.000,00, limites operacionais de 500 Minicontrato Dólar/índice, 100.000
ações e 100 Contrato DI-Futuros, perda diária de R$ 15.000,00, perda máxima de R$ 80.000,00 e 90% de repasse,
sendo 87,5% repasse e 2,5% em ações.
[11] Ao final da investigação, foi possível concluir que mesmo a primeira faixa de limite de operação ofertada aos
traders não representava risco para o capital da mesa, uma vez que, para ter acesso a esse limite, ot rader já teria
desembolsado este valor à empresa, seja por meio da compra dos cursos avaliativos ou pela aquisição do atalho
proporcionado pelo produto Atom Direct.
[12] Na ocorrência de perdas que ultrapassassem os limites estabelecidos, a Atom agia de forma a suspender novas
operações e a buscar o ressarcimento dessas perdas. O ressarcimento das perdas oriundas das operações dos traders
estava estabelecido no contrato firmado entre a Atom e seus clientes, em sua cláusula sexta (limites operacionais):
“caso o CONTRATADO ultrapasse o valor da perda total da conta, o contrato poderá ser suspenso pela
CONTRATANTE a qualquer momento, e os valores de prejuízos superiores aos estabelecidos acima deverão ser
reembolsados pelo CONTRATADO em até 10 dias úteis”.
[13] Conforme afirmado pela própria Atom, “a companhia também disponibiliza algumas modalidades de contratação
(‘Blackswan’ e ‘Atom Direct’), em que o trader pode realizar depósitos de valores em sua subconta a fim de
gerar/aumentar o saldo acumulado, proporcionando assim um aumento nos seus limites operacional e de risco”. De
Parecer do CTC 629 (2180256) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 13
acordo com o entendimento da equipe de inspeção, nesses casos em que traders aportam recursos próprios em suas
subcontas na Atom, restaria caracterizada mais uma vez a atuação da empresa de forma análoga a uma corretora de
valores.
[14] A obtenção do ganho diferencial foi observada em quase todas as classes de ativos que a ATOM permitia que
fossem negociadas pelos traders. No caso de contrato cheio de dólar e índice, a corretagem cobrada pela ATOM era
igual à taxa cobrada pela Corretora. Foi possível apurar que os ganhos diferenciais obtidos pela Atom com a cobrança
de corretagem pelas operações de seus clientes variavam de 2 vezes a corretagem efetivamente devida à Corretora
(no caso de minicontratos de dólar e índice) a até mais de 3 vezes o valor dessa corretagem (no caso de operações no
segmento Bovespa).
[15] Questionamento sobre a atuação do Grupo Atom encaminhado por pessoa natural que deu origem ao Processo SP2016-36.
[16] Questionamento sobre a atuação do Grupo Atom encaminhado por pessoa natural que deu origem ao Processo SP2016-455.
[17] Reclamação de pessoa natural sobre a atuação do Grupo Atom tratada no âmbito do Processo CVM
19957.003460/2019-37. Cumpre registrar que os detalhes das questões afetas ao relacionamento entre a Atom e seus
clientes não foram objeto de investigação, pois não são de competência desta CVM, mas houve comunicação à
Procuradoria da República no Estado de São Paulo e ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do
Ministério da Justiça, que são os órgãos estatais com atribuição/competentes para tal.
[18] A denúncia deu origem ao Processo CVM 19957.010352/2017-59.
[19] Das 6 (seis) pessoas questionadas no âmbito do Inquérito, 5 (cinco) se manifestaram.
[20] Sobre os motivos que levaram os traders a contratarem a ATOM e sobre os serviços prestados pela empresa, a
Área Técnica destacou os seguintes trechos das manifestações obtidas dos traders: “a propaganda que a Atom fazia
nas redes sociais mostrava que seguindo os passos e dicas deles, teríamos bons retornos financeiros”; “o que me
chamou a atenção na Atom foi a possibilidade de operar no mercado mobiliário [sic], sem ter a necessidade de aportar
capital próprio. Eu poderia operar com os recursos da Atom, mediante um contrato e limites pré-estabelecidos, e ainda
contar com operador experiente orientando como o mercado financeiro funcionava”; “estava assistindo vídeos e lendo
livros com o intuito de aprender mais sobre o mercado. Em um dos vídeos que assisti, havia uma propaganda deles (...)
diziam que te ensinariam a extrair o máximo do mercado com a ajuda deles, e te tornariam ‘consistente’ (...) era,
segundo eles, uma oportunidade única de aprender a operar do zero e ser consistente no mercado”; “assistindo a uma
entrevista da (...) [sócia e diretora da empresa]. Após isso, me inscrevi no canal da Atom ‘Vida de Trader’, no YouTube
(...) para aprender sobre o mercado e operar na B3 (...) estar inserido em uma comunidade de aprendizado em um
assunto totalmente novo e o desconto da plataforma que na época tinha um preço exorbitante”; “[em] várias
pesquisas por mim realizadas, no meu entender da época, a Atom era a mais transparente e melhor de todas as mesas
proprietárias estudadas”; e “tomei conhecimento da proposta educacional e de operação por mesa proprietária
apresentada pela Atom assistindo, acompanhando no You Tube, o canal Atom Vida de Trader (...) acreditar que poderia
fazer uma renda mensal, largar o meu serviço e viver de mercado financeiro. Me enganei completamente”.
[21] Além de ANA PAIFER e JOSÉ PAIFER, subscreveram a manifestação um Diretor sem designação específica que
atuava no Grupo Atom desde 2015, que informou que era “responsável pelo gerenciamento das áreas administrativas
das empresas do grupo”, e o Diretor de Relações com Investidores da companhia aberta do grupo e produtor de
conteúdo na Atom Traders, que passou a atuar no grupo a partir de 18.03.2019.
[22] ANA PAIFER declarou o seguinte “a gente não exercia nenhum cargo de diretoria [de mesa proprietária], nós
somos os fundadores da empresa, tanto da mesa proprietária quanto da área educacional... nunca existiu uma diretoria
da mesa proprietária, como área. Nossas atividades são com a empresa, de forma geral, esse modelo dentro da mesa
proprietária, de criação e avaliação de todo o processo, foi desenvolvido junto com nossos colaboradores,
principalmente com referência da [....], que atua no mesmo modelo nos EUA. Então, não tenho nenhum tipo de
exercício, de cargo nessa função, nem minha nem do Joaquim”.
[23] Em pesquisa realizada em fevereiro de 2022: https://lp.atomeducacional.com.br/entre-para-o-time/
[24] ANA PAIFER afirmou o seguinte, em seu depoimento: “o sistema de avaliação protege a companhia, o dinheiro da
companhia e, inclusive, os próprios traders. Se eles não passam na avaliação, recomendo fortemente que eles não
comecem a operar por conta própria. Não são todos os traders que passam de primeira, mas não é exigido mais que
uma vez. Se ele passar de primeira, a gente automaticamente o contrata”.
[25] Order Managament System – Sistema de Gerenciamento de Ordens.
[26] A Diretoria declarou que: “muito embora a Atom seja a única contribuinte responsável perante o Fisco pelo
recolhimento dos impostos incidentes sobre as operações realizadas por intermédio de sua mesa proprietária (por ser
ela, inclusive, a única contraparte de todas as operações), o repasse desse ônus fiscal é pactuado com os traders como
forma a viabilizar o repasse dos ganhos registrados nas operações por eles comandadas”.
[27] Order Management System – Sistema de Gerenciamento de Ordens.
[28] A Diretora declarou que “o percentual [de sucesso] é bem pequeno, a gente sabe da realidade da disciplina, não
só do Brasil, mas do ser humano. Quando a gente fala de empreendedores, em dois anos, 80% das empresas fecham.
Saiu a pequisa da GV [...], infelizmente menos de 1% das pessoas estavam sendo lucrativas com isso” e que “essa
queda é em virtude da falta de disciplina, muitas vezes de operar sem a ferramenta de stop-loss que é uma das coisas
que mais a gente bate na tecla, então a gente acaba tendo perdas”.
[29] Conforme mencionado no parágrafo 11, itens “a”, “b”, “c” e “d”.
[30] Art. 83. Ouvida a PFE sobre a legalidade da proposta de termo de compromisso, a Superintendência Geral deve
submeter a proposta de termo de compromisso ao Comitê de Termo de Compromisso, ao qual compete apresentar
parecer sobre a oportunidade e a conveniência na celebração do compromisso, e a adequação da proposta formulada
pelo acusado ou investigado, propondo ao Colegiado sua aceitação ou rejeição, tendo em vista os critérios
estabelecidos no art. 86.
Parecer do CTC 629 (2180256) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 14
[31] Art. 83. Ouvida a PFE sobre a legalidade da proposta de termo de compromisso, a Superintendência Geral deve
submeter a proposta de termo de compromisso ao Comitê de Termo de Compromisso, ao qual compete apresentar
parecer sobre a oportunidade e a conveniência na celebração do compromisso, e a adequação da proposta formulada
pelo acusado ou investigado, propondo ao Colegiado sua aceitação ou rejeição, tendo em vista os critérios
estabelecidos no art. 86. (...) Art. 86. Na deliberação da proposta, o Colegiado deve considerar, dentre outros
elementos, a oportunidade e a conveniência na celebração do compromisso, a natureza e a gravidade das infrações
objeto do processo, os antecedentes dos acusados ou investigados ou a colaboração de boa-fé destes, e a efetiva
possibilidade de punição, no caso concreto.
[32] ATOM TRADERS PUBLICAÇÕES S.A. e ANA CAROLINA PAIFER não constam como acusadas em outros
processos sancionadores instaurados pela CVM. (Fonte: INQ e SSI. Último acesso em 08.11.2023). JOSÉ JOAQUIM
PAIFER também acusada no (i) TA RJ 2016 / 7192 - Manipulação de preços no mercado de valores mobiliários –
Spoofing (Inciso I c/c o item II, "b", da Instrução CVM nº 08/79). Julg. Colegiado – 13.03.2018 - Multa R$ 684.000,00.
Transitada em julgado no CRSFN em 13.04.2022 - ACÓRDÃO: 52/2022. (Fonte: INQ e SSI. Último acesso em
08.11.2023). BARLETTA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA (PAIFFER MANAGEMENT LTDA. – ME) também
acusada no (i) TA RJ 2016 / 7192 - Manipulação de preços no mercado de valores mobiliários – Spoofing (Inciso I c/c o
item II, "b", da Instrução CVM nº 08/79). Julg. Colegiado – 13.03.2018 - Multa de R$ 1.710.000,00. Transitada em
julgado no CRSFN em 13.04.2022 - ACÓRDÃO: 52/2022. (Fonte: INQ e SSI. Último acesso em 08.11.2023).
[33] ATOM EDUCAÇÃO E EDITORA S.A. (ATOM TRADERS PUBLICAÇÕES S.A.) e ANA CAROLINA PAIFER não constam
como acusados em outros processos sancionadores instaurados pela CVM. JOSÉ JOAQUIM PAIFER também acusado no
(i) TA RJ 2016 / 7192 - 19957.005977/2016-18 - Manipulação de preços no mercado de valores mobiliários – Spoofing
(Inciso I c/c o item II, "b", da Instrução CVM nº 08/79). Julg. Colegiado 13/03/2018 - Multa R$ 684.000,00. Transitada em
julgado no CRSFN 13/04/2022 ACÓRDÃO: 52/2022. BARLETTA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA (PAIFFER
MANAGEMENT LTDA. – ME) também acusada no (i) TA RJ 2016 / 7192 - Manipulação de preços no mercado de valores
mobiliários – Spoofing (Inciso I c/c o item II, "b", da Instrução CVM nº 08/79). Julg. Colegiado 13.03.2018 - Multa R$
1.710.000,00. Transitada em julgado no CRSFN 13.04.2022 ACÓRDÃO: 52/2022. (Fonte: Sistema de Inquérito - INQ e
Sistema Sancionador Integrado - SSI da CVM. Último acesso em 15.10.2024).
[34] Deliberado pelos membros titulares de SGE, SEP, SMI, SNC e pelo substituto de SSR.
[35] Deliberado pelos membros titulares de SGE, SEP, SNC e SSR.
[36] Deliberado pelos membros titulares de SGE, SEP, SNC, SSR e pelo substituto de SMI.
[37] Deliberado pelos membros titulares de SGE, SEP, SNC, SSR e pelo substituto de SMI.
Documento assinado eletronicamente por Alexandre Pinheiro dos Santos, Superintendente Geral, em
22/10/2024, às 19:50, com fundamento no art. 6º do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Luis Lobianco, Superintendente, em 22/10/2024, às 22:23, com
fundamento no art. 6º do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Fernando Soares Vieira, Superintendente, em 23/10/2024, às 09:20,
com fundamento no art. 6º do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Paulo Roberto Gonçalves Ferreira, Superintendente, em 23/10/2024,
às 12:11, com fundamento no art. 6º do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
Documento assinado eletronicamente por Andre Francisco Luiz de Alencar Passaro, Superintendente, em
23/10/2024, às 16:08, com fundamento no art. 6º do Decreto nº 8.539, de 8 de outubro de 2015.
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Parecer do CTC 629 (2180256) SEI 19957.002134/2020-46 / pg. 15
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